Ao longo do tempo, o desenvolvimento dos displays de plasma trouxe diversas melhorias em qualidade e durabilidade, visíveis em aparelhos disponíveis nas lojas e que possibilitam ao usuário uma melhor experiência com o vídeo e ainda trazem sofisticação para os ambientes domésticos em home theaters sofisticados.
Mas ao ver as telas de enormes dimensões e baixa profundidade, poucos se lembram da epopéia que foi vencer grandes desafios técnicos como a degradação do fósforo dos painéis ao longo do tempo e que, antes, comprometiam em muito a vida útil desses painéis, principalmente quando usados em ambientes de circulação pública e, portanto, sujeitos a uma utilização mais intensa.
Para entender melhor esse problema, vamos lembrar um pouco da história desses dispositivos: inventados na Universidade de Illinois, nos anos 60 (do século passado, agora precisamos frisar), os primeiros painéis eram monocromáticos (baseados na emissão de gás neon, daí a sua variação de cor entre o vermelho e o laranja) e chegaram a ser usados em alguns computadores portáteis fabricados nos anos 80. Mas foi só em meados dos anos 90 que os primeiros displays de plasma coloridos chegaram ao mercado, com o desenvolvimento de materiais baseados em fósforo fotoluminescente e de estruturas eficientes para os painéis. Partindo daí, todos os desenvolvimentos posteriores foram no sentido de criar estruturas mais eficientes e que consumissem menos energia e que, ao mesmo tempo, conseguissem maiores taxas de luminosidade e contraste, resultando numa imagem de qualidade impressionante.
Ou seja, todo o princípio envolvendo o plasma ainda se resume a uma estrutura em que há um gás inerte e que, que, ao ser percorrido por uma carga elétrica emite feixes ultravioleta. Estes, vão atingir e estimular materiais baseados em fósforo para gerar a imagem. Como o fósforo degrada? Pelo bombardeamento sucessivo de íons sobre o material do display e que, muito aos poucos, vai retirando partes desse material, partícula por partícula.
E que leva a um dos grandes desafios técnicos da atualidade: evitar a degradação do plasma, especialmente no que tange às imagens latentes. Para explicar melhor o que é isso, vou recordar como o problema já afetou antes a indústria de informática durante a década de 80 e 90, envolvendo monitores do tipo CRT (Catode Ray Tube, ou tubo de raios catódicos, os mesmos presentes nos monitores convencionais). Naquela época, o uso de sistemas operacionais baseados no que chamamos de ?Prompt de comando? faziam com que qualquer operação nos computadores precisasse ser digitada por extenso. Contudo, quando os computadores estavam inativos, era normal ter uma linha de comando parada no topo da tela aguardando instruções. Quem se recorda de um sistema operacional anterior ao Windows chamado DOS? Pois bem, este sistema deixava um ?C:? piscando no topo da tela, no mesmo lugar e, com o tempo, o fósforo dos monitores naquele lugar ficava gasto, deixando o tubo do monitor irreversivelmente marcado. Foi daí que nasceram os screen savers, os programas ?salva-telas?, em que imagens aleatórias procuravam evitar que uma única área da tela sofresse o desgaste. O desenvolvimento das interfaces gráficas resolveu o problema, pois agora a tela não fica como uma imagem fixa o tempo todo no monitor.
Outro exemplo da degradação do fósforo em TVs eram os primeiros videogames. Usando poucos pixels para compor as imagens e jogados exaustivamente acabavam também gerando manchas nada desejáveis nos tubos de TV.
Os displays de plasma sofrem do mesmo problema e, por conta de suas características, também sofre do problema de imagem latente. Onde ele está presente hoje em dia? Nos logotipos de canais de TV por assinatura, por exemplo, que ficam fixos em um único ponto da tela e que, em pessoas habituadas a programas em um único canal, podem, a longo prazo, gerar uma imagem residual mesmo nas telas de plasma. É claro que é preciso ser muito aficcionado a um único canal de TV para que o problema se manifeste mas já é algo que deve ser considerado pelos usuários para evitar prejuízos a aparelhos que somam grandes investimentos e expectativas com qualidade.
Até o momento, os novos desenvolvimentos em andamento estão trabalhando para aumentar a eficiência dos materiais baseados em fósforo visando a redução do consumo energético e melhorias na qualidade final da imagem além de novas estruturas de células para os displays, entre outros desenvolvimentos.
Em paralelo a isso, começam a surgir os primeiros trabalhos acadêmicos que investigam o assunto. Um desses trabalhos é o relatório ?Analysis of Temporal Image Sticking in ACPDPs and Methods to Reduce It? (Análise temporal de imagens latentes em displays de plasma e métodos para reduzi-las), dos professores H-J. Lee, D-H. Kim, Y-R. Kim, M-S. Hahm, J-Y. Choi e J-H. Park, da Universidade Nacional de Pusan, na Coréia do Sul, apresentado em conjunto com os pesquisadores J-W. Rhyu, J-K. Kim e S-G. Lee da LG Electronics.
O trabalho foi apresentado num dos congressos da SID (Society for Information Display - entidade privada que reúne mais de 6 mil especialistas, entre acadêmicos e profissionais, que trocam idéias sobre o desenvolvimento e técnicas de displays nas mais variadas tecnologias) e mostrou que a fixação de imagens em displays de plasma pode ser dividida em dois grupos: imagens de fundo e fixação plena. Também mostrou as relações dessa fixação de imagens e a degradação de fósforo bem c mostrou alguns caminhos para resolver o problema como o uso de mudanças temporárias nas camadas afetadas e na carga nos painéis dos displays. O endereço da SID na Internet ? www.sid.org ?é uma boa referência para acompanhar o assunto.
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