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Limpeza e Desinfecção em criações de Suínos
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Atualizado em 08/09/2007

 
Limpeza e Desinfecção em criações de Suínos
Autora: Profa. Dra. Masaio Mizuno Ishizuka
Professora Titular (emérita) da FMVZ-USP
Integrante do Comitê Estadual/SP de Saúde Suína
Diretora da Masaio Assessoria de Informações Científicas Ltda

1. ALGUMAS DEFINIÇÕES CONSIDERADAS IMPORTANTES
Infecção: presença de agentes de doença no organismo de animais na ausência de sinais de doença.

Higiene: medidas de profilaxia aplicadas ao corpo de um animal que objetiva a promoção de sua saúde.

Contaminação: presença de agentes de doenças no meio ambiente e em seus diferentes componentes.

Descontaminação: redução ou eliminação da contaminação.
Sanitização ou desinfecção: descontaminação pelo emprego de desinfetantes ou sanitizantes.

Saneamento: medidas de profilaxia aplicada ao meio ambiente e nos seus diferentes componentes (instalações, objetos, equipamentos, veículos, utensílios etc) que objetiva a proteção inespecífica da saúde dos animais de um rebanho. Saneamento é parte constituinte da Biossegurança ou Biosseguridade.

Biosseguridade/biosegurança: conjunto de medidas de profilaxia que objetiva: i) impedir a entrada de agentes de doenças em uma granja; ii) diagnosticar precocemente caso venha a ocorrer; e iii) atuar prontamente para que a doença/infecção seja extinta no ponto de surgimento.

Medicina Veterinária Preventiva: conjunto de medidas de profilaxia aplicado a um animal ou rebanho seja de uma propriedade ou de um conjunto de propriedades com objetivo de restauração, manutenção ou promoção de saúde independente de respaldo legal.

Saúde Animal: conjunto de medidas de profilaxia aplicada, de forma planejada, organizada, supervisionada e fiscalizada, em populações animais de determinada área geográfica e é diretamente dependente de amparo legal.

2. O QUE SE ENTENDE POR LIMPEZA E DESINFECÇÃO
Limpeza e desinfecção são medidas de saneamento que objetivam reduzir e até eliminar a contaminação do meio ambiente e de seus diferentes componentes.


3. COMO SE PODE JUSTIFICAR A IMPORTÂNCIA DA LIMPEZA E DESINFECÇÃO
Agentes de doenças resistentes às condições do meio ambiente são usualmente eliminados pelas fezes e urina e podem permanecer viáveis por longo tempo na ausência de parasitismo à espera de uma oportunidade para penetrar no organismo de um susceptível.

Este conhecimento poderá bem orientar os profissionais de campo na aplicação desta medida de saneamento para reduzir a contaminação ambiental, inimizar as oportunidades de infecção dos animais, principalmente por via oral, e conseqüentemente controlar a freqüência de ocorrência de diarréias. A quantidade de agentes de doenças que os animais eliminam de seu organismo para o meio exterior e permanecem nas instalações representam perigo para os animais residentes (principalmente os mais jovens) como também para os que irão ocupar as instalações no período seguinte.

Reduzir a contaminação para o próximo período é o objetivo dos procedimentos de limpeza e desinfecção atualmente praticadas, mas é preciso questionar e identificar mecanismos eficazes de desinfecção durante o período de alojamento.

4. A PROPAGAÇÃO DE AGENTES DE DOENÇAS EM POPULAÇÃO DE SUÍNOS
Agentes de doenças são parasitos obrigatórios que, para sobreviver e persistir na natureza, devem estar infectando hospedeiros vertebrados na presença ou ausência de manifestação clínica (fontes de infecção), ser eliminado por algum meio ou veículo de eliminação (vias de eliminação), permanecer ou não algum tempo no meio ambiente e seus diferentes componentes para alcançar um novo hospedeiro (vias de transmissão) penetrando por alguma via de acesso (portas de entrada) no organismo de um novo hospedeiro (susceptível).

A capacidade de resistir às condições do meio ambiente em ausência de parasitismo (resistência) varia para cada agente de doença. Alguns não têm sobrevida e portanto vale-se de contágio direto para ganhar um susceptível (doenças venéreas, raiva), outros têm resistência por tempo relativamente curto e alcançam novos hospedeiros pelo ar (transmissão aerógena) ou através objetos inanimados (fômites e partes de instalações).

