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O Walkman surgiu de uma idéia inusitada da divisão de gravadores cassete da japonesa Sony. A proposta era unir o gravador de mão, tradicionalmente vendido a jornalistas, com um par de fones de ouvido. Estava pronto o aparelho que muitos elegeriam responsável por uma mudança na forma de consumir música e um ícone cultural.

A criação do nome, contudo, não foi tão simples assim. A primeira idéia foi Stereo Walky, sugerindo a noção de portabilidade. Contudo um rádio portátil da Toshiba já usava nome similar. A segunda opção, Walkman, quase foi rejeitada por soar deselegante, mas acabou sendo oficializada após se cogitar os termos Sound-About e Stowaway.
O primeiro modelo foi o TPS-L2, que a princípio foi visto com cautela pelo consumidor do Japão, onde foi lançado primeiramente. Para convencer o público da qualidade do produto a empresa distribuiu exemplares gratuitos a jornalistas, que escreveriam sobre a invenção, e a celebridades, que apareceriam nas fotos usando o seu walkman.
A partir de então entrava em ação a publicidade direta, que tentava associar o produto às idéias de juventude, diversão e liberdade. Argumentos que convenceram 30 mil consumidores no segundo mês após o lançamento do TPS-L2.
Assim como o atual iPod, os Walkmans também foram considerados caros por alguns na época de seu lançamento. O preço variava de 150 a 200 dólares, que corrigidos para os dias de hoje equivaleriam a até 500 dólares. Por isso muitos preferiram continuar com seus rádios portáteis.
A febre Walkman pegou de vez em 1981, quando outras fabricantes lançaram seus produtos para a nova categoria de eletrônicos. Alguns exemplos são o Stero Walky, da Toshiba, e o Stero-To-Go, da Panasonic.
A partir de então apareceram os hits, como WM-2 da Sony, que vendeu cerca de 2,8 milhões de unidades. 
Novas características também iam sendo adicionadas, como capacidade de gravar cassetes, ouvir rádio, converter o sentido de execução sem precisar virar a fita. Acessórios surgiram, como alto-falantes, adaptadores para conexão de dois pares de fones, bem como fones sem fio.
Os questionamentos sobre os danos que a sensação eletrônica da década de 80 poderia causar também se tornaram freqüentes. O Walkman poderia causar acidentes de trânsito? Ou o atropelamento de pedestres distraídos? Algum tipo de dano cerebral? Enclausuramento do indivíduo? As respostas não apareceram com precisão, mas as vendas do dispositivo só aumentavam.
Os sinais do fim da era Walkman só começaram a aparecer na segunda metade da década de 80, quando uma nova mídia, o CD, surgiu, colocando a fita cassete entre as quinquilharias do porão.
Quem conhece um pouco da história recente do iPod, o tocador de MP3 mais comentado do momento e fabricado pela Apple, vai perceber que, guardada as devidas proporções, tudo que se passa hoje é uma repetição. Desde os argumentos publicitários até os efeitos de mercado e a reação dos pensadores sociais, tudo pode ser lido como um novo ciclo histórico, primeiramente protagonizado pelo Walkman.
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