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Grokster e o futuro financeiro da América
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Atualizado em 07/08/2008



Eu lembro de estar bem nervoso na época da faculdade.

Havia muita discussão séria sobre os EUA perderem seu posto como a nação mais poderosa do mundo. Havia reféns americanos no Irã. Havia um boicote olímpico. O mercado de ações japonês estava explodindo e não demoraria muito para a nossa economia cair para o segundo lugar. A indústria automobilística norte-americana estava sob o ataque de importados e a inflação batia recordes.



Na Universidade de Indiana, nosso jornal trazia manchetes a respeito do Estado. Eu sabia que a Anderson Inc. tinha uma taxa de desemprego de mais de 20%. Números que as pessoas sugeriam que refletiam os níveis da grande depressão. Outras cidades estavam ruins nos mesmos níveis. Diante deste quadro, os estudantes não estavam exatamente otimistas. Como eu me preparava para a formatura, conseguir uma entrevista de emprego era uma batalha. Felizmente enquanto nossa economia de manufatura levava no queixo, outras trabalhavam até tarde como nos laboratórios da Xerox ou nas garagens do vale do silício, Seattle e Novo México. A indústria da computação pessoal estava prestes a explodir.



A história da computação e, em particular, a revolução dos microprocessadores é bem documentada. O que pode não ter sido tão bem compreendido, e esta é puramente uma opinião minha, é o papel que ela teve na revitalização de nossa economia e em como nós nos sentimos a nosso próprio respeito.



Em apenas cinco anos, garotos recém-formados estavam não mais se preocupando se eles poderiam conseguir empregos mas se eles se posicionariam na liderança de uma nova geração de computação pessoal. Quando eu me formei, eu tive apenas uma aula de computação que me habilitou a ser um programador em Fortran, capaz de alimentar com cartões perfurados computadores enormes que eu nunca havia visto. O número de empregos disponíveis na área de tecnologia antes estava limitado aos ?cientistas da computação?. Parece que isso mudou com uma batida de coração.



A turma de 85 estava vibrando com cada lançamento de um novo computador, novos programas e aplicações dos quais seus irmãos mais velhos não faziam a menor idéia. Se você soubesse como usar uma planilha, poderia conseguir um emprego. Se você conseguisse escrever arquivos batch em DOS, conseguiria um emprego. Se você pudesse montar redes locais, usar programas multitarefa ou programar bancos de dados relacionais, poderia escolher o emprego que quisesse.



O PC revolucionou o mercado de trabalho para os formandos e, mais importante, o negócio nos negócios. A computação pessoal introduziu uma nova era de produtividade e os EUA estavam na liderança dessa revolução. Estávamos de volta ao topo.



E isso não parou nos PCs. Novos programas eram criados para servir a funções inimagináveis. Os PCS era conectados a redes locais e até mundiais. As impressoras saíram de máquinas de datilografar modificadas para o laser e as comunicações saltaram da era do modem para a banda larga. Serviços online expandiram de milhares para milhões de usuários e isso foi ante da Internet e da America Online. Fomos da lei de Moore à lei de Metcalf.



Esta revolução tecnológica foi e tem sido incrível por duas razões.



A primeira é que a tecnologia tem continuado a evoluir até hoje. Nós podemos estar em um ponto em que eu não estaria surpreso em ler sobre novas tecnologias, mas empreendedores continuam a gerar novas idéias que levam a novos produtos e serviços. A tecnologia continua a gerar impactos significantes na economia dos Eua e criam empregos.



A segunda é que o Governo ficou fora do caminho pelo tempo que ficou. Ninguém sabe ao certo o porquê, mas nossos representantes eleitos deixaram os mercados livres. Até agora.



As coisas começaram a ficar um pouco agitadas em 1998.



Em outubro daquele ano, o Digital Millenium Copyright Act foi aprovado. O DMCA era uma lei que estabeleceu um precedente grave: o Governo faria o que fosse necessário para proteger os interesses dos donos do conteúdo, nem que fosse às custas do desenvolvimento tecnológico.



O DMCA sozinho não chegou a matar nenhuma inovação tecnológica. Naquele momento, pareceria mais um aborrecimento do que qualquer outra coisa. O conteúdo digital não era tão presente e certamente não havia muito dinheiro investido nesses meios, então não haviam tantas pessoas preocupadas com o dinheiro aplicado em sistemas que garantiriam que a sua rádio pela Internet nunca tocaria mais do que três músicas em seguida do mesmo artista. Ou que seria ilegal ter uma rádio tocando Beatles 24 horas por dia (ou qualquer outro artista) station.



Em 1998, poucas pessoas estavam comprando DVDs. Era fácil comprar uma fita VHS e fazer uma segunda cópia para seu uso. O DMCA raramente afetou os lares de muitos de nós.



Em 2005, é um jogo completamente diferente.



Sabe aqueles DVDs que você tem que estão riscados? Não seria ótimo poder fazer cópias deles, sabendo que as crianças vão colocar as mãos sobre eles e arruiná-los em algum momento? Mas você não pode. É ilegal fazer software que permita a você fazer cópias de backup. Você pagou um bocado por seus DVDs. A indústria do cinema faturou bilhões e bilhões com os DVDs. Muitos filmes rendem mais a partir dos DVDs do que faturam nos cinemas. Eles conseguem seu dinheiro suado e tornam ilegal a você fazer uma cópia pessoal desse disco caso ele seja arranhado. Isto está errado.