Obviamente, existem outros mecanismos de propagação, mas que fogem deste tema, cita-se a guisa de informação os vetores (mecânicos e biológicos), hospedeiros intercalados, alimentos, solo, material biológico (vacinas, soros, sêmen) principalmente.

As medidas de profilaxia são aplicadas às fontes de infecção e/ou às vias de transmissão e/ou susceptíveis de forma planejada, organizada e supervisionada. A limpeza e desinfecção são medidas voltadas para a destruição de agentes de doenças que se valem do contágio indireto para a propagação em populações animais.

Agentes de transmissão aerógena são aqueles de doenças respiratórias, as vias de eliminação são as secreções oronasais expelidas pela tosse ou espirro ou expectoração e sempre envolvidos e protegidos por matéria orgânica (secreção). Quando os animais (fontes de infecção e susceptíveis) estão muito próximos, a inalação ocorre imediatamente depois da eliminação (micoplasmoses por exemplo).

Quando a eliminação ocorre através da tosse, o volume de secreção (matéria orgânica) de cada partícula é proporcionalmente elevado comparativamente ao tamanho do agente de doença nela contido, dessecam-se lentamente formando poeiras infecciosas (Gotículas de Flügge), misturam-se com as poeiras meteóricas, podem ser colocadas em ressuspensão no ar pela varredura ou limpeza a seco, contaminar o ar e ser inalado pelo susceptível.

Quando a eliminação ocorre pelo espirro, o volume de secreção (matéria orgânica) de cada partícula é proporcionalmente pequeno comparativamente ao tamanho do agente de doença nela contido, dessecam-se rapidamente formando poeiras infecciosas (Núcleos de Wells), que dificilmente se sedimentam e permanecem em suspensão no ar e podem ser inalados pelo susceptível a qualquer momento.

Agentes de transmissão via fômites e demais objetos de manejo são aqueles eliminados principalmente:

· pelas fezes e urina e, como apresentam elevada resistência às condições do meio ambiente em ausência de parasitismo desde que protegido por matéria orgânica, têm amplas possibilidades de contaminar qualquer objeto presente no local (comedouros, bebedouros, piso, cama, paredes, água de bebida etc) e penetrar no organismo do susceptível, usualmente pela via oral.

· Pelas descamações cutâneas e exsudatos que podem contaminar objetos e instalações e alcançar novo hospedeiro através do contacto.

IMPORTÂNCIA E MEIOS DE SE PROCEDER À LIMPEZA
A limpeza é conduzida em 2 etapas: remoção das sujidades e lavagem. Esta visa retirar todos materiais potencialmente contaminados que poderão atuar como vias de transmissão de agentes de doenças e realizada com auxílio de pás e vassouras.

Quando da varredura, recomenda-se umedecer o material a ser removido para evitar que poeiras sejam levantadas e impedir tanto a infecção dos animais por via aerógena como a inalação de pó para as vias respiratórias do próprio trabalhador. Este procedimento preliminar conduzirá à economia de água e sabão/detergente empregados na etapa seguinte.

A lavagem objetiva completar a remoção de sujidades e possibilita a melhor ação dos desinfetantes que podem apresentar dificuldades de penetração em matéria orgânica presente em excesso. O uso de sabão e/ou detergente tem como objetivo a remoção de gorduras porá também facilitar a atuação dos desinfetantes.

Lembre-se que a remoção e lavagem apenas reduzem a carga de contaminação ambiental.

IMPORTÂNCIA DA DESINFECÇÃO
Desinfecção é a prática de reduzir a quantidade de agentes causadores de doença presente no meio ambiente, nos mais diversos objetos e instalações existentes sendo em meio químico de destruição. Os desinfetantes usuais eliminam formas vegetativas de bactérias, vírus e larvas de helmintos. Não apresentam ação sobre oocistos de protozoários, ovos de vermes e esporos de microrganismos anaeróbicos.

Mesmo com o emprego de concentrações (diluições) corretas, a desinfecção não elimina totalmente a contaminação que só seria alcançada pela esterilização.

