Manutenção
e cuidados com a flauta transversal Por: Raul
Costa d'Avila * Universidade Federal de Pelotas Conservatório
de Música
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autorização do mesmo.
INTRODUÇÃO
Saber
cuidar da flauta é um dever de todo flautista. Como
nós, o instrumento também necessita de cuidados e
carinho, pois só assim nos dará aquele retorno
que como músicos necessitamos. Imagine-se numa
situação em que você precisando do
instrumento não poderá usá-lo porque
perdeu um parafuso, soltou uma mola ou as sapatilhas estão
grudentas. Realmente não precisamos ser um
técnico especializado, mas precisamos sim de um
mínimo de conhecimentos para que
situações como as do exemplo acima possam ser
solucionadas rapidamente, caso venham ocorrer. Com este
texto pretendo ajudar aqueles que não tiveram a oportunidade
de saber um pouco sobre estes cuidados como também
complementar o conhecimento daqueles que já conhece. Muitos
destes ensinamentos me foram ensinados por meu pai, outros pela
experiência do dia-a-dia e outros ainda em métodos
e livros especializados. É bom lembrar que com um simples
cuidado na manutenção de sua flauta evitam-se
problemas em ocasiões inesperadas e que sabendo cuidar de
sua flauta ela vai estar sempre valorizada, caso venha
vendê-la para adquirir uma outra.
CUIDADOS
GERAIS E BÁSICOS
- Sempre
guarde o estojo com a flauta num lugar fora do alcance de
crianças que não saibam como
manuseá-la ou de pessoas curiosas. - NUNCA
deixe a flauta montada em cima de uma cadeira ou cama. São
locais perigosos, pois sem querer podemos assentar. Utilize uma mesa ou
uma superfície plana, de preferência mais no
centro, onde não tem perigo de cair. - Mantenha
sua flauta longe de fontes de calor (estufas, aquecedores) e
também de fontes frias (mármore, pedras). Tanto o
calor quanto o frio poderão alterar as sapatilhas,
prejudicando seu perfeito funcionamento. - NUNCA
deixe a flauta dentro de porta-malas ou fechada dentro do carro.
Além do calor que toma indiretamente do sol, corre o risco
de ser roubada! - Ao
terminar seus estudos diários enxugue a flauta por dentro
com um pano bem absorvente (fralda) e que não solte fiapos,
enrolado numa vareta de madeira ou metal, eliminando qualquer umidade
que possa estragar as sapatilhas. -
Após enxugar a flauta por dentro é
aconselhável utilizar uma flanela para limpá-la
por fora, tirando assim as marcas da transpiração
que oxidam o metal. No mecanismo, limpe as chaves uma a uma para que o
seu funcionamento não seja prejudicado. Nunca use o mesmo
pano para enxugar por dentro e por fora. - Quando
der um intervalo em seu estudo, deixe a flauta sobre uma
superfície com as chaves paralelas à
superfície (chaves para cima). Isto evita que a saliva
escorra encharcando as sapatilhas. Periodicamente
utilize um pincel de seda bem macio para limpar todo o mecanismo da
flauta. Isto pode ser feito com ela montada e evita que a poeira
vá acumulando nos eixos e mecanismos, além de
mantê-la com uma excelente aparência. - Sempre
que possível observe se não há algum
problema de vazamento nas soldas das chaminés, fato que
normalmente acontece com flautas mais antigas. Tais vazamentos muitas
vezes não podem ser visto a olho nu, mas prejudicam muito a
sonoridade do instrumento, necessitando de cuidados especiais para
recuperá-la.
CUIDADOS
AO MONTAR E DESMONTAR A FLAUTA
- Ao montar
ou desmontar sua flauta, escolha sempre uma superfície plana
e bem larga para colocar estojo sem perigo de cair. Se for numa mesa,
coloque-o mais para o centro. - Evite
montá-la ou desmontá-la apoiando o estojo nas
pernas. - Afaste-se
de qualquer objeto que possa bater na flauta durante a montagem. - Procure
segurar sempre nas partes em que não tem mecanismos. Eles
são muito frágeis e quando segurados ou apertados
indevidamente podem trazer problemas. -
Seqüência para montagem da flauta: primeiro segure
com firmeza, com mão direita, o corpo da flauta pela parte
aonde vem escrito a marca. Depois, com a mão esquerda, pegue
o bocal e o encaixe girando-o, bem devagar, de modo que entre com
facilidade. Após isto pegue o pé, com a
mão esquerda, e o encaixe com um leve giro na base do corpo
da flauta. Ajuste-o com muito cuidado, pois o encaixe final do corpo
é muito curto e fino. - Quanto ao
alinhamento da flauta tomamos como referência as chaves do
corpo. O bocal alinha-se o seu orifício com a chave do
dó sustenido. O pé alinha-se de modo que seu eixo
coincida com o meio das chaves do corpo. -
Certifique-se de que a flauta está bem acondicionada dentro
do estojo. Muitas vezes ela pode ficar sacudindo dentro do estojo o que
acaba afetando seu mecanismo e também arranhado-a. Solucione
isto usando uma pequena flanela para ajustar a folga.
CUIDADOS
COM AS SAPATILHAS
- As
sapatilhas são responsáveis pela integridade do
som da flauta. Qualquer problema nelas como folgas, sujeira, pequenos
cortes, ressecamento, umidade excessiva, entre outros, causa
conseqüências imediatas na resposta sonora da
flauta. Muito embora sejam frágeis, quando bem cuidadas tem
bastante durabilidade. - Sempre
que começar seu estudo escove os dentes. A saliva pode
conter resquícios de alimentos (doces, café,
biscoitos, entre outros) que em contato com as sapatilhas ficam
aderidos a elas. Com o passar do tempo isto causa um pequeno
ruído quando em contato com a chaminé.
