
Você é um internauta do tipo heavy user, daquele que não passa um dia sem acessar a Rede? Mais do que isso: você é incapaz de viver sem checar seus e-mails, só monitora sua conta bancária via Web e participa de pelo menos cinco comunidades no Orkut? Então, fique atento: segundo especialistas, você é uma vítima em potencial para criminosos virtuais. Para ajudá-lo a se proteger de crimes pela Internet, preparamos uma matéria com dicas sobre como agir, caso você sofra um golpe virtual.
A professora Giselle Fonseca foi vítima de crime eletrônico. Cliente do Unibanco, ao verificar sua conta corrente pela Internet, Giselle constatou um rombo de R$ 4,6 mil. Segundo ela, o valor foi transferido por meio de DOCs e recargas de créditos pré-pagos para um número de celular da Claro em São Paulo. De acordo com o atendimento telefônico do banco, a fraude aconteceu pela Web. "Não sei como pode ter sido pela Internet, se as duas senhas de acesso são digitadas no teclado virtual. Acredito que meu cartão de débito e crédito foi clonado", opina.
Assim que verificou o problema, a professora entrou em contato com o Unibanco e foi orientada a bloquear e cancelar seu cartão, além de trocar a senha de acesso ao Internet banking. O banco estabeleceu um prazo de cinco dias úteis para analisar as movimentações e entrar em contato com a professora. "Na mesma agência, um gerente me informou que era necessário fazer o boletim de ocorrência e outro disse que não era preciso. Optei por não fazer e aguardar o prazo solicitado pelo banco", diz Giselle. Procurada pelo WNews, a assessoria de imprensa do Unibanco disse não estar autorizada a falar sobre o caso com outra pessoa que não seja a cliente. Até a publicação desta matéria, Giselle não havia recebido nenhum retorno do banco.
Caso de polícia
O Brasil tem poucas DPs (Delegacias de Polícia) especializadas em crimes eletrônicos, mas qualquer delegacia a é obrigada a atender os casos, nem que seja para encaminhá-los a postos especializados posteriormente. O WNews entrou em contato com três delas: DIG-DEIC ? 4ª Delegacia de Repressão a Crimes de Informática de São Paulo (SP), DERCIFE (Delegacia Especializada de Repressão a Crimes contra Informática e Fraudes Eletrônicas), em Belo Horizonte (MG) e DRCI ? Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, no Rio de Janeiro (RJ). As cidades de Porto Alegre (RS), Brasília (DF), Curitiba (PR) e Vitória (ES) não têm delegacias exclusivas para crimes eletrônicos, mas contam com departamentos e núcleos de informática que auxiliam as delegacias comuns nas investigações desses delitos.
O delegado de polícia assistente da DIG-DEIC, Antônio Augusto Rodrigues, explica que qualquer delito cometido na Web pode ser encaixado no Código Penal. ?Não existe uma legislação específica, mas isso não impede o desenvolvimento do trabalho da polícia. Cometer um crime na Internet é como cometer em qualquer outro lugar, aliás, é pior, porque na Web o criminosos sempre deixa rastros?, alerta o delegado. Rodrigues ensina que a denúncia varia de acordo com o tipo de crime sofrido. ?Nos casos de delitos contra a honra, calúnia, difamação e injúria, recordistas de ocorrência em São Paulo, a vítima deve imprimir as páginas ou e-mails onde foram publicadas as ofensas para servirem como provas na abertura do inquérito?, orienta.
B.O.
Um passo importante é registrar o B.O. (Boletim de Ocorrência). ?Dependendo da quantidade de informações, é possível entrar direto com o processo judicial?, informa o delegado. O mesmo procedimento é válido para atos de pedofilia, que também podem ser denunciados por telefone ou pela Web, nos sites da polícia. No caso dos crimes contra o patrimônio (estelionato, roubo de senha bancárias etc), campeões de ocorrência em Minas Gerais, Antônio Augusto Rodrigues revela que o primeiro passo é avisar a instituição bancária. ?A vitima deve entrar em contato com o banco imediatamente para que medidas como mudança de senha, cancelamento de cartão ou bloqueio de conta sejam tomadas?.
