
Para os inventores de Quasi, o robô que foi sensação na abertura da Campus Party no Brasil, criar uma máquina totalmente estática, que não tem nenhuma possibilidade de interação com o ser humano, é um feito sem grande utilidade. Andrew Hosmer e Seema Patel - membros do grupo de estudantes da Universidade de Carnegie Mellon, da Pensilvânia, nos Estados Unidos, que criou o projeto - vieram ao Brasil para acompanhar o pequeno robô. Eles contaram ao Wnews quais foram as motivações que levaram ao desenvolvimento da máquina que chamou tanto atenção nos últimos dias. Veja a seguir trechos desse bate-papo.
Veja galeria com imagens da Campus Party
Um robô para entreter
No pavilhão de stands da Campus Party, bem próximo à entrada de visitantes, era fácil reconhecer o sucesso de Quasi: pessoas se reuniam a sua volta para conversar e interagir com o robô. Logo de início, ele explica que não sabe falar português. ?Se fosse convidado para um jantar, consegueria dizer apenas ?obrigado? no final?, pronuncia ele, em inglês, em uma sincronia quase humanamente perfeita entre seus lábios mecânicos e sua voz.
À sua esquerda encontram-se seus controladores, tão humanos quanto qualquer um de nós. Sentada, a jovem Seema Patel segura em sua mão um Tablet PC com com tela de cerca de 15 polegadas de tamanho, com o qual comanda os gestos, movimentos e até o piscar do de olhos do robozinho. Os olhos de Quasi capturam as imagens que são visualizadas na tela do Tablet ? ou seja, é possível ficar de costas para o público e, ainda assim, saber com quem se está falando.
Os estudantes queriam projetar um robô que tivesse interação máxima possível com o ser humano. Andrew Hosmer explica que, após visitar parques de diversões com colegas de faculdade, teve a idéia de criar uma máquina que não repetisse sempre as mesmas palavras o gestos ? ou seja, totalmente desprovida de novidade. Juntamente com outros 11 colegas do Centro de Tecnologia do Entretenimento da Universidade Carnegie Mellon, criaram Quasi em dois semestres acadêmicos como o resultado de um projeto de pesquisa.
Vida para desbravar o mundo
Para dar vida ao pequeno robô, eles desenvolveram um software específico para desempenhar as funções que desejavam a Quasi ? como mexer a boca, os braços, suas antenas, as mãos. Para desenvolver essa plataforma tecnológica, recorreram a programação de videogames e usaram conhecimentos em inteligência artificial. ?Não importasse o quanto difícil fosse, nossa intenção era criar um robô que pudesser dar uma experiência de alegria a quem o conhecesse?, afirma Hosmer.
Depois de apresentado e aprovado pelo centro de pesquisas, Quasi começou a desbravar novos horizontes ? até chegar na versão brasileira da Campus Party. Viajou por diferentes partes dos Estados Unidos, onde se apresentou em programas de televisão e feiras de tecnologia. Foi ao Oriente Médio para participar de uma conferência especializada em tecnologia em Doha e deixou um ?irmão gêmeo? no sudeste asiático ? o instituto de Tecnologia de Cingapura adquiriu uma cópia idêntica de Quasi, que não deve deixar aquele país.
Da pesquisa ao negócio e uma irmã à caminho
Hosmer explica que, dos 12 estudantes que desenvolveram a pesquisa acadêmica que levou à criação de Quasi, quatro deles fundaram uma empresa, em 2005, chamada Interbots. O interesse de seus criadores, agora, é tornar o robô conhecido do público e utilizado em feiras ou eventos de qualquer tipo. ?A intenção é fazer o pequeno robô interagir com seres humanos nas mais diversas situações?, diz.
?No momento, estamos desenvolvendo também uma irmã para Quasi, que se chama Moxi. Ela terá um sistema de funcionamento um pouco mais avançado que o dele, e poderá ter outras reações próprias e interagir de diferentes formas com as pessoas, principalmente para jogos?. Moxi ainda não foi lançada oficialmente, mas já é aguardada com expectativa entre os seus criadores. Quasi deve ficar no Brasil até o fim da Campus Party.