
O governo brasileiro solicitou uma doação de 1 mil laptops de baixo custo voltados para estudantes para a fabricante Intel. ?Estamos aguardando a decisão da Intel sobre a doação, que será anunciada no próximo dia 05/12?, informou Espataco Madureira, Diretor do Departamento de Infra-estrutura Tecnológica em Educação a Distância do MEC. Segundo ele, os laptops da Intel, chamados de Class Mate PC,, integrarão o piloto do projeto UCA (Um Computador por Aluno) que deverá ter início no inicio do ano letivo de 2007.
?O Class Mate deverá ser avaliado durante a fase de testes nas escolas escolhidas, assim como o XO (batizado de laptop de US$ 100), da OLPC (One Laptop Per Child), do pesquisador Nicholas Negroponte?, completa Madureira. Além disso, o Brasil receberá um lote de mais 50 computadores portáteis da Aver Midia, que produz o Mobillis, também voltado para estudantes de países em desenvolvimento.
Primeiras unidades do XO chegam em dezembro
A primeira remessa de 50 dispositivos XO doados pela OLPC deveria chegar ao Brasil no dia 15/11, mas a data foi adiada para 15/12. ?Metade dessas primeiras unidades serão distribuídas para centros de pesquisa que testarão as características de software, hardware e educacionais do computador. O restante será encaminhado para RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa), que testará a capacidade de conectividade do dispositivo?, explica.
Entre as entidades que receberão o laptop estão LSI (Laboratório de Sistemas Integrados) da USP (Universidade de São Paulo), o Cempra (Centro de Pesquisas Renato Archer) de Campinas (SP) e o CERTI (Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras) de Florianópolis (SC). Depois de avaliado pelos centros de pesquisa, o laptop de baixo custo deverá chegar às escolas da rede pública do Brasil. ?A idéia é escolher cinco escolas representantes de cada uma das cinco regiões do País?, acrescenta Madureira.
Nesta fase, prevista para começar no início do ano letivo de 2007, será avaliado o uso da tecnologia nas escolas, tanto pelos alunos quanto pelos professores. ?Isso pressupõe que o corpo docente passará por treinamento para que ter o conhecimento necessário e desenvolver um projeto didático-pedagógico de uso da tecnologia no processo educacional?, ressalta. ?Até julho de 2007 já devemos ter algum resultado dessa avaliação?, acredita.
Mas custará US$ 100 mesmo?
Apesar de batizado de laptop de US 100, o XO deverá custar mais que isso. ?A designação de laptop de US$ 100 é uma meta a ser atingida. Não existe um dispositivo com esse custo no mercado?, esclarece o diretor do MEC. ?Negroponte avaliou o XO deve sair de fábrica na China com um custo de aproximadamente US$ 145 dólares, contando com uma produção mínima de 10 milhões de unidades?, prevê Madureira.
A idéia é que os paises em desenvolvimento estabeleçam um consórcio para adquirir o dispositivo em larga escala. ?O objetivo é US$ 100, mas depende da escala de produção. Se os paises não comprarem custará bem mais?, antecipa José Luiz de Aquino, Assessor da Presidência da República.
Uma rede educacional conectada
?Atualmente, há no mundo pelo menos 4,5 bilhões de pessoas que não têm acesso à Tecnologia da Informação?, destaca Rodrigo Mesquita, da RadiumSystems, Pesquisador Auxiliar do projeto da OLCP. Para ele, o objetivo do projeto UCA é levar inclusão digital a essas crianças. ?Só no Brasil são 55 milhões de alunos da rede pública de ensino?.
A idéia, segundo Mesquita, é desenvolver uma máquina que se comporte como um ponto de acesso à informação e converse com outras maquinas, como um ponto de transmissão e recepção em rede. ?Esse é um conceito de comunicação contribuído que funciona independentemente de backbone, rede principal que permite o acesso à Internet comercial?, explica o pesquisador. ?Os laptops estariam conectados a uma rede educacional fechada, controlada pelos educadores e conectada à Internet convencional por meio do servidor da escola?, antecipa Mesquita. "O servidor é que conectará a escola a outras instituições do mundo e a toda Rede mundial de computadores", explica. A idéia de não conectar, segundo o pesquisador, é manter os alunos conectados a uma rede WiMesh, alimentada com conteúdos educacionas como bibliotecas virtuais.
Desafios do projeto
Para Madureira, do MEC, a conexão à Internet é um dos grandes desafios do Governo nessa iniciativa. ?A dificuldade é montar uma infra-estrutura de rede para permitir o acesso à informação, que é a grande vantagem do projeto?, avalia. Além disso, ressalta o diretor, o uso de qualquer tipo de tecnologia gera um impacto no processo pedagógico, exigindo treinamento de docentes. ?É preciso capacitar previamente os professores das 160 mil escolas públicas do Brasil nas novas tecnologias nas serem usadas?.
Outro passo importante é garantir a transferência tecnológica, para que seja possível fabricar no Brasil dispositivos computacionais de baixo custo. ?No dia 08/11 o governo colocou essa proposta para os outros países da América Latina no sentido de integrar esforços para iniciar uma produção local desses dispositivos, mas esse já é um próximo passo?, finaliza Madureira.