
Estudar geografia e outras matérias ficou mais fácil e divertido com o uso de GPS (Sistema Global de Posicionamento). Essa é uma das novas tecnologias que estão sendo adotadas por escolas particulares para reforçar o ensino com exemplos práticos, levando os alunos para pesquisas em campo. A novidade tem agradado não só a garotada sedenta por tecnologia, mas também aos professores. Eles dizem que a ferramenta contribui para melhorar o aprendizado e pode ter reflexo no boletim escolar.
O uso de GPS foi uma das novidades apresentadas na volta às aulas aos alunos do Ensino Fundamental e Médio do Colégio São Luís, localizado em São Paulo. A escola adquiriu a tecnologia para auxiliar os estudantes nas disciplinas de geografia, matemática, biologia, ciências e em outras áreas onde a ferramenta pode ser aplicada.
Fábio Brandão, professor de geografia e coordenador do projeto do Colégio São Luis, conta que a idéia de usar GPS como ferramenta didática surgiu depois de constatar que os alunos tinham dificuldade para fixar alguns temas das aulas, como conceitos de longitude e latitude.
O professor percebeu que muitos alunos já conheciam a tecnologia de GPS e que ela seria uma forte aliada em sala de aula. ?Alguns até disseram que seus pais já adotam esse sistema no carro para se localizar por onde passam, mas eles não sabiam que podiam usá-lo na escola?, diz Brandão.
A tecnologia vai enriquecer as aulas de geografia das 5ª séries quando os alunos estiverem aprendendo sobre coordenadas geográficas. Eles usarão os equipamentos para localizar pessoas e objetos dentro do colégio. Está previsto também um passeio dos estudantes para Brotas, no interior de São Paulo, com caminhada guiada por GPS.
Durante uma trilha pela cidade de Brotas, eles poderão medir altitude, latitude e longitude, e relacionar estas coordenadas ao clima e vegetação do local. ?O estudo ?in loco? traz mais motivação e estimula o raciocínio?, diz Brandão, que acredita que esse método pode refletir em boas notas.
Já os alunos do 1º ano do Ensino Médio irão utilizar o GPS nas aulas de matemática, especificamente nas de geometria, tendo como base as figuras planas formadas pelo aparelho conectado com os satélites. Eles se apoiarão ainda na tecnologia para estudar e climatologia na Estação de Metereologia da escola.
O Colégio São Luiz comprou quatro equipamentos, sendo que cada um será usado por grupos de sete a oito alunos. Para que os aparelhos possam ser transportados pelos estudantes sem sofrer danos, a marcenaria da escola confeccionou um estojo de madeira, que também comporta as pilhas.
Colégio Progressão
O uso de GPS para enriquecer as aulas de geografia vem sendo adotado no Colégio Progressão, localizado na cidade de Taubaté (SP), desde 2004. A iniciativa partiu da pedagoga Karla Chequetto, que dá essa disciplina para as turmas da 5ª série do Ensino Fundamental na escola.
A própria Karla adquiriu o aparelho por considerar que a ferramenta era importante para apoiá-la nas aulas sobre elementos geográficos que dão condições para localizar qualquer ponto sobre a superfície terrestre, como latitude, longitude e pontos cardeais.
Durante suas aulas, Karla ensina os estudantes a construírem uma bússola caseira com rolha e agulha e mostra a evolução dessa invenção até a chegada do GPS que faz a localização por meio de satélite.
Karla diz que os alunos conseguem fixar melhor o conteúdo com o uso do GPS e gostam muito das aulas. Tanto que no ano passado, quando o avião da Gol caiu no norte do Mato Grosso matando mais de 150 pessoas, os alunos usaram o aparelho para tentar descobrir os motivos do acidente, calculando a latitude e longitude.
?O GPS é uma ferramenta pedagógica que ajuda no aprendizado e tem muita conexão com o mundo dos alunos, que já conhecem essa tecnologia ou já ouviram falar?, diz a professora.