
Numa tarde de Domingo, Adam Lublin, 27 anos, produtor do show de TV ?106&Park?, parou em frente à vitrine de uma loja da rede Best Buy em Manhattan. Ele acabara de comprar uma tela de plasma e agora queria gastar uns 1.000 dólares para incrementar seu sistema de áudio e vídeo. ?O som da minha TV não é bom?, explicou. Adam queria mais, e agora havia produtos para atender seus desejos.
Equipamentos de home theater ? basicamente TVs de tela grande com um som envolvente como o das salas de cinema ? estão hoje acessíveis a muitos consumidores. Mr. Lublin é apenas um entre milhões de americanos que estão fazendo o upgrade de seus TVs, adicionando conjuntos com várias caixas acústicas. De acordo com a Consumer Electronics Association (CEA), 32% das residências americanas têm hoje sistemas de home theater ? independente de possuírem grandes salas e poltronas de couro como as dos cinemas.
Esse luxo já foi exclusividade de grandes executivos e estrelas de cinema, que aceitavam pagar até 100 mil dólares para construir mini-cinemas em suas casas. Mas isso mudou. Graças principalmente ao DVD, a tecnologia de home theater ? ou pelo menos uma parte dessa experiência ? está hoje disponível para muito mais pessoas. Transformar um televisor num sistema de HT geralmente implica em acoplar um amplificador, cinco caixas acústicas e um subwoofer para reforçar os graves. Sistemas high-end com components separados pode chegar a números com seis dígitos. Mas fabricantes como Sony, Panasonic e RCA adequaram esses componentes em sistemas mais simples, conhecidos pelo nome pouco convidativo de ?home theater in a box?.
Estes sistemas adaptados, que podem ou não incluir um DVD player, variam entre 99 dólares em lojas como Wal-Mart a 2.000 em revendedores especializados. O conceito ?in a box? ajudou a expandir o mercado ao simplificar tanto o processo de compra quanto a instalação e ajuste do equipamento, como nos disse Sean Wargo, diretor de análises da indústria na CEA. ?O consumidor não precisa escolher entre componentes separados. Os cabos vêm em cores para facilitar a instalação. Alguns fabricantes já estão até introduzindo sistemas com caixas acústicas sem fio, para evitar aquela mistura de fios no chão da sala?.
O home theater desceu ao mercado de massas por causa da popularidade do DVD. As fitas VHS só possuem som estéreo, mas os DVDs usam som surround com cinco pistas de áudio separadas, além de uma para o subwoofer, que fornece os graves. Essas pistas múltiplas podem criar um som tridimensional e a ilusão de movimento. Quando uma bala atravessa a tela, por exemplo, pode-se ouvir o som passando entre as caixas de um lado para outro da sala.
A popularidade do DVD foi o que levou Dylan Wanser, 27 anos, consultor de engenharia em Nova York, a pensar na possibilidade de gastar algumas centenas de dólares para incrementar sua tela. Wanser possui uma coleção de 50 filmes em DVD e disse que gostaria de experimentar a qualidade de cinema com seu TV de 32?. Mas, se a qualidade de áudio é o principal ponto num home theater, não é o fator decisivo na hora da compra. ?A maioria dos consumidores não são audiófilos?, diz Ross Rubin, diretor de análises da indústria para o NPD Group, uma empresa de pesquisas. ?Eles estão valorizando outros fatores acima da qualidade de som?.
Jose Ramos, supervisor de home theater na Best Buy da Rua 23, esquina com Avenida das Americas, em Manhattan, apontou meia dúzia de sistemas ?in a box? em sua prateleira. Alguns custam apenas poucas centenas de dólares, outros chegam a 900. A maioria são na cor prata, alguns têm caixas acústicas pequenas, outros grandes. Mas, para o observador leigo, há pouca diferença. Daí, por que escolher um e não outro? ?Basicamente, as pessoas compram um home theater da mesma marca de seu TV, mesmo que o som seja péssimo, diz Ramos.
Os fabricantes procuram desenhar sistemas que tenham bom visual quando colocados ao lado de TVs high-end. Philip Abram, vice-presidente da Sony, diz que os designers de áudio da empresa sempre trabalham em conjunto com o pessoal de televisão para garantir que a aparência de todos os produtos seja compatível. ?O som é o terceiro fator em importância para os clientes, depois de design e recursos como caixas sem fio?, diz Wes Lowzinski, da área de compras da rede Circuit City.
A camada mais popular do mercado está mesmo crescendo. Cerca de 2,7 milhões de sistemas in a box foram vendidos nos doze meses que terminaram em junho, de acordo com o NPD, contra 2,3 milhões nos doze meses anteriores e 1.6 milhão no período encerrado em junho de 2002. Ainda assim, a receita dos fabricantes caiu de 878 milhões de dólares nos doze meses encerrados em junho de 2003, para 856 milhões no período mais recente. Desde 2002, o preço médio desses sistemas caiu de 489 para 318 dólares.
Mas, enquanto os preços vêm caindo e os sistemas low-end ganham popularidade, a qualidade de áudio começa a melhorar, mesmo nessa faixa de mercado, diz David Carnoy, editor executivo do site CNET.com, que acompanha o segmento de eletrônica de consumo. ?É incrível o que você pode comprar por 300 dólares?, diz ele. Mesmo que não ofereçam um som de primeira, esses sistemas são geralmente adequados a salas e quartos pequenos, de menos 8m2. Para espaços maiores, até 15m2, explica Carnoy, o comprador deve pensar na faixa de 500 a 1.000 dólares. As caixas e amplificadores desses sistemas têm mais potência. Para salas maiores, pode-se pensar em sistemas separados.
Maureen Jensen, editrora da revista Home Theater, especializada no segmento high-end, onde os consumidores costumam trocar e misturar seus componentes, não é fã dos in a box. Ela recomenda que os consumidores visitem lojas especializadas e ouçam os sistemas em salas apropriadas, para perceber por si mesmos as diferenças. ?Mas não há razão para gastar uma fortuna?, diz ela. ?Um bom sistema de som pode ser montado a partir de componentes separados por algo entre 800 e 1.000 dólares?.
Regra de ouro ao comprar um sistema de componentes separados, segundo mrs. Jensen: investir 40% do orçamento nas caixas acústicas, 30% num display de vídeo e os restantes 30% num amplificador. Embora os in a box ofereçam um som insatisfatório para ouvidos treinados, podem ser uma boa maneira de começar, diz ela: ?Se você não puder comprar mais, é melhor do que nada?.
Mas, na opinião de Lublin, seu sistema Sony saiu-se bem melhor do que isso. Depois de ajustá-lo com ajuda de um amigo, ele sentou para assistir a um de seus filmes favoritos, ?Mean Streets?, de Martin Scorsese. ?Era exatamente isso que eu queria?, comentou. ?O som é incrível?.
* © The New York Times
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