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Games criam nova profissão no Brasil
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Atualizado em 24/09/2008

A produção de jogos eletrônicos tornou-se brincadeira de gente grande. Atualmente é uma das indústrias de entretenimento que mais crescem no mundo, chegando a movimentar mais de US$ 30 bilhões ao ano. Só os EUA faturaram US$ 18 bilhões em 2007, segundo o NPD Group. No Brasil, esse segmento está em ascensão e abre oportunidade para uma nova profissão: os especialistas em games com habilidade desenvolver programas principalmente para plataformas móveis com a chegada da telefonia 3G.

Juntamente com o crescimento desse mercado estão surgindo cursos de graduação e especialização na área. A universidade Anhembi Morumbi foi a pioneira no Brasil a oferecer em 2003 um curso superior de quatro anos para formação de profissionais em Design e Planejamento de Games. Há outras instituições com programas de graduação em jogos eletrônicos, mas boa parte são cursos que duram de dois anos e meio a três anos. Existem também as pós-graduações.

?Estamos fechando uma parceria com uma universidade inglesa para oferecer essa formação a partir do próximo ano?, anuncia Túlio Marin, coordenador dos cursos de pós-graduação em TI da FAAP.

Mercado brasileiro

Segundo a Abragames (Associação Brasileira de Desenvolvimento de Jogos Eletrônicos), o Brasil tem cerca de 40 empresas especializadas em games. A maioria ainda é de pequeno porte e nasceu em incubadoras criadas por apaixonados por jogos. São empreendedores que cresceram com videogame e decidiram tornar diversão em negócio. 

Entretanto, esse mercado ainda é muito prejudicado pelas vendas ilegais de games para PC e consoles. ?Quase 100% do que o Brasil consome nessa área é pirateado e isso emperra muito o setor?, diz o presidente da Abragames, André Penha, que também é sócio-diretor da Tectoy Digital, o braço de games da fabricante brasileira de brinquedos. 

Sem condições de competir com o comércio paralelo, as produtoras nacionais canalizaram energias para outros nichos. Um deles é o de exportação. Penha conta que no caso da Tectoy Digital, cerca de 65% da produção são para atender encomendas de distribuidores e publicadores da Europa, Ásia e Estados Unidos. O executivo explica que muitas vezes as empresas brasileiras participam da produção de uma parte do jogo, como, por exemplo, da modelagem em 3D e do desenvolvimento de códigos.

Onde estão as oportunidades   

Para atender o consumo doméstico, o presidente da Abragames informa que os mercados mais quentes são o desenvolvimento de games online, de jogos para educação, treinamento e para dispositivos móveis. Oi, Claro, TIM e Telemig Celular são compradoras dessa produção nacional. A telefonia 3G, que tem grande apelo para venda de dados, deverá abrir mais espaço para oferta desse serviço.

?O mercado de jogos eletrônicos está em ascensão e explorando novos nichos no Brasil. Um deles é o da publicidade, chamado de advergames?, prevê Sérgio Nesteriuk, professor dos cursos de graduação de games da PUC-SP e Universidade Anhembi Morumbi.

Nesteriuk dá exemplos de campanhas que podem incluir, além do comercial que passa na TV, um game que remete consumidores para um site. ?É um meio de publicidade menos agressiva por atrair o consumidor espontaneamente?, afirma o professor, que acredita que muitas empresas vão aderir ao advergames para reforçar suas marcas.

Ele também prevê maior exploração de jogos digitais pela medicina no uso de trabalhos com portadores de deficiência e no entretenimento para a terceira idade. ?Os games estarão cada vez mais presentes na vida das pessoas não só em consoles como também nas empresas?, acredita.

Capacitação profissional 

Por ser um segmento novo no Brasil, as empresas têm muita dificuldade para encontrar talentos prontos para essa indústria. Penha, da Abragames e da Tectoy Digital, afirma que os cursos ainda são incipientes, pois surgiram há pouco mais de quatro anos e os primeiros talentos estão chegando praticamente agora ao mercado de trabalho.

Mesmo assim, de acordo com executivo, poucos saem com capacitação em áreas específicas para atender a demanda das produtoras. ?É um mercado que precisa não apenas de desenvolvedores, mas de gente para fazer parte de toda a cadeia que envolve criação artística, produção e teste de qualidade?, analisa.

A Tectoy Digital, por exemplo, tem uma equipe de 20 profissionais de games - número que vai dobrar este ano. Está em busca de especialistas e, como fica em Campinas, costuma pescar talentos na Unicamp (Universidade de Campinas) para treiná-los em casa. A empresa prefere universitários com domínio do inglês que são selecionados não apenas nas faculdades de TI, mas também em escolas de artes e de comunicação.

Mito da profissão

Alguns jovens apaixonados por games buscam uma faculdade de jogos eletrônicos por acharem a profissão glamourosa. ?Muitos têm a ilusão de que as aulas são só jogos e depois se decepcionam, quando descobrem as matérias teóricas. Eles terão de estudar matemática, física e outras disciplinas", avisa Marin, da FAAP.

Roger Tavares, professor do curso de pós-graduação Desenvolvimento de Games ministrado pelo Senac-SP, observa que muitos alunos chegam no primeiro dia querendo desenvolver jogos como o clássico Mario Bros, criado em 1983 para consoles de videogame Nintendo. ?Mostramos que podemos fazer nossas produções, sem a pretensão de concorrer com Hollywood?, conta.

Outro mito é o do programador que acha que desenvolver games é tarefa fácil. Tavares avisa que esse é um trabalho difícil, pois exige muita interatividade para prender a atenção do usuário. É preciso conhecer assuntos como psicologia e ergonomia para que a disputa dos jogos seja divertida.

O profissional deve ter habilidade para trabalhar em equipe. Um jogo pode ser criado por uma equipe de 20 pessoas, incluindo artistas, roteiristas, músicos, desenvolvedores e designers, entre outros. Veja a seguir instituições que oferecem cursos de graduação e pós em jogos digitais no Brasil:

FMU - Faculdades Metropolitanas de São Paulo  Desenvolvimento de Jogos Digitais (graduação) ? Infórium - Faculdade de Tecnologia ? Belo Horizonte ? MG Jogos Eletrônicos (graduação)  ? PUC-SP - São Paulo - SP Tecnologia em Jogos Digitais (graduação) Simuladores de Jogos Digitais (pós-graduação) ? Senac  - São Paulo - SP Design - Habilitação em Interface Digital (graduação) Games - Produção e Programação (pós-graduação) ? Universidade Anhembi-Morumbi ? São Paulo - SP Design e Planejamento de Games (graduação) ? Unisinos - Universidade do Vale dos Sinos ? São Leopoldo- RS   Jogos e Entretenimento Digital (graduação) ? Unicsul - Universidade Cruzeiro do Sul ? São Paulo - SP Tecnologia em Jogos Digitais (graduação)

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Palavras-chave: Games | Criam | Nova | Profissao | No
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