Cadastrar Perguntas Home Minha Conta Mapa do Site
Buscar:
Buscar Guias sobre:
Escreva um guia
A importância das fontes de alimentação
Autor:
Ver mais Guias do autor
3 de 3 qualificaram esse guia como útil.
Atualizado em 06/08/2008







Infelizmente, a fonte de energia elétrica mais à mão - a rede de corrente alternada domiciliar, com 110 (ou 220) volts - não serve para alimentar diretamente os circuitos com válvulas ou transistores. Estes necessitam de tensões e correntes contínuas, com um valor fixo e polaridade (fase) determinada. Assim, torna-se necessário introduzir, entre a rede de C.A. e o amplificador, um dispositivo qualquer capaz de transformar a corrente alternada em corrente contínua, ou seja retificá-la. Este sistema é conhecido como fonte de alimentação.

O circuito da fonte alimentação é composto por três partes - a fonte propriamente dita, o retificador e o filtro. Além da tomada da parede, que na verdade inclui apenas terminais de saída da fonte propriamente dita (rede elétrica), esta pode também ser dotada de um transformador que se encarrega de elevar ou baixar a tensão disponível na tomada de C.A., de retificador, de regulador e de filtros.

Portanto, a fonte de alimentação de um equipamento de áudio é um ponto muito importante na cadeia da reprodução sonora possível. Lembremos que todos os equipamentos eletrônicos trabalham internamente com C.C. e que esta deve ser o mais plana e estabilizada possível e isenta de espúrios, a fim de que não gere ou induza distorções ou colorações na cadeia de áudio. Quantas vezes se culpa um amplificador de ser a causa de distorção, e depois de exaustivos testes de laboratório e audição chegamos à conclusão de que o problema é resultado de uma fonte de alimentação mal projetada. É bom deixarmos claro que só a fonte não garante a qualidade do aparelho, mas que também não existe um bom aparelho, principalmente amplificador , sem uma ótima fonte de alimentação. .

De forma geral, a fonte de alimentação não é um fator determinante no custo final de um equipamento de áudio, porém no caso específico de um amplificador seu custo é relativamente alto e determinante na boa qualidade do áudio. No caso dos amplificadores temos que ser ainda mais exigentes, pois sem uma boa fonte não tocam bem.

Quando falamos em C.C. estabilizada, filtrada e isenta de espúrios, o que vem nos à mente é a figura de uma bateria, seja uma pilha de lanterna ou uma bateria de automóvel. No caso específico de pré-amplicadores, considera-se sua fonte de alimentação ideal a proveniente de um conjunto de baterias recarregáveis, capazes de fornecer uma tensão estabilizada por longas horas, sem a necessidade de estar conectada a C.A.. Vejam o pré-amplicador JEFF ROWLAND (modelo Coherence), considerado hoje um dos melhores prés fabricados.

Para amplicadores, a situação é bem mais delicada. As quantidades energéticas em jogo são milhares de vezes superiores, tornando o uso de baterias uma tarefa quase imposível. Existem amplificadores alimentados a baterias, vejam os utilizados em equipamentos de som automotivos, todos os modelos da Jeff Rowland. Porém, trazer inúmeras baterias para dentro de uma sala de audições é bastante complicado e caro. Os resultados são divinos!!

Voltando à realidade, vejamos quais as características mais importantes dos componentes da fonte de alimentação de um amplificador de áudio. Em primeiro lugar devemos observar o tipo de transformador utilizado. O tipo ideal é o transformador torroidal, devido a suas características de baixas perdas, baixíssima impedândia (resistência interna) e relativa imunidade a induzir ruídos nos amplificadores. Normalmente são responsáveis por mais de 50% do peso de um bom amplificador. É bom deixarmos claro que a maioria dos fabricantes de amplificadores, principalmente os mais sérios, só utilizam transformadores toroidais nos seus powers.

Outro componente fundamental é o capacitor eletrolítico. Da mesma forma que o amplificador, deverá ser de qualidade, e principalmente de alto valor. Podemos considerar um ótimo valor 0,1 Farad para cada 100W RMS reproduzidos, valor dificilmente utilizado, por questões volumétricas. Os fabricantes que utilizam valores aproximados a este normalmente utilizam a fonte de alimentação separada do corpo do amplificador.

