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Guia sobre ALBUNS E FIGURINHAS
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Atualizado em 01/11/2006

 

  A magia das figurinhas e cards 

Surgidas há mais de 100 anos, as figurinhas tornaram-se uma febre no Brasil durante décadas. Atualmente, os pequeninos quadros de papel impressos e estampados podem ter perdido um pouco do espaço para os sedutores vídeo games e outros encantos do mundo moderno, mas jamais deixaram de conquistar  crianças, e até mesmo muitos adultos.

Desde sempre, as figurinhas tiveram um caráter colecionável e, como ainda acontece hoje, foram também usadas para promover produtos ? de sabonetes a cigarros. Durante décadas encantaram gerações e gerações de ávidos fãs dos muitos temas lançados. Atualmente, ainda que tenham perdido relativo espaço na preferência ? para outras muitas formas de diversão que surgiram nos últimos anos, dentre as quais se destacam os computadores, os games e a internet ?, as figurinhas estão aí no mercado, ainda detentoras de respeitável fatia dos negócios gráficos: a Kromo Editora produz cerca de 20 milhões de envelopes/ano ? mesmo volume da Gráfica Rosset, apenas em sua produção para a Editora Abril.

Ao longo desse século de história, as figurinhas passaram por várias mudanças. A principal talvez tenha sido a inovação tecnológica que transformou radicalmente os processos de impressão. José Valdir de Lourenzi, da Gráfica Hervás, que produz figurinhas para a Editora Globo, cita como principais mudanças a evolução da pré-impressão, que garante tratamento superior às pequenas imagens, as melhores matrizes de impressão, os equipamentos modernos e a maior variedade de matérias-primas. O substrato, porém, foi a transformação mais marcante na produção das figurinhas. Se antes as crianças saiam da brincadeira de adicionar as novas figuras ao álbum como os dedos lambuzados de cola, o papel auto-adesivo, surgido em 1979, mudou esse quadro totalmente. Antes impressas em papel offset convencional (cartão), atualmente as figurinhas são produzidas em papel auto-adesivo ? couché brilho laminado, com cola atóxica ? o que dá a possibilidade de colar, descolar e reposicionar a figurinha, não apenas nos álbuns, mas em cadernos, agendas e ? para terror das mães ? nos móveis, paredes e portas de casa.

As figurinhas também ganharam outros atrativos: detalhes metalizados, cheiro, luminescência, cortes especiais a uma infinidade de vernizes (alto brilho, perolizado, com purpurina, texturizado etc.), com glitter, holográficas, com hot stamping, além de figurinhas em BOPP metalizadas. Na maioria das gráficas, a impressão é feita em offset plana ou, em alguns casos, em flexografia. ?As máquinas tiveram uma evolução significativa no que tange a qualidade de impressão, as cores são mais nítidas e o papel nos permite fazer figurinhas com ½ corte?, opina Lígia Silvia, gerente de Marketing da Kromo Editora. Nos envelopes, a transformação foi mais radical. Adaptados a um mundo em que é preciso chamar a atenção no ponto-de-venda, não são mais aqueles invólucros sem graça de outrora. Impressos em rotogravura ou flexografia, têm como base o BOPP transparente (embalagem flow-pack) metalizado prata ou branco perolizado, o poliéster ou o papel opaline.

Pela exigência de recursos, acabamentos envolvidos e variedades de insumos utilizados, nem todas as gráficas cuidam do processo de produção de ponta a ponta. ?Muitas vezes recorremos a parceiros que dispõem de técnicas especiais para uma determinada necessidade?, diz Ricardo E. Rosset, da Gráfica Rosset. Também é o caso da Panini, que mantém todas as etapas "in house" somente em sua matriz, na Itália. Aqui no Brasil, porém, a gráfica faz a criação editorial do álbum e contrata empresas para o serviço de pré-impressão e impressão. ?Já o acabamento é obrigatoriamente feito dentro de casa, pois as máquinas são especiais para a finalidade do nosso sistema de envelopamento e também são projeto e fabricação  exclusiva  da Panini?, informa José Eduardo Martins.  ?Por uma exigência do mercado, que cobrava maior qualidade e agilidade, nos especializamos em figurinhas, o que é feito 100% internamente, ou seja, recebemos as imagens e entregamos o produto totalmente pronto no distribuidor da editora?, diz Lourenzi, da Hervás. ?Nosso maior cuidado é na montagem da folha, para garantir uma boa intercalação, sem figurinhas repetidas no mesmo envelope, como também no corte, para que você tenha um ótimo enquadramento?, ressalta Ligia, da Kromo Editora, cujo processo de envelopamento atende também a terceiros.

Coleções
O público consumidor de figurinhas hoje tem entre 6 e 15 anos. A faixa etária é abrangente porque as figurinhas comportam temas realmente infantis, como os personagens do programa Cocoricó, da TV Cultura, os preferidos das pré-adolescentes, como a boneca Susi, ou as de futebol, que não têm faixa etária tão definida ? muito marmanjo compra, sim. Isso reforça a tese que, mesmo disputando espaço com modernas diversões, as figurinhas têm seu lugar garantido. ?Quem nunca colecionou um álbum de figurinhas? É difícil... acreditamos que isso está impregnado no inconsciente coletivo e mesmo com todos os avanços dos games, da era da informática, as crianças adoram colecionar as figurinhas, trocar com amigos, colar nos cadernos, agendas e diários. O que hoje o mercado exige apenas é que seja oferecido para colecionar aquilo que está fazendo sucesso entre eles, por isso, hoje as licenças são extremamente importantes para nós e, sem dúvida, para muitas empresas do mercado, tanto do segmento editorial como de consumo?, aponta Ligia, da Kromo Editora.

