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A medicina na Idade Media
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Atualizado em 07/05/2007

Quando se fala do mundo do homem medieval, a primeira impressão é de uma condição de sofrimento, que não é possível analisar sem considerar a visão do mundo que está no redor dele.

Não precisa confundir a medicina medieval como uma técnica popular bem antiquada, de fato ela era um sistema orgânico atualizado com as possibilidades da época e que abraçava todos os aspectos do homem sarado, do doente ou do doente terminal.

 

A medicina não era muito desenvolvida, os médicos até o XIII século escasseavam e as terapias não sempre eram suficientemente eficazes.

Esta ciência continuava sendo dividida em duas partes: por um lado à medicina teórica que era estritamente ligada à filosofia, por outro a cirurgia que era uma técnica mais apropriada para técnicos que para cientistas.

Grandes progressos começaram com a aplicação da mecânica a biologia, levando bem rapidamente a um maior e mais exato conhecimento do corpo humano.

 

 

 

Os métodos não eram muitos, mas a habilidade de curar feridas ou fraturas era já muito elevada, isto devido às inúmeras guerras.

Na época existiam também médicos duvidosos que passeavam pelas praças da Europa inteira, oferecendo remédios que hoje, definir esquisitos, é pouco.

Como por exemplo, a técnica de passar um ferro muito quente para quem estava sofrendo de hemorróidas ou um infuso a base de formigas, abelhas e outros insetos que é melhor não colocar, para quem sofria de freqüentes ataques de vomito.

Naturalmente a equilibrar estes aproximativos profissionais, existiam também médicos laureados em famosas universidades da época que tinham condição de parar fortes hemorragias, curar hérnias, ou verdadeiras cirurgias até na cabeça.

Até o fim do XIII século não se utilizava bisturi, mas simplesmente objetos cortantes como uma faca qualquer, esquentados no fogo.

 

Na Idade Media a cura das doenças se apóia exclusivamente no utilizo de plantas medicinais, de minerais, bebidas com álcool ou mais simplesmente com um bom descanso na cama.

Era muito freqüente a utilização de menta, babosa, erva doce, orégano, cânfora, arsênico, dormideira ou papoula, enxofre, ou muito mais ainda, ervas que veremos a seguir.

Pomadas para aplicar no corpo ou misturas para tomar eram inúmeras, como por exemplo, grão de bico cozido no leite de cabra com manteiga e açúcar para curar doenças pulmonares.

Quando porém chegava o momento de enfrentar doenças graves como a loucura ou a lepra, na realidade não existiam soluções.

A lepra chegou da Ásia no XII século e espalhou-se rapidamente em todo o continente europeu.

Esta terrível doença criava na pessoa horrorosas devastações físicas, que causavam forte mau cheiro.

È por isso que os leprosos eram confinados nos leprosários e obrigados a ter no pescoço um pequeno sino ou chocalho para evidenciar a passagem deles nas ruas publicas.

Os doentes mentais da época eram classificados de varia forma : o idiota do vilarejo que normalmente era considerado uma especie de amuleto porque se pensava que trazia sorte, os bobos bufos prestavam serviço na casa dos ricos para alegrar festas e refeições, os loucos eram internados em hospitais especializados.

Muita era a confusão entre um doente mental e um endemoninhado, na maioria dos casos era praticado o exorcismo, mas se a técnica não dava resultado nenhum para o pobre coitado não tinha outra solução que ...... uma cuidadosa queimação.

 

 

 

Os dentistas invés utilizavam apenas um método, grosseiro e muito dolorido: extrações sem anestesia complementadas de enormes e medrosas ferramentas.

Devido à escassez de higiene, os problemas nos dentes eram infinitos, mas as famílias de renda melhor ou ricas, a técnica dentaria melhorava um pouco com a ajuda de poderosos alucinógenos ou ingestões de bebidas alcoólicas que o próprio dentista elaborava.

Isso apenas para aliviar o mais possível a dor.

 

 

A alquimia pode ser considerada como progenitor da medicina moderna.

Esta ciência estudava detalhadamente as substancias, a decomposição e as características delas, isso para conseguir chegar ao mítico Elixir da longa vida, a pedra filosofal ou a maneira de transformar qualquer pobre metal em ouro ou prata.

