
Negociações frequentes com missões estrangeiras interessadas no mercado de TV digital no Brasil, estimado pelo governo em US$ 10 bilhões, ainda não resultaram em compromissos de investimentos, segundo o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Benjamin Sicsú.
O governo espera para as próximas semanas a visita de uma missão japonesa depois de ter recebido recentemente representantes do governo norte-americano e da União Européia. Tecnologias desenvolvidas nessas três regiões estão na disputa pelo mercado local, estimado em 40 a 50 milhões de aparelhos de TV.
Ninguém trouxe propostas, apenas intenções, afirmou Sicsú depois de ter participado do congresso da Telexpo, feira de telecomunicações que acontece até sexta-feira em São Paulo. Tudo tem que ser detalhado e valorado, acrescentou.
O processo de escolha de um padrão tecnológico para a TV digital no país se arrasta há mais de um ano. Embora a decisão caiba à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), outras instâncias do governo federal acabaram envolvidas porque o tema passou a ser tratado como uma questão de política comercial brasileira.
O Ministério do Desenvolvimento está extremamente atento à questão da TV digital porque essa é uma decisão, mais do que de política industrial, de política de negócios, disse Sicsú durante palestra no Expo Center Norte. Para o Brasil, os detentores das tecnologias ?européia (DVB), norte-americana (ATSC) e japonesa (ISDB)? terão que se comprometer por escrito com contrapartidas.
Sicsú listou como exemplos de contrapartidas a garantia de produção de equipamentos para exportação e o domínio da tecnologia e atualização por período extenso.
Outras decisões não tiveram essa visão global, como a do GSM (padrão de telefonia celular que começa a ser introduzido no Brasil), e o volume de investimentos foi menor do que se esperava, lamentou Sicsú. A gente negociou mal, sem vincular decisões a instrumentos que garantissem isso, declarou à platéia.
Se a decisão de abrir o mercado local de telefonia celular ao padrão europeu GSM (Global System for Mobile Communications) já havia mobilizado interesses da União Européia em 2000, desta vez, com a negociação prolongada em torno da TV digital, as missões têm sido mais freqüentes.
Há cerca de duas semanas uma comissão de 13 representantes do governo dos Estados Unidos esteve no país. Ao final da visita, acenaram com a possibilidade de o Brasil ser um dos fornecedores de aparelhos de TV para o mercado norte-americano de 250 milhões de unidades, todas importadas.
A escolha da Anatel por um padrão de TV digital foi postergada diversas vezes e agora está prevista para meados do ano. O órgão regulador contratou estudos e participou de discussões públicas sobre o tema no último ano.
Embora o vice-presidente da Anatel, Antonio Carlos Valente, tenha afirmado na abertura da Telexpo que essa é uma das prioridades da agência, Sicsú disse que falta ainda definir uma política para a área.
Fonte: Reuters
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