
Quando você considera o contentamento que o Dolby Digital e o DTS em 5 canais de DVDs podem gerar em um bom sistema de home theater, não é de surpreender que a Sony e a Philips e os desenvolvedores de DVDs decidiram que um formato de áudio com o som atualizado era necessário. Além do que, o CD é estéreo, limitado a dois canais. E a despeito dos argumentos originais da Sony, em 1983, de um som ?perfeito e para sempre?, reclamações acabaram surgindo sobre as limitações nos padrões técnicos do CD.
Por exemplo, alguns audiófilos reclamam da freqüência de amostragem de 44,1 kHz do CD, que limita sua resposta de alta freqüência a 22 kHz (baseado no pressuposto de que nós, humanos, podemos ouvir além de 22 kHz, uma reclamação duvidosa na melhor das hipóteses de acordo com todos os levantamentos científicos). Outros reclamaram que o som de 16 bits do CD (que conta com 6 dB de variação dinâmica para cada bit, de um total de 96 dB), não atende à dinâmica da audição humana, extensível a até 130 dB ou superior.
A indústria de eletrônicos não é nada senão uma história de superação de desafios técnicos, então os engenheiros digitais ficaram ocupados e emergiram em seus respectivos campos com dois novos formatos multicanal: o DVD-Audio e o Super Audio CD (SACD), cada um prometendo elevar os padrões acima de qualquer negativa. O DVD-Audio deixa os produtores escolherem qualquer uma de várias taxas de amostragem, entre 44.1, 48, 88.2, 96, 176.4 ou 192 kHz, combinado com som em 16, 20 ou 24-bits. Ao usar o empacotamento Meridian Lossless (MLP), um algoritmo de compressão ?sem perdas? que não descarta dados, todos os DVD-As podem entregar seis canais de áudio com toda a banda de transmissão em 96 kHz e a 24-bits. Faça as contas e você verá que isso eleva o limite de freqüência a 48 kHz (alto o suficiente para o seu cachorro de estimação, gato ou morcego), e com uma variação dinâmica de 144 dB (24 x 6 dB = 144 dB).
Mas (e este é um grande ?mas?), você pode tocá-lo em seu CD player? Não, você não pode. Ele só vai tocar em um novo DVD player compatível. E porque existem atualmente 500 milhões de CD players em todo o mundo, isso pode ser um grande impedimento para o sucesso do DVD-Audio. No entanto, a boa notícia é que virtualmente todos os discos DVD-Audio carregam uma duplicata em 5.1 canais, o que significa que todos os DVD players vão tocar estes discos. Isso vai deixá-lo aproveitar música multicanal em seu DVD player e em receivers Dolby Digital/DTS, embora sem as taxas de 96-kHz e 24-bits que o DVD-Audio fornece.
E quanto ao SACD da Sony? Lançado pela Sony e Philips em 1999, o SACD usa um sistema chamado DSD (Direct Stream Digital), um sistema de um bit com uma taxa de amostragem de 2,8 milhões de vezes por segundo, cerca de 64 vezes a taxa de amostragem de CDs convencionais. Essa taxa de 2.8-MHz permite uma freqüência de resposta de 1 Hz a 100 kHz, muito além dos limites do ouvido humano, e uma variação dinâmica de 120-dB que é quase equivalente à nossa capacidade auditiva. O SACD é hoje capaz de fornecer seis canais DSD dentro destes padrões extraordinários.
Mas você pode tocar um SACD em um CD player? Sim e não. Um SACD não roda em um CD player padrão a não ser que o disco seja um híbrido com duas camadas, sendo a segunda compatível com o formato do CD. E aí você ouvirá o conteúdo do disco com as limitações do estéreo. Estranhamente, a maioria dos SACDs lançados pela Sony Music não são híbridos, e vão tocar apenas em máquinas SACD. Mas outros selos estão lançando agora discos híbridos, e muitos deles tiram vantagem das capacidades multicanal do SACD.
E quanto ao som dos dois formatos, ambos são soberbos; não há um vencedor nessa disputa, baseado nos meus testes de audição. É melhor do que um CD ou Dolby Digital 5.1? Até aqui, em minha opinião, as diferenças estão em pequenas nuances. Não é nada dramático. É claro que o conteúdo musical de um disco é trabalhado de forma inventiva em vários canais, os resultados podem ser bem melhores. Mas se os consumidores vão para um novo formato, não se sabe ao certo. Eu deixei a controvérsia filosófico/musical de se os ouvintes vão querer se sentir em meio a uma banda, com os instrumentos à sua volta, ou preferir a banda se apresentando à sua frente.
Ultimamente, a sobrevivência do DVD-A ou SACD pode ser decidida por uma simples questão de escala. A Pioneer Electronics lançou o Elite DV-45A, um player compatível com todos os formatos e que de quebra toca CD-Rs e CD-RWs com arquivos MP3. Além disso, ele tem progressive-scan saídas de vídeo componente e um preço sugerido de US$ 700, uma grande redução em relação ao último aparelho do tipo, lançado no ano passado (cerca de US$ 200 mais barato). Tanto a Pioneer como a Samsung têm players universais que tocam qualquer tipo de disco.
Se você quer experimentar o áudio multicanal, tente o SACD New Favorite, da Alison Kraus & Union Station (Rounder), que mixa a guitarra nos canais frontais e traseiros com os vocais de Kraus em todos os três canais frontais. Outro bom título em DVD-Audio é o Buena Vista Social Club (World Circuit/Nonesuch), que tem um mix expansivo com os músicos cercando o ouvinte. E para ter uma idéia do que é um velho álbum remixado para o novo formato (também em DVD-A), experimente o Harvest, de Neil Young, que também cerca o ouvinte com os músicos.
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