Conclui-se, pois, que os dois componentes qualitativos determinantes de uma boa fonte de alimentação para amplificador são o TRANSFORMADOR DE FORÇA e os CAPACITORES ELETROLÍTICOS. Não podemos esquecer que outros componentes são inseridos em uma fonte de alimentação para que a energia possa fluir da tomada de força até as caixas de som. Componentes estes que retificam a CA, transformado-a em CC pulsante, que por sua vez é filtrada pelos capacitores eletrolíticos, que suprem o amplificador sonoro.

Portanto, temos uma cadeia de componentes interligados em série, isto é, como se fosse uma linha de produção industrial. Cada componente da cadeia é responsável por um processo e tem influência na qualidade total do produto final, que no caso de um amplificador é o som, o áudio, a mágica, a música, os sonhos e tudo o mais que a música permitir. Todo cuidado deve ser tomado não só com o projeto da fonte de alimentação, pois uma fonte mal projetada realmente acaba com o som, mas também com a conexão à tomada de força, que é de responsabilidade do proprietário do equipamento, e o uso de bons filtros de linha. Lembre-se: cada componente colocado na cadeia de seu equipamento de som produz algum efeito, que pode ser conveniente ou não.

Vamos falar um pouco mais de capacitores eletrolíticos, um nome um tanto incomum. Estes componentes eletrônicos estão diretamente ligados às chamadas ?reservas de energia? de um amplificador sonoro. Isto porque sua característica é o acúmulo de energia, quase como se fosse uma bateria, porém com uma condição excepcional, isto é, carrega-se com extrema velocidade e descarrega-se da mesma forma. Levando-se em conta que um amplificador sonoro é alimentado por CC e que através de seus circuitos especializados a transforma em sinais elétricos senoidais, que por sua vez são aplicados a transdutores elétricos (alto-falantes) e finalmente transfomados em energia sonora, temos que a primeira reserva de energia disponível é aquela armazenada nos capacitores eletrolíticos, e que quanto maior for esta reserva melhor será o som reproduzido.

Outros tipos de capacitores também são utilizados nos circuitos de fontes de alimentação, porém suas funções são principalmente relativas a desacoplamento de sinais indesejáveis. Trocando em miúdos, servem como filtros, eliminando os sinais de altas freqüências, hoje tão comuns em nossas casas, por exemplo, ruídos gerados por lâmpadas fluorescentes, computadores, impressoras, scanners, lâmpadas de vapor de alta pressão, lâmpadas eletrônicas, calculadoras eletrônicas e mais uma enormidade de artefatos eletrônicos disponíveis em nossos lares, que do ponto de vista de um amplificador de áudio, são fontes de ruídos, que podem ser facilmente misturados ao material sonoro que estamos reproduzindo, causando distorções indesejáveis. Devemos sempre ter em mente o que pretendemos de um equipamento de som, queremos reproduzir sons da forma mais fiel possível, sem acrescentar ou retirar nada de conteúdo musical.

Vamos fazer agora algumas observações sobre os transformadores utilizados em amplificadores sonoros. Da mesma forma que os capacitores eletrolíticos, os transformadores de potência são diretamente ligados ao fornecimento de energia. Como seu próprio nome indica, são responsáveis pela transformação da CA disponível, 110 volts nas capitais e 220 volts no interior, em níveis necessários para a alimentação dos circuitos de um amplificador sonoro. Esta tensão tanto pode ser menor que 110 ou 220 volts, como geralmente no caso de amplificadores transistorizados, como maior, no caso de amplificadores valvulados. Sua principal característica é ser transparente ao amplificador, isto é, apresentar um impedância (resistência à passagem do sinal) mais baixa possível. Em outras palavras, fornecer a energia que o amplificador necessita sem ser sobrecarregado.

Considera-se para fins práticos uma relação de 1 para 10, isto é, 1 watt de potência de um amplificador necessita de 10 watts de potência disponível de seu transformador de força. Valor dificilmente alcançado por amplificadores comerciais, com raras e caras exceções. Os transfomadores apresentam quanto ao seu método construtivo duas formas mais usuais, núcleo de ferro de alto teor de silício plano no formato E I e no formato torroidal. Os toroidais têm as características ideais para amplificadores, ideais para alimentar quaisquer equipamentos eletrônicos. Suas principais características são baixíssimas impedâncias, isto é, são capazes de fornecer a energia necessária para a alimentação de um amplificador sem queda de tensão, são mais compactos, irradiam pouquíssimo ruído, e servem como filtros naturais.

