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A importância do canal central
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Atualizado em 06/08/2008





A escolha errada pode comprometer o funcionamento de todo o sistema DA REDAÇÃO DA REVISTA HOME THEATER

Comprar uma caixa acústica para o canal central: à primeira vista, nada mais simples. O importante num home theater, costuma-se pensar, são as caixas frontais direita e esquerda e as traseiras; para colocar ali, em cima do TV, qualquer uma serve... Pode estar aí o começo das dores de cabeça. Freqüentemente menosprezado, inclusive por "especialistas", o canal central funciona como uma espécie de referência do desempenho de todo o conjunto - para o bem ou para o mal.

Eficiência, timbre, posicionamento - fatores que são importantes para as demais caixas - no caso da caixa central tornam-se simplesmente fundamentais. E é fácil entender por quê. O canal central concentra a maior parte dos diálogos dos filmes e é o maior responsável pela chamada imagem sonora, conceito que define até que ponto o som que se ouve reproduz fielmente aquilo que se vê na tela. Este, aliás, foi o grande ovo de Colombo da Dolby ao criar o sistema surround, nos anos 70. Até então, acreditava-se que o som estéreo era o mais próximo da perfeição.

Com a descoberta de que se podia adicionar um terceiro canal entre os dois principais, o cinema percebeu que podia, finalmente, "invadir" as casas do mundo inteiro.

O canal central passou a ser tão importante que os fabricantes desenvolveram o modo de processamento Phantom, que nada mais é do que a simulação de canal central a partir de apenas duas caixas laterais. Para entender essa importância, é preciso saber como são feitos os filmes hoje. Após a filmagem, o diretor reúne-se com sua equipe de montagem numa sala conhecida tecnicamente como editing room (ou monitoring room). Trata-se da réplica de um cinema de verdade, com tela grande e falantes espalhados pela sala. Tudo é controlado pelos engenheiros de som através de uma mesa digital multicanais, conectada a players que contêm as várias partes do filme: diálogos, trilha musical, sons da própria locação onde o filme foi feito, diálogos adicionais que o diretor queira incluir e efeitos sonoros dos mais variados tipos.

Nessa mini-sala de cinema, a equipe conta com um equipamento de áudio superior ao dos melhores cinemas. Todas aquelas partes sonoras terão que ser misturadas, e para isso, além de amplificadores e equalizadores, são utilizadas caixas acústicas de primeira linha. Pois bem: o canal central é que serve de base para toda a montagem. Três grandes caixas acústicas (ou conjuntos de caixas) são colocadas atrás da tela, cada uma incluindo tweeter (falante de agudos), midrange (para os sons médios) e woofer (graves) de alta capacidade.

A função do canal central nesse processo não é simplesmente reproduzir os diálogos, como se costuma pensar, mas reforçar o chamado palco sonoro proporcionado pelos outros dois canais frontais. No centro da ação estão também parte dos efeitos e da trilha musical, elementos essenciais num filme. Dessa forma, a equipe de produção consegue "cobrir" todas as lacunas deixadas pela gravação original, de forma que diálogos, efeitos e música combinem harmoniosamente - e que um não "apague" os demais.

É bom lembrar que no cinema a tela em geral é do tipo transparente, com milhares de pequenos furos para permitir a passagem do som que sai da caixa (ou caixas) situada atrás da tela. Isso não é de graça. Além de concentrar os diálogos, esse canal central é otimizado (pelo menos nos bons cinemas) com três finalidades: garantir que todos os espectadores, mesmo os sentados no fundo da sala, ouçam claramente o que dizem os atores; controlar a diretividade do som, para que atinja o público antes de rebater nas paredes ou no teto; e preservar o balanço tonal e a gama dinâmica da trilha sonora, de forma que fique o mais clara possível.

Mais de 50% dos sons de um filme saem pela caixa central. Portanto, mais do que qualquer outra, ela precisa estar totalmente sincronizada com a ação que se passa na tela. E isso independe até da posição das pessoas na sala.

É o que garante a um grupo de, digamos, cinco pessoas poder assistir juntas a um filme e todas perceberem a sensação de envolvimento com a mesma intensidade - claro que cada uma sentada num lugar da sala. Apesar dessa importância, é um erro colocar duas caixas centrais num home theater, como alguns fazem. O fato de se ter duas caixas fazendo o mesmo trabalho não "dobra" a qualidade do som, pelo contrário, pode torná-lo mais abafado, sem definição. Também é errado montar sistemas em que a potência do canal central é inferior à dos outros dois. Na maioria dos conjuntos, a caixa central tem sensibilidade ligeiramente mais baixa, e por isso mesmo irá exigir mais potência do amplificador (ou receiver). Ou seja, precisa ser pelo menos tão boa quanto a direita e a esquerda.

DICAS PARA A ESCOLHA

Sua sala de home theater será tanto melhor quanto mais conseguir se aproximar de uma sala de cinema. Mas, se você usa caixa central inferior às demais, esse objetivo estará seriamente comprometido. Num equipamento Dolby Pro-Logic, talvez isso não fique tão claro, mas ao partir para um Dolby Digital ou DTS você irá sentir falta de uma caixa central de melhor nível.

A primeira recomendação ao comprar uma caixa para canal central é comprar, junto com ela, todas as caixas do sistema. Isso mesmo: um conjunto completo de 6 caixas, de preferência da mesma marca, o que garante homogeneidade de timbre entre elas. A maioria dos grandes fabricantes oferecem conjuntos completos, geralmente construídos a partir de um mesmo projeto. Isso é importante porque entre os fatores decisivos no desempenho de uma caixa estão seu design interno e os componentes utilizados em sua fabricação. Mesmo entre modelos de uma mesma marca, porém, pode haver diferenças técnicas sensíveis; o ideal é combinar caixas do mesmo padrão. Se você já tem um conjunto e só não está satisfeito com a central, há vários aspectos a considerar. Dê preferência a um modelo do tipo full-range, capaz de responder tanto graves como médios e agudos. E cujo tamanho seja semelhante ao das frontais.

Atualmente, a maioria dos modelos são do tipo horizontal, com um tweeter posicionado entre dois outros falantes (geralmente, dois woofers). Foi a fórmula considerada até hoje a melhor para garantir boa dispersão e diretividade do som num sistema surround. Os modelos verticais usados no início do sistema THX foram deixados de lado, por causa de sua excessiva dispersão vertical, que prejudica a inteligibilidade.

Como qualquer produto para home theater, a escolha da caixa central deve ser feita preferencialmente a partir de um projeto que define claramente a posição das caixas. Toda caixa central é blindada magneticamente, de forma a poder ser colocada junto ao TV sem provocar distorções na imagem. Mas, além disso, precisa estar coretamente alinhada com as demais caixas, para garantir a uniformidade do som.

Especificações como impedância (no mínimo igual à do receiver), sensibilidade (o ideal é acima de 90dB) e resposta de freqüência (20-20.000Hz, com distorção de no máximo 3%) também são importantes na escolha. Mas o fundamental mesmo é saber ouvir. Antes da escolha final, procure ouvir a caixa de olhos fechados, até mesmo desligando as outras caixas e se concentrando no que está a sua frente. Deixe que seus ouvidos tomem a decisão.









Palavras-chave: A | Importância | Do | Canal | Central
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