A indústria de eletroeletrônicos, através da Eletros ? Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos, têm reiterado sua posição junto aos responsáveis pela elaboração e encaminhamento do Projeto de Lei nº 422/03, que define a obrigatoriedade da bi-voltagem dos aparelhos eletroeletrônicos e está em tramitação na Câmara dos Deputados, de que a implementação desta medida não é viável em todas as linhas de produtos.
Nos produtos chamados eletromecânicos, que utilizam a energia elétrica para transformá-la em energia térmica/mecânica ou hidráulica, geralmente operando em alta potência - caso dos produtos refrigerados (geladeiras/freezers/ar condicionado) e portáteis (batedeiras/liqüidificadores/mixters, etc) -, a bi-voltagem não pode ser implementada, pois, em alguns casos, significaria a duplicidade de componentes (compressores, motores, etc.) ou a agregação de volumosos transformadores, que onerariam muito o custo do produto ao consumidor.
O presidente da Eletros, Paulo Saab, explica que o setor não é contrário à bi-voltagem, e demonstração disso é que os produtos nos quais ela é viável ? caso dos televisores e secadores de cabelo -, os fabricantes já fizeram esta adaptação. São produtos que utilizam a energia elétrica alternada (A/C) e convertem a mesma em energia elétrica contínua (D/C), dentro das características técnicas que o produto comporta e sem alterar de forma expressiva seu custo ou elevar seus níveis de consumo de energia.
Saab lembra que a questão da bi-voltagem é uma característica do mercado brasileiro, onde o sistema de distribuição energética, por razões históricas, foi implementado com duas tensões elétricas distintas, 110 e 220 volts, ao contrário da maioria dos países, que sempre adotaram um sistema único, e cerca de 70% da rede opera em 110 volts. Para atender essa característica, o parque industrial brasileiro instalado já destina produtos apropriados à voltagem local, de modo a satisfazer as necessidades do consumidor, lembra o presidente da Eletros.
Além das questões técnicas que não tornariam possível sua implantação na maioria dos produtos eletroeletrônicos, a bi-voltagem, lembra Saab, pode incorrer no aumento do consumo energético de até 15%, com conseqüências ambientais e sobre a oferta da energia elétrica no Brasil.
Outro aspecto envolvido é que, em alguns produtos com características bivolt, não seria possível obter eficiência energética nas duas voltagens, o que poderia prejudicar também as exportações do setor eletroeletrônico, pois os produtos brasileiros não apresentariam condições idênticas aos utilizados no resto do mundo e também seriam onerados, perdendo competitividade.
Diante dessas considerações sobre a obrigatoriedade da bi-voltagem, a Eletros já enviou vários ofícios aos relatores do projeto de lei alertando para a inviabilidade de sua aplicação compulsória no setor eletroeletrônico. Na avaliação dos associados da Eletros, estabelecer por lei uma obrigação nesse sentido seria não só prejudicial ao parque industrial brasileiro, como também ao consumidor, pelos altos custos envolvidos, visto que esse custo teria que ser repassado aos preços finais, completa o presidente da Eletros.
Fonte: Eletros
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