
Para quem não está acostumado ao mundo da tecnologia e de novas tendências, a figura de John 'Maddog' gera um misto de curiosidade com estranheza. Sua longa barba branca faz com que ele, um dos fundadores do movimento de plataforma aberta, seja facilmente confundido com um Papai Noel nas ruas - mas não nos corredores da Campus Party. Na Bienal do Ibirapuera, ele é vangloriado por muitos como um semideus, e trouxe um dos maiores público para sua palestra no palco principal da feira, na tarde de quinta-feira.
Não poderia ser diferente. Em meio a um público especializado, Maddog, apelido que ganhou na época de faculdade, faz sucesso e levanta debates acalorados entre os que defendem ativamente a plataforma de código aberto. Já no início de sua apresentação, ele atacou as gigantes do mundo dos softwares. "Atualmente o software é tratado como uma commodity, um mero produto. Os investidores adoram a idéia de construir um software, pois gastam pouco e ganham muito", disse em tom sempre muito sereno, sem fazer alarde entre o público. ?É como imprimir dinheiro?.
A platéia acompanhava a cada palavra do guru do software livre como quem vislumbrava ali em sua frente um verdadeiro Deus, que pregava ativamente a seus fiéis: ?Quantos de vocês já tiveram problemas com um software? E quantos obtiveram relatórios desses problemas? Quantos receberam uma resposta para concertar esse bug? Isso quer dizer que você foi feito um escravo da empresa que produz esse software?, pregou ele, seguido de fortes aplausos.
Maddog argumentou que hoje, muitas pessoas estão acostumadas a adaptar suas atividades aos programas com os quais lidam diariamente, e não o contrário. ?Poucas pessoas pensam em trabalhar com um software modelado para elas e para o seu estilo de vida?, disse. No meio de uma fala, ele ainda alfinetou ao perguntar à platéia ?quantas horas por mês se gasta com vírus??, o que levou a uma gargalhada geral.
Durante a sua apresentação, ele fez um apanhado histórico de como se desenvolveu a indústria do software (proprietário) até hoje e procurou mostrar as diferentes formas de como se pode, até, ganhar dinheiro com o programas de código aberto, focando principalmente a estrutura que se forma em torno da criação e implementação dessas plataformas em empresas, por exemplo.
Open Hardware, ou hardware aberto, também foi lembrado na sua fala, assim como as idéias dos computadores de baixo custo, como o OLPC e SolarPC. Maddog citou como são importantes os sistemas e plataformas computacionais abertas utilizados por empresas de grande porte, como das áreas de energia e mineração.
Em novembro de 2007, Maddog esteve no Brasil e alertou para a necessidade do desenvolvimento de equipamentos de baixo consumo energético e menos agressivos ao meio ambiente, durante a 4ª Conferência Latino-Americana de Software Livre.
Na ocasião, ele disse que a perspectiva de aquisição de 1 bilhão de novos computadores no mundo, nos próximos cinco anos, vai sobrecarregar a infra-estrutura de fornecimento de energia e exigirá um acréscimo de 25 usinas do porte da Hidrelétrica de Itaipu ao sistema elétrico mundial.