 Responsável pelo desenvolvimento do Firefox, principal rival do Internet Explorer, a Mozilla Foundation é uma das mais fortes representantes do mundo open source. Em entrevista concedida ao WNews, Mike Beltzner, fenomenologista da Mozilla, afirmou que o Internet Explorer 7 se aproxima do que a empresa fazia com o Firefox 1.5. Na conversa, o executivo detalhou ainda a participação da comunidade open source brasileira no desenvolvimento do Firefox 2.0 e descreveu a visita feita por um time de cinco profissionais da Mozilla à Microsoft. Confira!
O que faz um fenomenologista?
Sou responsável pelo fenômeno que é a experiência Mozilla e ajudo no fortalecimento da relação end-to-end ? isto é, da relação que o usuário tem com a empresa e com seus produtos. Por exemplo, quando você entra no site, a forma que você tomará conhecimento dos produtos, como vai fazer o donwload, instalá-los e usá-los é minha responsabilidade.
A comunidade open source brasileira colaborou com o desenvolvimento do Firefox 2.0?
Nós temos uma série de desenvolvedores brasileiros envolvidos no projeto. Fica difícil listar todos, mas a lista pode ser encontrada nas comunidades mozilla.dev.apps.firefox, hospedadas em grupos de discussão como Google Groups e outros. Também temos um time brasileiro que contribuiu pesadamente no desenvolvimento da versão em português. Trata-se de um trabalho árduo ? e reconhecido pelo grupo Mozilla ? no qual se faz necessária a tradução de todos os strings de código do produto.
O IE 7 foi lançado cinco dias antes da apresentação do Firefox 2.0. Os dois apresentam novas ferramentas muito parecidas. Na sua opinião, o que diferencia o Firefox 2 do Internet Explorer 7?
O Firefox 2 foi desenvolvido dentro da concepção que fez do Firefox um browser popular: navegação simples que leva o usuário ao site que ele deseja acessar de forma rápida e eficiente. Algumas ferramentas do Firefox 2.0 realmente são parecidas com as do Internet Explorer 7. Mas acredito que o Internet Explorer 7 está mais próximo do Firefox 1.5 do que do 2.0.
No novo build, por exemplo, incluímos a geração de sugestões de busca a partir do que é digitado no campo que ocupa o canto direito do browser, recurso que aumenta as chances de se obter a informação desejada. Também passamos a oferecer correção ortográfica feita a partir de dicionários dos mais diversos idiomas oferecidos gratuitamente na Rede. As opções de personalização da interface, bem como a inclusão de add-ons também foram aprimoradas e devem atender melhor às necessidades do usuário.
Os mesmos add-ons do Firefox 1.5 funcionarão no 2.0?
Desenvolvemos o Firefox 2.0 de forma que houvesse um mínimo de mudanças no código que precisa ser consultado pelos criadores de add-ons para que eles possam desenvolver as ferramentas personalizadas. Ou seja, para quem já criava add-ons na versão 1.5 pouco mudou e isto deve facilitar a atualização dos programinhas para a versão 2. Além disso, entramos em contato com todos os desenvolvedores de add-ons para oferecer ajuda no processo de atualização. Boa parte dos pequenos aplicativos mais populares já foram atualizados.
Recentemente, a Mozilla foi convidada pela Microsoft a visitar o Windows Vista Readiness ISV Lab. A idéia era discutir e garantir a interoperabilidade das soluções da Mozilla com o novo sistema operacional da companhia, o Vista. Como foi o encontro?
Eu não fui ao encontro, mas ajudei a viabilizá-lo. A iniciativa partiu de Sam Ramji, diretor do Port25, o Laboratório Open Source que funciona dentro da Microsoft. Recebi um e-mail de Ramji convidando nossa equipe para participar do Vista Readiness Week ? um evento que dura uma semana e tem como objetivo familiarizar empresas de software com o novo sistema operacional.
De início, houve um pouco de tensão principalmente em torno de contratos que a Microsoft queria que a nossa equipe assinasse para garantir sigilo das informações trocadas durante o encontro. A idéia ia contra toda a filosofia da Mozilla e por isso os contratos não foram assinados. Resolvido o problema, cinco de nossos desenvolvedores passaram alguns dias em Redmond conversando com times do Vista para viabilizar a integração entre o sistema operacional e o Firefox 2 e 3 sem maiores problemas. Ficou decidido também que a Mozilla soltaria um ?support release?, o Firefox 2.0.0.1, antes de o Vista chegar ao mercado.
Como a Microsoft ainda não publicou qualquer documentação sobre o Vista, foi uma ótima oportunidade para entrar em contato com informações do sistema operacional.
Em que pé está o desenvolvimento do Firefox 3.0?
Vamos criar o Firefox 3 sobre a plataforma Gecko 1.9, que vem sendo aprimorada há pouco mais de um ano. Por ser criado sobre esta nova plataforma, serão feitas melhorias significativas no layout da interface gráfica, que se beneficiará também do acesso às bibliotecas da Cairo Graphics. Novas funções também devem ser incluídas à solução ? entre elas, daremos destaque ao ?Places? ? que já tinha surgido em uma versão do Firefox 2. Com esta ferramenta, vamos criar uma nova forma de mesclar endereços identificados como favoritos com informações do histórico de navegação do usuário. Apesar de já termos planos, não há nada definido para o novo software ? estamos experimentando uma série de coisas.
Qual é a participação de mercado no Firefox atualmente?
Nós acompanhamos os indicadores de vários órgãos. Como as opções metodológicas variam, nem sempre os números batem. Mas sabemos que nos EUA temos entre 12% e 16% do mercado de browsers, na Europa estamos um pouco melhor, com cerca de 20% e na Ásia, especificamente no Japão, temos entre 6% e 10%. Independente da participação atual de mercado, sabemos que em todos os lugares registramos crescimento constante ? a diferentes taxas, é verdade, mas sempre constante.
Quantos downloads já foram feitos do Firefox 2?
Ultrapassamos a marca dos 10 milhões de downloads nos primeiros 10 dias. Só nas primeiras 24h de oferta do software, foram dois milhões de arquivos baixados. Quatro dias depois do lançamento do Internet Explorer 7, a Microsoft divulgou que o programa havia sido baixado 3 milhões de vezes. Com quatro dias de lançamento, o Firefox 2 já havia registrado cerca de 5,5 milhões de downloads.
Vocês têm previsão para o crescimento da adoção em 2006 ou 2007?
Tentamos fazer estimativas, mas é um trabalho muito difícil. Sabemos, porém, que quando lançamos um novo produto, nossos níveis de adoção sobem bastante. Sabemos também que uma vez instalado e utilizado pelo usuário, o software raramente é deixado de lado por outra solução. Portanto, a grande barreira para adoção da solução é garantir que ela chegue ao usuário.
Existe alguma previsão para atualização do Thunderbird ou do Firefox para dispositivos móveis?
Atualmente, a MiniMo, um broswer de código aberto para PDAs e telefones, está disponível em versão pré-release para dispositivos que rodam Windows CE. No último ano e meio, a comunidade open source tem trabalhado incessantemente no projeto, que tem todo seu código base disponível para consulta na Rede.
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