Talvez a aprova final de que os adultos ainda são aficionados por figurinhas esteja nos resultados de vendas de álbuns da próxima Copa do Mundo 2006. Licenciada oficialmente para produzir os álbuns e os cromos, a Panini projeta um aumento significativo nas vendas, como sempre acontece por ocasião deste evento. ?Com a Copa do Mundo, a Panini distribuirá 5 milhões de álbuns em 2006, incluindo todos os outros títulos. Somente para os produtos referentes ao campeonato foram distribuídos, até o final de abril, 3,5 milhões de álbuns, sendo 3 milhões gratuitamente, por meio de promoção com jornais em diversas cidades do Brasil e 500 mil para venda em bancas. Já nas figurinhas até hoje foram distribuídos 42 milhões de cromos. Mas não é possível fazer uma previsão de vendas até o final do campeonato?, afirma Martins

A ?febre? dos Cards
Assim como as figurinhas, os cards são uma verdadeira febre há anos ? mas não são brincadeira de criancinhas. De acordo com Flávio Ferraz, gerente de produto da Devir Livraria, o Magic the Gathering foi o primeiro produto do gênero e, em seu sucesso, vieram vários outros. Não são apenas coleções e sim cartas de jogos. Por isso mesmo, sua impressão deve ter um formato rigorosamente respeitado, padrão de cor e excelência na qualidade gráfica. ?As diferenças fariam com que o card se encontrasse no status de ?marcado?, impossibilitando seu uso em jogos e até mesmo para coleções. Se existe alguma variação gráfica ou de leitura, os cards ganham uma errata que remete ao padrão correto?, diz.

Embora a maioria dos cards siga o formato do Magic, alguns ? especialmente no mercado japonês ? têm pequenas diferenças, mas existe uma padronização geral de tamanho, por conta de produtos de suporte, como caixas e plásticos para guardar as coleções. ?Os cards de Magic são fabricadas na Bélgica e nos Estados Unidos, sendo a CartaMundi a principal gráfica especializada, que domina a tecnologia de impressão no mercado de cards, e agora é parceira da brasileira Copag?, revela Ferraz. As estampas são dignas de grandes nomes mundiais dos cartuns. Para o Magic, os autores são escolhidos a dedo, com grande critério. Alguns desses ilustradores atuam no mercado de quadrinhos, como Paolo Parente que já desenhou Lobo e Conan. Mas há uma infinidade de cards no mercado, em geral, com temas que se destacaram no cinema, literatura e TV e têm muitos fãs, como a trilogia Star Wars, Senhor dos Anéis, Vampire (baseado no RPG), Naruto (baseado no anime japonês) e muitos outros.

Com cerca de 50% de suas vendas resultantes dos cards, a Devir escolhe os produtos com os quais irá trabalhar baseando-se principalmente no resultado alcançado pelo produto em outros mercados, e avaliando a estabilidade da propriedade, pois há muitas coleções que são efêmeras. É um volume extremamente representativo, mas ainda é pouco se nos compararmos aos norte-americanos, que têm a cultura do card completamente absorvida por sua sociedade. ?Cards de beisebol são cultuados desde os anos 30. Existem muitos que valem alguns mil dólares. O card mais caro do mercado norte-americano é o chamado Black Lótus que, em estado total de conservação, pode chegar a US$ 5 mil?, informa o gerente da Devir. Claro que a garotada do Brasil, adora colecionar e trocar seus cards, mas ainda não tem o impulso do norte-americano e nem seus pais entendem isso bem, pois não viveram esse fenômeno. Talvez, se o computador deixar, isso mude um pouco na próxima geração ? a dos filhos de colecionadores de cards.

Marketing em figurinhas

Difícil encontrar alguém que nunca tenha colecionado figurinhas, e conhecido algumas das características dessa brincadeira, o bafo ou a caça à figurinha difícil. As figurinhas surgiram em 1867, na França, mas sua popularidade começou a crescer em 1872 quando eram distribuídas nas embalagens do extrato de carne Liebig. Ao longo do tempo, diversificaram-se os produtos que ofereciam figurinhas, bem como os temas das coleções. Mas a indústria alimentícia liderou esse tipo de ação promocional até o início dos anos 1950, porém a prática foi minguando. Vencedora do Prêmio de Excelência Gráfica Fernando Pini em 2003, com figurinhas auto-adesivas Disney, a gráfica Prakolar é uma das empresas que trabalham nesse nicho de mercado.
 
Igualmente produzidas em papel auto-adesivo, estas figurinhas merecem um cuidado todo especial em sua produção. De acordo com o diretor industrial Alexandre Gregoire, a figurinhas são feitas em flexografia e não recebem verniz, são blindadas e recebem uma sobrelamina com Bopp transparente. ?A tinta, neste caso, a UV, não pode ter contato com o alimento, por isso fazemos análises no Instituto Falcão Bauer, que comprovam sua atoxidade. Essa tinta atinge uma qualidade de impressão diferente e não tem todas as questões de insalubridade das demais?, diz. Os recursos que ?encantam? também estão presentes: materiais metalizados, Bopp prata, hot stampings, holografias, além de tintas fluorescentes, termo crômicas ou micro encapsuladas. Um dos maiores sucessos da Prakolar é uma promoção para o Projeto Tamar de figurinhas aplicadas ao chocolate Tortugita da Arcor, que tem uma série especial que recebem a aplicação de etiquetas auto-adesivas no flow pack do chocolate. ?Algo que pode ser feito com pirulitos, salgadinhos e outros, pois são materiais que podem ter contato direto com o alimento?, explica Gregoire. 

Texto: Ada Caperuto

Revista Abigraf 223

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Palavras-chave: Coleção | Figurinhas | Albuns | Cards | Disney
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