O delegado acrescenta que o cliente deve exigir do próprio banco uma auditoria para apurar os fatos e que geralmente as instituições concordam em ressarcir o prejuízo . O banco Itaú, por exemplo, segundo informações de sua assessoria de imprensa, tem como norma o reembolso imediato, depois que o correntista faz a denúncia. "Geralmente as instituições bancárias reembolsam os correntistas antes da resolução do inquérito", revela Rodrigues. Depois de registrada a ocorrência, tanto junto à polícia quanto junto ao banco, o cliente deve aguardar e acompanhar a apuração do inquérito.
Como recurso de alerta ao cliente, o Banco Real oferece um serviço gratuito de envio de SMS que informa ao correntista toda vez que sua conta passa por movimentações. O cliente deve solicitar o serviço via home banking e estabelecer parâmetros como, por exemplo, o limite de saques. O Unibanco não informou sobre a existência do recurso entre seus serviços e o Itaú disse não trabalhar com SMS. O Banco Real não soube informar sobre o prazo do reembolso em caso de crimes pela Web, assim como o Unibanco.
Dicas para se proteger
? Evite abrir e-mails de remetentes desconhecidos;
? Evite abrir e-mails enviados em nome de órgãos como bancos, Receita Federal, TRE, DETRAN e SERASA. Geralmente essas instituições não enviam e-mails, a não ser que você solicite;
? Crie senhas aleatórias, mesclando letras e números;
? Evite senhas com associações pessoais, como datas comemorativas e nomes de animais de estimação;
? Não forneça dados pessoais a estranhos em chats ou bate-papos online. Os criminosos são capazes de desvendar senhas com apenas algumas informações pessoais;
? Atualize sempre seu antivírus;
? Nunca forneça número de cartão, conta bancária ou senha por e-mail.
Contatos das delegacias
DIG-DEIC ? 4ª Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática de São Paulo (SP)
Delegacia especializada em crimes eletrônicos. Presta atendimento presencial, por telefone e via Web.
Endereço: Av. Zack Narchi, 152, Carandiru ? São Paulo (SP)
Fone: (11) 6221 - 7011 ou 6221 - 7030
e-mail: 4dp.dig.deic@policiacivil.sp.gov.br
DRCI ? Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, Rio de Janeiro (RJ)
Delegacia especializada em crimes eletrônicos. Presta atendimento presencial, por telefone e via Web.
Endereço: Rua Clementino Fraga, 77 - Cidade Nova - Rio de Janeiro (RJ)
Fone: (21) 3399 ? 3201/ 3399 - 3202
DERCIFE (Delegacia Especializada de Repressão a Crimes contra Informática e Fraudes Eletrônicas), Belo Horizonte (MG)
Delegacia especializada em crimes eletrônicos. Presta atendimento presencial e por telefone.
Endereço: Av. Antônio Carlos, 901, Lagoinha ? Belo Horizonte (MG)
Fone: (21) 3399 ? 3201/ 3399 - 3202
Polícia Civil do Paraná
Possui divisão de informática que auxilia na investigação de crimes eletrônicos. Atende a todo o estado.
Endereço: Rua José Loureiro 540, Centro ? Curitiba (PR)
Fone: (41) 3883-8100.
e-mail: cibercrimes@pc.pr.gov.br
Delegacia de Defrações, Porto Alegre (RS)
Qualquer delegacia de Porto Alegre está habilitada a receber queixas de crimes eletrônicos e dar andamento ao inquérito.
Delegacia Especial de Repressão a Crimes Eletrônicos, Brasília (DF)
Delegacia especializada em crimes eletrônicos.
Endereço: Setor Áreas Isoladas Sudoeste, Bloco D ? Brasília (DF).
Fone: (61) 3362 ? 5898/3361 ? 9589
NURECCEL - Núcleo de Repressão Contra Crimes Eletrônicos, Vitória (ES)
Hot Line
Canal de denúncias para casos de pedofilia.
Se sua cidade tem uma delegacia especializada em crimes eletrônicos entre em contato conosco pelo e-mail pauta@wnews.com.br.