É a lei das conseqüências imprevistas. Poucas pessoas sabiam que os DVDs substutuiriam o VHS em nossos lares. Poucas pessoas tinham qualquer idéia de que os DVDs ficariam riscados e seriam inúteis com regularidade. Ninguém tinha idéia de que tentar fazer uma cópia de segurança desse DVD seria ilegal. Era perfeitamente legal fazer iss com cópias em VHS.



A lei das conseqüências imprevistas nunca é revista. Ela dura para sempre. Neste mês, há um caso em julgamento na Suprema Corte dos Estados Unidos: MGM versus Grokster. Se este caso for na direção errada, a lei das conseqüências imprevistas pode nos afetar no futuro.



O caso é sobre se as redes ponto a ponto (conhecidas também como Peer to Peer ou simplesmente P2P), ou softwares que permitem a existência dessas redes sobre as quais muitos de nós lêem a respeito e poucos usam, deveriam ser ilegais ou não. As grandes empresas de entretenimento estão usando o argumento de porque alguns de seus conteúdos são roubados pelo uso desses aplicativos, todos os usos destes aplicativos deveriam ser ilegais.



Eles não estão argumentando de que não existam razões legítimas para usar o software. Eles percebem que negócios e pessoas estão usado essa tecnologia para propósitos outros que não o impacto em seus negócios de música ou filmes. Eles só se sentem dessa forma porque há um impacto em seus negócios (eles ainda não sabem se é um impacto positivo ou negativo), de uma forma que eles não podem controlar, então é melhor tornar essa tecnologia ilegal do que adaptar seu modelo de negócio a essa nova tecnologia.



Na realidade, este caso não é sobre se a música ou filmes são ilegais se baixados por softwares P2P. Isso é apenas uma disputa pelo controle. A indústria do entretenimento quer o controle sobre a tecnologia que pode ter um impacto em seus negócios. A tecnologia avançou e foi mais longe do que qualquer um de nós poderia imaginar nos últimos 20 anos. Volte atrás apenas 15 anos e mesmo os melhores futurólogos ficariam espantados com o número de usuários de telefones celulares, e-mail ou de consumidores que tivessem DVD players ou gasto tanto tempo online quanto gastamos assistindo TV, possuindo players de MP3 ou mesmo trocado nossas câmeras com filme por dispositivos digitais.



Os próximos 15 anos terão igualmente um lote de novidades que não podemos sequer imaginar atualmente.



E se todas elas se tornarem ilegais?



Nós estamos vivendo em um mundo em que a informação está se tornando 100% digital. De toda a informação digital que está sendo criada e trocada ao redor do globo, qual o percentual de música e filmes? Que percentual disso é possuído por Hollywood e pelas grandes companhias de música?



Considere todos os filmes domésticos que estamos criando e salvando em nossos computadores. Todas as fotos digitais de nossos amigos e familiares. Todas as músicas pessoais criadas em casa. Todos os dados corporativos e apresentações. Todos os livros, software, newsletters, jornais, fóruns de discussão, blogs, sites e emails que são criados e guardados digitalmente. Quão grande a percentagem de música e filmes poderiam ser? Um décimo de 1%?



Cada um destes itens pode se beneficiar da eficiência de distribuição criada pelas redes P2P. Qualquer pessoa e companhia neste país que queria trocar dados digitais pode se beneficiar das tecnologias peer to peer. Só porque os usos não são comuns ou óbvios para alguns atualmente, não quer dizer que eles não serão em 1, 2, 5 ou mais anos a partir de agora.



No caso MGM vs Grokster, poucas das 50 companhias que controlam menos de 1% de toda a informação digital estão tentando tomar o controle da inovação na indústria de tecnologia e proibir o acesso a ela para o resto de nós.



Tudo o que a nossa imaginação cria e toca que podem ser feitos digitalmente estão em risco se o Grokster perder.



Que inovações serão condenadas pela lei antes que elas tenham uma chance de chegar ao mercado porque elas poderiam ter um impacto em Hollywood e para a indústria da música? Nós não temos idéia e isso é o que nos assusta.



O que me leva de volta a 1980.



Os últimos 25 anos viram crescimentos inimagináveis em produtividade, criatividade, desenvolvimento econômico e orgulho americano porque pessoas extraordinárias tem sido capazes de elaborar idéias incríveis e desenvolvê-las sem medo. Esta falta de medo acaba se o Grokster perder e a indústria do conteúdo é capaz de assumir o papel de guardião da tecnologia.



Haverá um momento, como aconteceu em 1980, em que nós precisamos de uma faísca. Quando nós acreditamos que algo novo nos ajuda a escapar de algo velho. Não vamos deixar a indústria do conteúdo roubar a oportunidade que está ao nosso alcance.



100% da informação que este país cria de hoje em diante estará armazenada digitalmente. Softwares Peer to Peer vão criar novas maneiras de trocarmos essa informação. Nós queremos dar prioridade a filmes e música em troca de todas as outras informações neste país?



Eu espero que não.



Nosso futuro pode depender disso.



Uma última vez, eu não resisto a mencionar o caso MGM vs Grokster.



Softwares não roubam conteúdo... as pessoas roubam.



* Mark Cuban é dono dos Dallas Mavericks e co-fundador do serviço HDNet, um dos primeiros canais a transmitir programação em alta definição.. Ele também mantém um blog no endereço blogmaverick.com





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Palavras-chave: Grokster | E | O | Futuro | Financeiro
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