 Chegou na segunda-feira às lojas de todo o País o DVD Maria Rita. Duas horas de música, entrevistas, making of, informação sobre os músicos que acompanham a cantora que estreou superando marcas e expectativas. Ela faz shows no fim do mês em São Paulo. Os ingressos estão esgotados desde o dia, na semana passada, em que foram postos à venda.
O CD Maria Rita, em três meses, bateu a casa de 350 mil exemplares vendidos. O DVD já sai com50 mil cópias, número incomum. Há, por trás de tudo, muito bem-estruturada estratégia de marketing. Há, acima de tudo, o inegável fascínio que a cantora exerce sobre quem a vê e ouve. Não apenas pela curiosidade natural que desperta ? ela é filha de Elis Regina e em muitos gestos, caretas, timbre vocal, lembra a mãe. Mas é uma estrela de brilho próprio. Nenhum marqueteiro consegue fabricar o dom mágico. O DVD é lançamento da Warner Music, que sugere o preço ao consumidor de R$ 40,00. O comprador deve pesquisar com cuidado. Vai encontrar por muito menos do que isso, e por muito mais. Há sites que fazem o trabalho de comparação.O www.jacotei.com.br, por exemplo. Lá, vê-se que o disco de Maria Rita pode custar entre R$21,90 (Submarino) e R$ 33, 15 (Siciliano).
O texto que apresenta o DVD diz que, se você assistiu ao show, é um bis. Se não assistiu, é um ingresso. Mais ou menos. Não é exatamente o show que foi apresentado no DirecTV Music Hall e no Canecão, no Rio, e que agora excursiona pelo Sul. É espetáculo gravado especialmente para o DVD, com platéia escolhida, em palco pequeno, e com mais gente em cena. Nas apresentações nas duas casas, Maria Rita estava acompanhada por Tiago Costa (piano e co-direção musical, dividida com a estrela), Silvinho Mazzuca (contrabaixo), Marco da Costa (bateria) e Da Lua (percussão). No DVD, acresce-se a participação de Marcus Teixeira (violão). E o palco é menor, platéia menor, embora o espetáculo montado para a gravação tenha sido direto ? como um show feito para o público normal das casas de show. "Como a minha história começou em casas pequenas, e eu não me sentiria bem, num início de temporada, em gravar o DVD num espaço maior, quis registrar aquele momento mais intimista, até para me manter fiel ao meu início", diz a cantora.
O local escolhido foi o Bourbon Street, em São Paulo, e a gravação foi feita em 11 de agosto, com seis câmaras ? em filme. A ordem do repertório também muda: "No meio da gravação, achei que tinha um bloco muito forte, e outro meio caído, de números mais lentos, e decidi, com os diretores, reorganizar o roteiro", conta. Os diretores são Homero Olivetto (que não é filho do Washington, mas da mulher dele), e Marcus Vinicius Baldini.
A direção de fotografia é de Ralph Strelow e a de arte, de Adriana Faria. Importam tantos nomes de técnicos? Em alguns casos, como neste, sim. A fotografia é excelente, e ótima a edição. Tudo privilegia a intérprete. Sem malabarismos, sem truques, sem câmaras lentas. Nenhuma pirotecnia de iluminação, só ela. As imagens trazem pra frente o pé descalço que marca o ritmo, o riso desabrido, o sorriso maroto, as mãos expressivas. Acompanhamos o jogo do corpo, a compenetração de quem canta não só pela garganta, mas com cada víscera e músculo.São 14 números musicais, os mesmos do CD, de regravações (Pagu, de Rita Lee e Zélia Duncan) a novidades (Menina da Lua, de Renato Motha), mas duas canções no capítulo "extras" ? o bolero Dos Gardenias, de Isolina Carillo, e a toada Vero, de Natan Marques e Murilo Antunes.
Nem todas as cantoras são boas no disco, no palco, na TV. Maria Rita é. Seu brilho vai além dos limites do suporte. E ela, acha que está melhor onde? "Sou muito chata comigo. Não penso que poderia ser melhor aqui, ou me digo, ah, que menina boba, mas me chamou a atenção a diferença de imagem no palco e nas entrevistas. Não que a minha timidez desapareça completamente no palco, mas nas entrevistas é muito mais evidente" ? sim, ela é tímida. "Só que no palco eu me sinto tão bem, tão livre, me vêm tantos momentos tão intensos de felicidade que..." Que ela até se surpreende quando percebe que o público está sentindo o que ela sente, quando canta. "Não, isso não é piegas, não é falsa modéstia. Quando estou em cena fico tão concentrada que eu me espanto ao reparar que a platéia percebeu o que eu queria dizer. Na verdade, eu não entendo isso.
E, no fim, não quero entender, acho que não é para entender. Se entendesse, talvez perdesse o encanto." Pois o grande barato do DVD é que essa capacidade de tocar o ouvinte/espectador cruza a tela e nos pega pela alma.
Fonte: O Estado de São Paulo
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