
Noite de sexta-feira. Os rapazes chegam, algumas moças também. A ?balada? é preparada numa garagem ou salão, na casa de alguém. Ao invés das cervejas, alguns trazem consigo refrigerantes e café. Pizza ou cachorro-quente também são bem-vindos.
Os preparativos não envolvem aparelhagem de som que faça ?bombar? a pista de dança, mas CPUs, monitores, cabos. Montada a Local Area Network (LAN) ? tarefa que pode levar horas, dependendo do número de viagens dos ?baladeiros? ?, todos conectam-se a um servidor e inicia-se a brincadeira.
Trata-se de uma LAN Party, festa em que aficionados por games se dividem em times para competir virtualmente. Os adeptos das LAN Parties vêem grandes vantagens nesse esquema de jogo; é o caso do estudante Mauro Nickel Filho, 17 anos: ?Tenho a vantagem de não pagar pela hora. Além do que, o micro é seu e você já está acostumado?. Outro estudante, Gilvanio Morais, 17 anos, ainda ressalta: ?não tem o perigo de sair de noite?.
Jogo é jogo, treino é treino
Mas as LAN Parties não são feitas só de brincadeira. Jogos como Counter Strike têm adeptos ferrenhos, que separam muito bem os jogos 4fun (que envolvem até 32 jogadores armados até os dentes, matando-se a esmo) dos treinos (em que equipes de cinco enfrentam outros cinco pela rede).
Para os treinos, há até espectadores, segundo o estudante Giovanni Corso, 18 anos: ?Algumas jogam. Mas quando estamos treinando, elas assistem?, diz, referindo-se às meninas que freqüentam as parties. E nos jogos de campeonatos aparecem até tietes (!), como conta o gerente da Omega LAN House, Jefferson Tamura: ?O Counter Strike é uma febre! Nos campeonatos, os adolescentes vêm, assistem, tentam aprender um pouco com os jogadores veteranos. Os treinos também são concorridos, trazem um bom movimento à casa?.
Exterior
A febre a que se refere Tamura é visível nas palavras de jogadores, como Corso: ?Eu jogo sério. Todo dia, uma média de quatro ou cinco horas, treinando com o time sempre que possível?. Mesmo assim, o estudante acredita que ?é muito cedo para esperar alguma coisa?.
Esperar alguma coisa significa participar de grandes campeonatos, viajar pelo Brasil e ao exterior como e-sportista, ganhar prêmios, notoriedade nos rankings de times de Counter Strike. A notoriedade é tanta que empresas grandes como Intel, Hitachi e nvidia patrocinam campeonatos internacionais, como a Cyberathlete Professional league, que premia os campeões com até US$ 100 mil em dinheiro e tem uma etapa classificatória no Brasil (mais informações no site http://www.thecpl.com.br/).
Essas quantias também são um belo incentivo para as LAN Houses, como conta Tamura, da Omega LAN House: ?É uma excelente estratégia de marketing investir no patrocínio de um time de Counter Strike: os jogadores viajam pelo país jogando com o uniforme da casa. Acaba saindo barato pagar a inscrição de um time no campeonato, fornecer equipamentos, financiar as viagens?. A repercussão local também atrai mais consumidores e forma novos e-sportistas: jogadores veteranos, que já passaram por campeonatos e tem conhecimento das minúcias dos jogos.
As pequenas LAN Parties (de 3 a 6 jogadores), promovidas nas garagens de meninos como Mauro, Gilvanio e Giovanni, acabam sendo parecidas com as famosas partidas de futevôlei que levam os jogadores Romário, Edmundo e companhia às praias do Rio de Janeiro nos momentos de folga. É um descanso da atividade semanal em que se exerce uma variação dessa própria atividade.