O Brasil tem uma nova chance de dar uma maior contribuição à indústria internacional de produtos eletrônicos. Infelizmente não é na fabricação de componentes eletrônicos ou no design de equipamentos, até porque a primeira atividade já está concentrada em países com mais tradição em semicondutores como no sudeste asiático, em que Taiwan é o maior exemplo; enquanto que a segunda fica concentrada nas matrizes dos principais fabricantes, sede de onde tomam inspiração os (o?) fabricantes nacionais. Não, não é na parte mais física dos equipamentos. É na parte lógica, no software que vai embutido nos equipamentos, e no design dos componentes.
A indústria nacional de programação, com seus experimentos com software livre e muita criatividade, tem condições de trazer inovações na forma de orientar a versatilidade dos futuros equipamentos, uma vez que cada dispositivo eletrônico tem, hoje, missões muito mais complexas do que seus antecessores, ao lidar com mídias de todos os tipos e ter uma interação cada vez maior com o ambiente da microinformática, interagindo com redes de computador, músicas em MP3, fotos e vídeos digitais.
Quem está fazendo isso? A princípio os laboratórios das universidades e centros de pesquisas como o Genius, mais ligado à Gradiente e que até bem pouco tempo atrás trabalhava com aplicativos interativos para os futuros sistemas de TV digital. Outros núcleos também estão interessados neste mercado. Tome o caso da Freescale, a antiga divisão de semicondutores da Motorola e que tem um centro de desenvolvimento em atividade no país, que já presenteou o mercado brasileiro com o projeto de um microchip para televisores e que pode ser a base para a exportação de know-how nacional.
E pode ser a base para a exportação em nível internacional. Praticamente todos os fabricantes fazem grandes esforços sobre a área de software em suas linhas de produto. Tive a oportunidade de conversar recentemente com Jurgen Krenhke, diretor de marketing e negócios para as Américas do segmento de entretenimento da Philips Semiconductors. Embora a força da empresa holandesa seja a diversidade de tecnologias que ela domina, é no segmento de software que está a verdadeira chave para as inovações que vão equipar os dispositivos do futuro próximo.
A empresa fez um evento recentemente para fabricantes nacionais onde mostrou diversos componentes e produtos que estão prontos para serem fabricados no Brasil. Uma das áreas mais promissores, afirmou o executivo, é a área de programas para estes dispositivos, que, segundo afirmou, podem responder por até 20% do valor final dos produtos nesse futuro.
Eis aí a chave para colocarmos um Made in Brazil onde ninguém pode ver, mais onde qualquer um vai sentir.
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