
As demais gravadoras brasileiras não adotaram ainda a proteção de cópias e não tem data para isso, com exceção da Universal, que a adotará a partir de janeiro de 2003. A assessoria de imprensa informou que a major espera a empresa fabricante Microservice se aparelhar para iniciar os lançamentos protegidos. A Universal, junto com a Som Livre, está adotando uma tática de tornar seus produtos mais atraentes para estimular o consumidor a preferir o lançamento oficial. Cada unidade do novo CD do grupo americano Bon Jovi, Bounce, virá com um número diferente (Lobão vai adorar isso) que servirá de senha para que o comprador tenha acesso a promoções e conteúdos exclusivos no site de Bon Jovi, incluindo sorteio de ingressos para o showcase deles no Fantástico este mês.
CDs protegidos são prática comum no mercado europeu e nem tanto nos EUA. A tecnologia ainda apresenta problemas de toda ordem. No final do ano passado, a gravadora BMG britânica recebeu uma enxurrada de queixas de compradores do CD White Lillies Lsland, da cantora australiana Natalie Imbruglia, que não conseguiram tocá-los.
No exterior, a gravadora Universal anunciou a meta de ter todos os seus lançamentos protegidos até o final de 2002. Mas a prova de que o sistema está longe de ser eficaz está num site criado pela própria Universal chamado Music help on line (ajuda musical na rede) que lista alguns problemas causados pelos CDs protegidos, afirma que os discos podem ser devolvidos se apresentarem algum ou alguns deles e traz a observação: O UMG (Universal Music Group) está fazendo todos os esforços para eliminar estes problemas o mais rápido possível. Os problemas, a saber:
1. O CD não toca no seu aparelho de CD ou DVD
2. O CD não toca no seu computador
3. O áudio tem problemas audíveis (sic)
4. As canções não começam ou não se interrompem quando o botão de avançar é acionado
5. As funções de avanço rápido e de voltar não funcionam
6. Não se consegue tocar todas as faixas do CD
7. Há longos intervalos entre as canções quando se aciona algum comando (avanço, volta, etc.)
Nos Estados Unidos, a terra mater dos processos, discute-se se este bloqueio de cópias não infringe o direito adquirido do comprador de fonogramas de reproduzi-los a seu contento em caráter particular. Sempre foi assim na era do vinil, quando se reproduzia em fitas de rolo ou cassette. No mercado mais rico do mundo, o alvo não é o CD vendido em camelôs a preço de goma de mascar, mas o download gratuito que provocou uma queda de vendas de 5% no ano passado e de 7% no primeiro semestre do ano, segundo a Associação da Indústria Fonográfica da América (RIAA). A Associação que representa os gigantes do setor - AG BMG, EMI Group, AOL Time Warner, Vivendi Universal e Sony Corporation - colocou na rua semana passada uma campanha publicitária para tentar conter a devastação, representada pelos 2,6 bilhões de fonogramas baixados a cada mês da Internet sem que os proprietários dos direitos autorais ganhem um centavo sequer. Quem realmente se importa com a baixa ilegal de músicas? pergunta o anúncio, e responde com uma lista de 90 nomes, incluindo Brtiney Spears, Eminem (quem diria), Madonna, Dixie Chicks, Elton John, Sting, Phil Collins e Luciano Pavarotti.
A guerra está feia nos Estados Unidos, bem mais que aqui. A Associação da Indústria Fonográfica Americana (RIAA) já chegou aos extremos de querer invadir qualquer computador que contivesse fonogramas baixados ilegalmente para apagá-los e tirou do ar o Napster, que era o maior fornecedor de música na Internet. Também cogitou de processar os provedores de acesso e pessoas que tivessem um grande número de fonogramas em seus computadores e que servem de fornecedores para quem busca estas músicas na internet.
No Brasil, a Associação Brasileira dos Produtores de Discos está comemorando a recente criação de uma delegacia especializada para combater a pirataria no Rio, como já acontece em São Paulo. Até agora, a ABPD ficava dependendo da boa vontade da Delegacia de Defraudações para fazer blitz contra o comércio ilegal. No Brasil foram apreendidos 3 milhões de CDs falsificados no ano passado e, ainda assim, os ilegais respondem por 53% do comércio nacional.
Se considerarmos que o comércio ilegal funciona livremente, que máquinas de reproduzir CDs custam uma micharia e CDs virgens estão por toda parte a menos de um real cada, Jorge Davidson da EMI pode estar com a razão: o jeito é proteger o próprio CD. O único problema é que os piratas são tão ou mais talentosos do que os criadores dos sistemas de proteção e é voz corrente entre os especialistas em informática e na internet de que tudo pode ser copiado, não importa o sistema de proteção empregado. É uma guerra sem paz à vista (ou a prazo).
Fonte: Globonews
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