(orifícios do tubo da flauta) - Para
solucionar o problema apresentado acima, utilize o papel de seda (para
fazer cigarros). Coloque-o entre a chave e a chaminé e
pressione a chave algumas vezes até que a sujeira seja
eliminada. EM CASOS MUITO CRÍTICOS aconselha-se passar um
mínimo de talco na seda, com a ponta do dedo, espalhando-o
muito bem e depois coloque novamente entre a chave e a
chaminé, pressionando algumas vezes, como
já foi explicado. Cuidado para não deixar a parte
que tem cola na seda encostar-se às sapatilhas. - NUNCA
aperte as chaves de sua flauta com força. Isto é
ante-natural e desgasta as sapatilhas. Uma flauta bem sapatilhada nunca
necessita de força para perfeito fechamento das chaves ! - Evite
utilizar objetos com ponta para mexer ou limpar as sapatilhas. Isto,
com certeza, podem cortá-la. - Tanto o
excesso de calor como de frio podem afetar as sapatilhas. Portanto
mantenha sua flauta longe destas fontes!
LUBRIFICANDO
O MECANISMO DA FLAUTA
-
É aconselhável que periodicamente você
lubrifique o mecanismo de sua flauta. O uso no dia-a-dia,
após horas de estudo, naturalmente desgasta os eixos e para
repor isto nada melhor do que um óleo bem fino. - Primeiro
você deve ter um óleo bem fino e
específico para o instrumento (não use Singer ou
outros do gênero! Procure lubrificantes
específicos para instrumentos ) O local precisa ser bem
iluminado e utilize uma superfície bem plana e larga. Pingue
algumas gotas num pires e com uma agulha coloque-a no óleo
do pires e depois leve esta em cada eixo. É um trabalho que
precisa de tempo e paciência. O resultado
é ótimo! Todo o mecanismo vai ficar mais
ágil. - Tome
cuidado para não deixar óleo cair nas sapatilhas,
pois isto pode danificá-la. Seja
cuidadoso que tudo vai dar certo!
O
BOCAL DA FLAUTA
-
É a parte de aspecto mais simples, pois se vê
somente a embocadura (porta-lábio)com sua abertura oval,
soldada ao bocal, de perfil arredondado, para permitir ao flautista
apoiá-lo com firmeza sobre o queixo. - O bocal
está fechado à esquerda por uma rolha. Feita por
uma cortiça é furada ao meio por onde passa uma
um pino rosqueado. Na extremidade direita do pino é soldado
uma placa metálica e na extremidade esquerda temos um
arremate em forma de um chapeuzinho. - Apesar da
simplicidade exterior, o bocal é um elemento muito
frágil e muito importante da flauta. Todos os detalhes de
sua construção (local da rolha,
vedação, ângulo de solda do
porta-lábio, formato do orifício, conicidade)
determinam a qualidade e a precisão do som do instrumento.
CUIDADOS
COM O BOCAL
- Nunca
mexa no porta lábio, pois qualquer
alteração afeta no resultado da sonoridade da
flauta. O que se pode fazer é, periodicamente, limpar sua
borda interna com um cotonete. - O bocal
tem uma rolha de regulagem que é para dar o
equilíbrio na afinação. Esta rolha
nunca deve estar ressecada, pois a flauta perde na sonoridade, e
precisa manter sua regulagem com a medida que está na ponta
de sua vareta para limpar a flauta. Portanto coloque a vareta dentro do
bocal e verifique se no meio do orifício do bocal
encontra-se a marca da vareta. Caso esteja, tudo bem; caso
não esteja, solte um pouco o chapeuzinho do bocal e
faça a regulagem.
Bons
Cuidados e Boa Sorte !
*
Raul Costa d’Avila
Doutorando
no Programa de Pós-Graduação em
Música da Universidade Federal da Bahia, na classe do Prof.
Lucas Robatto.
Autor do
livro, “A Articulação na Flauta
Transversal Moderna – Uma abordagem histórica,
suas transformações, técnicas e
utilização”, publicado pela Editora da
Universidade Federal de Pelotas em 2004.
Idealizador
do projeto de tradução, com apoio das Professoras
Carmen Cynira Otero Gonçalves e Odette Ernest Dias, do
“Flauta Transversa - Método Elementar”
de Pierre-Yves Artaud, publicado pela Editora da Universidade de
Brasília em 1995.
Bacharelou-se
em Música (Flauta Transversal) pela Universidade Federal de
Minas Gerais.
Mestre em
Música, Práticas Instrumentais – Flauta
Transversal, pela Faculdade de Música Carlos Gomes / SP.
Desde 1989
é Professor da Universidade Federal de Pelotas, onde
atualmente pertence ao Departamento de Canto e Instrumento do
Conservatório de Música.
Mineiro de
Ubá, iniciou os estudos de música e flauta aos 11
anos, sob orientação de seu pai, Milton de Abreu
d’Avila. Posteriormente ingressou no Conservatório
Estadual de Música “Prof. Theodolindo José
Soares”, em Visconde do Rio Branco / MG.
Sua
formação musical foi amparada por Expedito
Vianna, professor no bacharelado, Odette Ernest Dias, professora em
diversos cursos de férias e orientadora no curso de mestrado
e Marcos Kiehl, professor e co-orientador no mestrado.
Fez cursos
de aperfeiçoamento com Artur Andrés (UFMG), Keith
Underwood (USA), Pierre- Yves Artaud (UnB), Antônio Carlos
Carrasqueira (USP) e Felix Renggli (FMCG/UFRGS).
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