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Esqueça a pirataria: apenas baixe o filme legalmente
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Atualizado em 07/08/2008







O tempo está muito chuvoso para ir até a locadora? Quer assistir a um filme no seu laptop no avião? Ou então que tal um velho título que não está disponível no Wal-Mart mais próximo?



Depois de evitar isso por anos, os estúdios de Hollywood estão se preparando para permitir às pessoas baixar e comprar cópias eletrônicas de filmes pela Web, muito parecido com as gravadoras que, hoje, vendem músicas por US$ 0,99 pelo serviço iTunes da Apple e outros serviços online.



A indústria do cinema já fez algumas poucas tentativas de deixar as pessoas baixarem um número reduzido de filmes online, mas o rápido crescimento do uso do vídeo pela Internet, tanto legal como pirateado, está forçando a criação de opções mais robustas de download e levou muito tempo até que os estúdios pudessem elaborar novos modelos de negócio envolvendo a Internet.



Os estúdios estiveram trabalhando por meses para confrontar os desafios tecnológicos e empresariais das vendas digitais. Estas iniciativas ganharam nova urgência depois do último dia 27 de junho quando a Suprema Corte determinou que empresas que desenvolvessem softwares de distribuição que permitissem a usuários trocar cópias piratas de áudio e vídeo estão sujeitas a todas as sanções de infração de direitos de propriedade mesmo se eles induzirem seus usuários a desobedecerem a lei.



A Sony, por exemplo, está convertendo 500 filmes para um formato digital e que pode ser baixado e vendido. A Universal Pictures, uma unidade da NBC Universal, e que tem 80% de participação acionária da General Electric e os demais 20% da Vivendi Universal, está preparando um lote de 200 títulos para venda digital. E a Warner Brothers, uma divisão da Time Warner, disse que já digitalizou a maioria de sua biblioteca de 5 mil filmes e vai começar a vender alguns deles online até o final do ano.



Os estúdios querem ter certeza de oferecer opções legais de vídeo para seus consumidores e têm um forte incentivo: a adoção rápida de conexões velozes de Internet e que está tornando a troca de arquivos ilegais mais fácil e disseminada.



?Será mais fácil ser um consumidor de conteúdo legítimo e cada vez mais difícil ser um pirata?, disse James Ramo, o chefe executivo da Movielink, um serviço de download de filmes estabelecido pelos cinco maiores estúdios de cinema há três anos.



É claro que ninguém discute que o download de vídeos legais vai se expandir rapidamente. Ainda demora meia hora ou mais para baixar um filme, mais do que levam muitas pessoas para ir até uma locadora de vídeo. A qualidade da imagem em uma tela de computador não é tão boa como em uma televisão com uma boa conexão de cabo. E não existem formas fáceis de transpor um filme copiado em um PC para a televisão.



É claro que ainda existe um grupo crescente de usuários que usam softwares de compartilhamento de arquivos como BitTorrent para baixar programas piratas, especialmente filmes que ainda não foram lançados em DVD ou novos episódios de programas de TV Não é surpresa que os vídeos que as pessoas mais querem copiar são aqueles que Hollywood têm grande timidez em tornar disponíveis online.



Os estúdios não querem minar as receitas de locação e venda de DVDs para os grandes sucessos e as redes de TV não querem colocar suas atrações mais populares na rede, que vão permitir a um número cada vez maior de pessoas fugir dos comerciais. E eles também não querem correr para uma nova tecnologia que poderia ser pervertida.



?A transmissão convencional, via satélite e cabo são todos bons modelos que nos dão a possibilidade de gerar receitas de forma relativamente segura quanto à pirataria?, diz Robert C. Wright, o chefe executivo da NBC Universal, exprimindo a posição da maioria dos executivos da indústria.



Josh Goldman, o chefe executivo da Akimbo, uma empresa que vende um serviço de vídeo digital que chega ao usuário por um dispositivo que é conectado à TV e à Internet, disse que enquanto a indústria estava começando um experimento, todo mundo está segurando o melhor de sua programação até que o mercado descubra o melhor modelo de negócio.



Por exemplo, Robert A. Iger, o presidente e próximo chefe executivo da Walt Disney Company, disse em uma recente reunião com investidores que estava interessado em conceitos que ele chamou ?Desperate Housewives Plus?, no qual consumidores poderiam adquirir o direito de assistir a um episódio do seriado no dia seguinte à sua transmissão com cenas adicionais.



Mesmo sem as ofertas de Hollywood, os consumidores já estão vendo mais vídeo online e downloads mais rápidos e melhorias em software aprimoram a experiência. No passado, os usuários tinham de baixar tocadores para assistir pequenas bolhas de cor com pouquíssimo movimento nos cantos de suas telas.







Hoje, mais pessoas podem assistir vídeos musicais online do que os disponíveis na MTV. Pequenos vídeos, como as gozações políticas da JibJab Media e clipes de vídeo das últimas escapadas de Paris Hilton podem ser vistos por milhões de pessoas.



A CNN já transferiu a maioria de seu conteúdo de vídeo online de um serviço pago para um site de acesso livre, com um comercial que é tocado antes de cada clipe.



E mesmo programas de maior duração estão ganhando apelo. Cerca de 700 mil pessoas assistiram o primeiro episódio da Warner Brothers ?Jack and Bobby? por streaming de vídeo quando estava na programação da AOL.



