
Por duas décadas os executivos das empresas de mídia e anunciantes têm se manifestado sobre a TV interativa, que permitiria aos assinantes assistirem exatamente o que eles desejassem e quando eles quisessem. Parece que o futuro pode estar no computador, enquanto a grande mídia e as empresas de Internet desenvolvem novos programas baseados na Web e que estariam realmente sob o comando do telespectador. Enquanto os norte-americanos sentem-se mais confortáveis assistindo a programas online, a programação por Internet está começando a combinar a interatividade e a velocidade da Web com facilidade e o engajamento da televisão.
A rede a cabo Nickelodeon, por exemplo, recentemente criou o TurboCick, um serviço gratuito e que oferece 24 horas de acesso livre a programas populares como Bob Esponja e Jimmy Neutron. Ele oferece alguns programas originais também porque a jovem audiência de Nickelodeon, que pertence à Viacom, está passando cada vez mais tempo na frente do computador.
A CBS News, que também não tem rede a cabo mas é propriedade da Viacom, usa a Internet para oferecer notícias atualizadas e relatos que não cabem nos 30 minutos do CBS Evening News.
E para a America Online, que oferece uma grande variedade de programas de vídeo grátis ? da cobertura do recente Live 8 a programas ancorados por gurus dos negócios como Stephen R. Covey e Tom Peters ? a Web é uma maneira de atrair uma audiência para o novo portal da AOL. Com a AOL, a Time Warner está também produzindo, junto com o Warner Music Group, um programa para a Internet chamado The Biz. Ele procurará encontrar o próximo sucesso musical com entre as pessoas que participam do programa.
Para todos eles e outros grupos ligados à Internet, investir em um novo programa de vídeo online é um jeito de atender à demanda de anunciantes que querem pôr seus comerciais nas telas de computadores, onde novos espectadores estão gastando cada vez mais tempo. E em muitos sites, os espectadores não podem pular os comerciais de vídeo, o que eles fariam usando a TV e outros vídeos gravados.
Naturalmente ocorrem vídeos grosseiros, mal-feitos e de péssima qualidade. Os novos serviços de vídeo, contudo, podem contar com melhores aplicações e conexões mais rápidas tanto para as empresas que distribuem o conteúdo como para os usuários. Neste ano, mais da metade das casas com acesso à Internet tem acesso de alta velocidade em serviços de banda larga.
?Há massa crítica em usuários com conexões de alta velocidade na Internet e que estão desfrutando de uma boa experiência de vídeo?, afirmou Jim Walton, presidente da CNN News Group. E isto significa que pode haver massa critica também para os anunciantes.
Com o custo de conexões necessárias para transmitir vídeo sobre a Web caindo e o aumento de anúncios, a CNN, também propriedade da Time Warner, pode oferecer vídeos gratuitos pela Web, com intervalos e anúncios comerciais, substituindo um serviço que existia até então, por assinatura. ?Televisão é uma mídia muito direta, passiva e linear?, explicou Lloyd Braun, ex-chairman do grupo de entretenimento ABC, e que agora está coordenando o desenvolvimento de um centro de criação de programas originais de vídeo para o Yahoo, em Santa Mônica, Califórnia.
?O que eu acho tão atraente na Internet é que ela não é tão passiva. Ela é o meio onde os usuários estão no controle, podem adequar o conteúdo, personalizá-lo, dividi-lo e tocar dentro da comunidade deles de várias maneiras?, explicou Braun. Ele disse que estava explorando dezenas de idéias em vídeo, incluindo programação original para a Internet em praticamente todos os gêneros que são trabalhados na televisão ? esporte, jogos, drama, comédia e também shows. Os programas gerados provavelmente serão segmentados em trechos de forma que os consumidores possam montar uma grade de programação personalizada, de acordo com os seus interesses.
?Se você tentar fazer televisão em um PC, vai fracassar, porque a indústria da TV faz televisão muito bem?, assegurou o executivo. Somando a sua própria programação, o Yahoo listará a programação de outros provedores usando seus recursos de busca de vídeo em outras páginas. Por exemplo, o portal deve acrescentar clipes em vídeo de notícias das redes CNN e ABC News.
Outro evento é a extensão dos concertos Live 8 e que foram transmitidos ao vivo por Webcasts da AOL. Em torno de seis milhões de pessoas entravam no Webcast da AOL, onde elas poderiam acompanhar alternadamente os concertos em Londres, Paris, Philadelphia, Toronto, Roma e Berlim. O evento atingiu um público três vezes maior do que o que acompanhou a transmissão da MTV pela TV, embora muitas estivessem insatisfeitas com as limitações da versão para a rede: uma divisão da Viacom selecionou quais músicas deveriam tocar e também havia a narração do locutor sobrepondo a música. A AOL também oferecia aos ouvintes toda espécie de comentários, blogs sobre os bastidores e fotos, mas estes eram acessíveis ao lado do Webcast, sem interromper a música.
Enquanto a rede MTV recebe críticas, seu novo serviço MTV Overdrive está sendo elogiado pela sábia tentativa de combinar o pacote de televisão com a interatividade da Internet. Com um clique, o telespectador pode ver dezenas de shows, vídeos musicais, novos lançamentos, entrevistas com artistas e programação suplementar para shows como ?The Real World?.