Quando comprar seu próximo amplificador sonoro, procure se informar do tipo de transformador utilizado em sua fonte de alimentação; se for toroidal, existem boas possibilidades de estar escolhendo um bom produto. Transformadores exercem um fator sensível no preço de um amplificador sonoro. Esta regra não vale para todos ao equipamentos eletrônicos, e sim especificamente para equipamentos de áudio. Outras características importantes em um transformador são aspectos relacionados a sua construção física. Vamos enumerar alguns que acreditamos serem importantes: não deve vibrar, não deve esquentar, não deve emitir ruídos. Estas características são alcançadas utilizando-se materiais isolantes à base de resinas, óleos e de blindagens metálicas.

Diríamos que o melhor transformador é aquele que de tão perfeita sua construção não revela sua existência ao amplificador. Isto é, o amplificador comporta-se com se estivesse ligado diretamente à rede elétrica. Voltando aos exemplos, alguns fabricantes para eliminar a possibilidade de possíveis ruídos constróem os transformadores banhados em óleo, como é o caso da Cary; outros mais perfeccionistas ainda enrolam seus transformadores somente com fio de prata pura, como é o caso da Audio Note.

Se juntarmos todas estas características ideais de fontes de alimentação e de seus componentes, chegaremos à conclusão de que cada equipamento em nosso sistema deveria ter uma fonte de alimentação particular, o que geralmente acontece. O CD tem sua fonte particular, o pré-amplificador também, o sintonizador de FM também, mas e o amplificador? Na grande maioria do casos apresenta uma fonte de alimentação comum para dois amplicadores se for estéreo; pior ainda se for multicanal, normalmente são cinco ou seis amplificadores para uma fonte de alimentação única. Se considerarmos os receivers integrados, aí temos o pior caso possível, isto é, uma fonte de alimentação servindo para alimentar os amplificadores, os pré-amplicadores, o sintonizador de FM, o pré de fono, o decodificador , etc.

É algo como uma salada de frutas: tem um bom gosto ao paladar, mas não conseguimos identificar fielmente a característica de cada fruta, pois todas interagem entre si. Neste último caso, somente um grande trabalho de engenharia é capaz de minimizar os efeitos da interação entre os componentes do receiver, porém milagres não existem. Prefira montar seu home ou sistema de áudio com os melhores equipamentos que o seu bolso possa comprar, preferencialmente amplificadores dual mono, até porque temos no mercado uma grande quantidade de amplificadores com construção dual mono. Só para citar um exemplo, os amplificadores da Balanced Audio Tecnology têm até dois cabos de força separados, sintonizadores de FM, pré-amplificadores com fontes em gabinete separado, transportes de CD e DA separados. Mais uma dica: mantenha os equipamentos digitais, tais como computadores e seus acessórios, o mais longe possível. Se isto não for possível invista em bons e caros filtros de linha e cabos de interconexão o mais curtos possível, pois quanto menos trabalho o sinal tiver para transitar melhor será o nosso áudio.

BIBLIOGRAFIA

1 - Walters, Earl ? Como projetar áudio amplificadores, Antenna-Empresa Jornalística SA.

2 - Ferriol, A.. A. ? Diseño y calculo de audioamplicadores, Editorial Técnica Popular.

3 - Briggs, G. A. and Garner, H. H. ? Amplifiers the why and how good amplification, Wharfedale Wireless Works.

4 - Treimaine, Howard M.- Audiociclopedia Vol. I E II, Marcombo Boixareu Editores

5 - Zarate, Enrique C. ? Audio amplicadores , Editoria Radio Lectura

6 - Balsa, Jorge ? Estereofonia Practica, Editorial Hobby, Com e Ind..



* Protasio Nene é fotógrafo; Paulo Chachamovitch é engenheiro. Ambos são colaboradores da revista HOME THEATER.







Palavras-chave: A | Importância | Das | Fontes | De
3 de 3 qualificaram esse guia como útil.
O autor assume total responsabilidade pela publicação desse guia. Você acha que este guia é contrário às políticas do MercadoLivre? Informe aqui.
Nesta seção serão encontradas informações publicadas por Usuários, sob sua própria responsabilidade. O MercadoLivre não exerce controle do conteúdo das Guias e não responderá por informações imprecisas, errôneas ou difamatórias, tampouco pelo uso que se faça delas. O ingresso às Guias é uma decisão voluntárias do internauta, que aceita a possibilidade de encontrar material que possa afetar sua suscetibilidade .

Voltar ao topo