DESINFETANTES MAIS RECOMENDADOS
recomenda-se o emprego de produtos aprovados e RegisTrados pelo Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária (MAPA/Brasil) e obedecer as recomendações de uso no que respeita à armazenagem, diluição, tempo para ação, tempo para manter as instalações vazias, descarte de embalagens, contacto com crianças, animais e pessoas.

Todo bom desinfetante deve apresentar algumas características: ser incolor ou não manchar objetos, inodoro ou com pouco odor, alto poder residual (manter poder de destruição dos agentes depois da aplicação para eliminar eventual resíduo de contaminação), econômico, alto espectro de ação, estável à temperatura ambiente. Ler sempre o rótulo e verificar o espectro de ação e os agentes que eventualmente você deseje, naquele momento, destruir. Os desinfetantes mais utilizados são os derivados de halogênios (fenol, cloro, cresóis, iodo), derivados quaternário da amônia, glutaraldeidos, formaldeidos.

O Processo de caiação (uso de cal, água de cal, cal clorada) não é utilizada para fins de desinfecção, mas apenas como indicador visual de limpeza e desinfecção realizados. A diluição recomendada pelo fabricante é fundamental porque, embora não existam reais evidencias de resistência bacteriana aos desinfetantes, o aumento da diluição pode não alcançar toda a carga contaminante presente e assim, o ?escape? pode representar perpetuação da contaminação. A rotação de desinfetantes é portanto importante para atingir o espectro de contaminação eventualmente existente e não para atingir os microrganismos que teriam apresentado resistência a desinfetantes.

CARACTERÍSTICAS DOS PRINCIPAIS DESINFETANTES
A eficácia de um desinfetante varia com o agente envolvido.

Formaldeido sob forma de gás é uma boa opção pela sua eficácia, mas deve ser usado com cuidado. A fumigação pode ser utilizada tanto por pulverização de solução de formalina a 20% (i.é. 8% de formaldeido) a uma razão de 10 litros:1000 m3 de área ou pela reação do formalina (formaldeido a 40%) com permanganato de potássio a uma razão de 620g do composto em 1240 ml de formalina para cada 100 m3 de área. A fumigação é eficiente quando a umidade relativa do ar está entre 80-90%.

Cresóis, fenóis, compostos quaternários da amônia, clorexidina, ácido peracético, iodados, hipocloritos e hidróxido de sódio são bons bactericidas e contra algumas variedades de vírus (clorexidina tenha menor efeito sobre bactéria piogênicas e pseudomonas). Hipocloritos e formaldeidos são os mais eficazes contra vírus. Na presença de matéria orgânica recomenda-se uso de cresóis e fenóis embora possam ser irritantes de pele e não os derivados da amônia quaternária e do iodo.
ESQUEMA DE LIMPEZA E DESINFECÇÃO EM MATERNIDADE, CRECHE E TERMINAÇÃO

a. remoção de sujidades umedecendo antes da varredura;
b. lavagem com água e sabão;
c. enxágüe com bastante água limpa;
d. deixar secar. Caso o ambiente esteja molhado, aumentar a concentração de desinfetante proporcionalmente.
e. pulverizar com desinfetante diluído
f. manter as instalações vazias por 48 horas antes de repovoar.

OBSERVAÇÕES FINAIS
A eficiência da profilaxia reside na aplicação planejada e ordenada de medidas voltadas para as fontes de infecção (animais infectados e que eliminam agentes de doença para o meio exterior); para as vias de transmissão (saneamento básico) e para os susceptíveis (medidas gerais de promoção da saúde ? educação em saúde, origem dos animais, alimentação, higiene pessoal, higiene operacional etc), pois nenhuma medida isolada permitirá alcançar os resultados propostos, a produtividade desejada e os lucros pretendidos.

Consulte sempre um profissional que tenha como cliente o rebanho no contexto ambiental (animais doentes/infectados + animais não doentes/não infectados + meio ambiente). Prevenir é sempre a melhor estratégia na profilaxia de doenças e sem dúvida a mais economicamente viável.
Fonte : Revista Porkworld

 

Palavras-chave: Suíno | Suínocultura | Porco | Pecuária | Orgânico
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