Com um segundo clique, os telespectadores podem ver vários trechos de clipes de vídeo. Eles podem, também, montar uma seqüência de vídeos à sua escolha, mixando e somando parte de um desses shows ? incluindo aí vídeos e velhos programas de arquivo da MTV.
Para Alisha Davis, que uniu-se dois meses atras à MTV para ancorar novos grupos da Web, este meio oferece oportunidades e desafios que a televisão tradicional não apresenta. Sem as limitações de tempo, um Webcast à tarde pode funcionar em qualquer lugar de 10 a 20 minutos, dependendo das notícias do dia. (isto é muito mais que os três minutos que a rede MTV dedica a novos grupos.)
Enquanto ela ainda começa cada apresentação em estado de ansiedade com entrevistas com novos grupos, Davis também entende que o olhar dos espectadores de Internet é que determinarão os rumos do programa. ?Numa transmissão linear, você pode fazer referência a algo que aconteceu antes?, disse. ?Aqui, nós não podemos fazer isto. Nós montamos um show para pessoas, mas muitas deles criarão seu próprio show?, afirma. ?Nós sempre dizemos ?eu quero minha MTV?. Hoje, isto significa uma relação mais próxima, quase pessoal, seja lá no que você estiver interessado. A flexibilidade de envolvimento se aplica também ao anunciante. Serviços como MTV Overdrive ? que apresentam clipes comerciais com cerca de 15 ou 30 segundos ? trazem conteúdos que os consumidores não podem pular?, disse Judy McGrath, executiva chefe da MTV Networks.
Além disso, quando o comercial é apresentado no serviço Overdrive, um gráfico estatístico do anúncio aparecia em outra parte da tela. Este gráfico de anúncio permanecia mesmo enquanto o programa era apresentado. Se telespectadores clicavam nele, ele abria o site do anunciante. ?O anúncio de banda larga é emocionante e cheio de impacto?, assegurou Matt Wasselauf, presidente da Broadcast Enterprises, empresa que vende anúncios de vídeo via Internet. Ele afirmou que anúncios em vídeo já produziram 100 vezes mais cliques do que simples banners em páginas da Web. Um típico anúncio na Internet custa cerca de 15 a 20 dólares para cada mil telespectadores, quase tanto quanto as redes de transmissão cobram. O preço é alto porque há mais procura por anunciantes do que há nos programas disponíveis de vídeo de Internet. As empresas de banda larga acreditam que cerca de US$ 200 milhões serão investidos em vídeo pela Internet neste ano, superando com folga os US$ 75 milhões aplicados no ano passado. Isto é pouco em comparação com os US$ 65 bilhões gastos na transmissão de anúncios de televisão a cabo, mas este número continua crescendo rapidamente.
Enquanto muito do desenvolvimento do vídeo na Internet está agora sendo dirigido para publicidade, está crescendo a safra de serviços pay-per-view e vídeos por assinatura. No verão, a CNN introduzirá a CNN Pipeline, um novo serviço mediante assinatura e que dará aos telespectadores a possibilidade de escolher até quatro horas de programa de vídeo ao vivo, incluindo aí o acesso a um acervo extenso de clipes de vídeo. Outra atração é a nova CourtTV, que cobrará uma mensalidade de US$ 4,95 para que o espectador assista até três julgamentos ao vivo, simultaneamente, além de liberar acesso a depoimentos e defesas de doze julgamentos passados.
Já há cerca de meio milhão de pessoas pagando para ter acesso a Webcasts ao vivo da liga de Beisebol, a US$ 3,95 por jogo ou um pacote ilimitado de US$ 14,95 mensais. Isto é o dobro da audiência paga no ano passado.
Em tempo: especialistas da industria dizem que no futuro próximo, programas mais elaborados e criados especificamente para a Internet também emergirão. Mas a rapidez com que eles acontecerão pode depender, em parte, do desenvolvimento da tecnologia para apresentar estes vídeos no aparelho de TV, ambiente em que as pessoas estão acostumadas a passar mais tempo assistindo programas.
?Leva tempo ensinar aos consumidores o que eles podem fazer com este meio. Agora nós estamos em uma posição maravilhosa para começar a expandir o conteúdo de longa duração. Os programas de notícias em vídeo incluirão uma série de atrações musicais ao vivo, onde estrelas de cinema se entrevistarão mutuamente?, afirma Kevin Conroy, chefe do departamento de operações da AOL Média Networks. A AOL está também sondando Hollywood para comprar direitos de antigos shows e filmes de TV e podem explorar com anúncios e shows grátis na Internet, explicou Conroy.
Algo que a AOL não oferecerá em Webcast é o popular programa o Prime Time Warner, e atrações como ?Sex and the City? e ?Família Soprano?. ?Todo mundo pergunta por que não tem ?Sex and the City?, mas a série estará na Internet algum dia, mas por enquanto há milhares de horas de programação que não pode aparecer no ar em nenhum lugar?, disse Conroy.
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