?Estamos finalmente chegando ao ponto em que há um número suficiente de pessoas com conexões velozes?, disse Blair Westlake, que já foi presidente do conselho da Universal Television e que se juntou à Microsoft Corporation no ano passado como embaixador chefe em Hollywood. ?Para os downloads digitais decolarem, os donos do conteúdo tem que tratar o negócio como algo viável?, disse Westlake. ?Eles questionam porque apressar a corrida se ainda não há um número suficiente de consumidores em potencial??



Hollywood acredita que os consumidores vão querer suas próprias cópias digitais de filmes, levando em conta as coleções de filmes em DVDs. Os acordos finais estão sendo negociados e os filmes não devem estar disponíveis antes do último trimestre, mas as linhas de como o negócio deve funcionar estão claras.



Os estúdios vão tornar os filmes disponíveis para uma gama variada de distribuidores online, entre eles Movielink, MSN, o Connect da Sony, Target.com e CinemaNow, um serviço de locação online de filmes. Os preços, a serem definidos pelos revendedores, deve ser similares aos preços de DVDs regulares entre US$ 10 e US$ 20.



Os estúdios decidiram que este modelo poderia ser tão lucrativo como as vendas de DVDs.



?Sem os custos de distribuição e operação do varejo, um filme como o quarto da série Harry Potter poderia ser vendido pelo preço de custo de um DVD, que está em torno de US$ 12?, disse Jeffrey L. Bewkes, chefe do grupo de entretenimento e redes da Time Warner.



Já Ramo, da Movielink, disse que os downloads teriam maior apelo para as pessoas que viajam porque os filmes poderiam ser vistos em laptops. E muito mais títulos podem ser disponibilizados online do que em uma loja no mundo real.



?Quanto mais o negócio de venda de vídeos vai para grandes empresas como Wal-Mart e Best Buy, o mais competitivo será vender fisicamente. Então, podemos presumir que o consumidor irá à Web buscar um catálogo maior de opções?, diz Ramo.



O movimento inicial da Movielink, de alugar vídeos online, teve uma resposta de 100 mil locações em um mês. E os cinco estúdios donos da companhia tiveram dificuldade em chegar a um acordo sobre o modelo de negócio e suas ofertas não estavam sendo atraentes para os consumidores: a maioria dos filmes custa US$ 5, mais que o custo de locadoras e que só podem ser assistidos por um período de 24 horas.



Mais importante, a seleção de filmes foi limitada por um método complexo bolado por Hollywood para vender os direitos de um filme. Depois que um filme é exibido nos cinemas, ele é exibido por algumas ocasiões em aviões, sistemas de pay-per-view e canais de assinatura como a HBO e só então chegando às redes abertas.







Os únicos filmes que os estúdios podem disponibilizar para a locação na Internet são aqueles que estão no período de exibição relativamente curto do sistema pay-per-view e filmes antigos. E mesmo no segundo caso, os direitos devem ser negociados com os produtores e donos dos direitos autorais de qualquer música usada no filme.



Os direitos autorais já atrapalharam também o serviço NetFlix, o popular serviço de locação de DVDs pelo correio, de mudar seu sistema de distribuição online, que era o plano original da companhia.



?Se você me perguntasse, quando começamos em 2001, que percentual de nossos conteúdos seria distribuído por download em 2006, eu diria de 30% a 40%?, disse Reed Hastings, diretor executivo da companhia. Hastings diz ainda que a empresa oferecerá um serviço de donwloads neste ano, mas apenas para uma pequena fração de seu catálogo de 40 mil DVDs que estão disponíveis para locação.



O mercado de downloads enfrenta estas dificuldades porque o mercado vê a operação online mais como a venda de um filme do que uma locação. E, no entanto, ainda existem alguns detalhes técnicos que podem diminuir o apelo para a compra online de vídeos. Por exemplo, os arquivos seriam restritos a tocar em apenas um único computador com ligação a uma TV. Alguns executivos acham que isso é muito limitado e que os consumidores vão querer poder transferir os arquivos para diversos computadores ou dispositivos portáteis e então queimar seus próprios DVDs.



?A experiência para o consumidor ainda não é boa o suficiente?, disse Yair Landau, vice-presidente da Sony Pictures Entertainment, que está tentando trabalhar com outros estúdios e empresas de produtos eletrônicos na definição de novas estruturas legais para os filmes copiados por download.



?SE você vende alguma coisa que não permite a você fazer o que quer, não tem valor para o consumidor?, ele disse.



Outros estúdios estão preocupados de que regras mais liberais estimulariam a pirataria porque a tecnologia que permite o controle das cópias ainda não foi suficientemente disseminada para evitar que as pessoas pudessem duplicar os arquivos para milhares de amigos pela Web.



Kevin Tsujihara, vice-presidente executivo da Warner Brothers Entertainment acha que Hollywood deveria superar estes medos se pretende dar aos consumidores o que eles querem. Afinal de contas, as gravadoras foram tão cautelosas sobre canibalizar seus canais existentes que foi isso que permitiu à pirataria crescer de forma descontrolada.



?Se nós estamos protegendo um negócio, e, ao mesmo tempo não estamos dando aos consumidores o que eles realmente querem, então não é um modelo sustentável. A indústria de música fez um grande trabalho não afetando seu ecossistema, mas ao fazer isso, eles mataram seu ecossistema?, alertou Tsujihara.





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Palavras-chave: Esqueça | A | Pirataria | Apenas | Baixe
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