Apesar de que na Idade Media a componente cientifica era fortemente misturada a aquela mágica, a alquimia medieval foi sem duvida um trampolim para a moderna química.

 

 

 

A primeira grande crise da medicina que se conhece ocorreu na metade do XIV século, mais exatamente no 1348, quando sempre da Ásia chegou à peste.

Com a chegada desta nova e totalmente desconhecida praga, a medicina medieval tornou-se completamente impotente.

A peste era de dois tipos: a bubônica que se manifestava com grande bolhas, menos perigosa daquela pulmonar que se transmitia no ar e afetava tudo o sistema de respiração levando a uma morte rápida.

Praticamente uma bactéria invisível e letal.

Muitos doutores da época morreram de peste e muitos outros fugiram em outras localidades, diminuindo conseguintemente a já precária assistência medica.

As ondas de peste continuaram implacáveis por mais de três séculos, abalando a intera estrutura da medicina da época.

As reações dos órgãos públicos medievais tiveram como resposta a criação de organismos dedicados à defesa desta doença; foi assim

que os médicos foram envolvidos pela primeira vez naquilo que

séculos mais tarde torna-se a moderna saúde publica.

 

 

 

Plantas medicinais.

Como já falei, as ervas eram umas das principais curas da medicina medieval.

Uma espécie de herança do conhecimento de tempos muito mais antigos.

Elas eram a disposição seja de médicos a serviço de famílias nobres,

que de pobres camponeses que conheciam o poder milagroso de

alguma planta.

Além de faculdades especializadas no estúdio, um grande mérito tem que se atribuir aos monges que desde o século XI cultivavam nos monastérios plantas de vario tipo.

Estes monastérios recebiam também pobres, mendigos e doentes com o fim de aliviar os sofrimentos da fome ou da saúde deles.

Alguns lugares desses eram mais que especializados, além da horta, os monges criavam em um trecho do terreno que ficava normalmente do lado da enfermaria ou do laboratório, cultivações de plantas especiais que utilizavam internamente ou vendiam para outras instituições.

Algumas dessas plantas listadas em velhos livros eram as rosas, a salva, a menta, o lírio e........ o feijão.    Feijão ?

Mas se o feijão é originário da América do Sul, e a descoberta de Colombo aconteceu séculos mais tarde, como isso aconteceu?

Será que a data da descoberta americana está certa ? 

Mais uma forte duvida dos históricos!

Para finalizar a seguir coloco a seguir alguma doença comum e as relativas receitas medievais de cura.

Quem quiser poderá experimentar sabores e aromas de uma época fascinante e misteriosa e, quem sabe, talvez até ficar um pouco melhor !

 

Cefaléia devida a problemas nervosos:

- Chá de betónica ( 2 gramas de folhas em 100 ml. de água ) ;

- Chá de valeriana (deixar decompor em 100 ml. de água fria por 8 horas duas colheres de chá da cortiça moída ) ;

- Chá de melissa ( um grama de folhas em 100 ml. de água ) ;

 

Cefaléia devida a excesso de trabalho ou estúdio:

- Chá de hortelã pimenta ( 2 gramas em 100 ml. de água ) ;

- Chá de lavanda ( 3 gramas de folhas em 100 ml. de água ) ;

Outras plantas indicadas pela cefaléia devida a excesso de trabalho ou estúdio são o sabugo, o girassol ( a semente ) e a mangerona.

 

Contusões ou reumatismos :

- Deixar 10 gramas de arnica em 100 ml. de álcool de 70˚ por uma semana, diluir por cinco vezes em água e aplicar na região.

Não ingerir porque é tóxica ;

- Bagas pretas de louro: colocar 20 bagas em 100 ml. de azeite de oliva por cinco dias, aplicar com algodão na região interessada ;

As folhas de louro ( como chá ) são excelentes também pela digestão.

 

Tosse :

- Chá de alteia ( melhor a raiz ou em substituição folhas ou flores ) : 2 gramas em 100 ml. de água, repetir até três vezes por dia ;

- Chá de timo ( 2 gramas em 100 ml. de água com bastante açúcar, repetir até três vezes por dia ) ;

- Chá de tília ( 3 ? 4 gramas de flores em 100 ml. de água, duas ou três vezes por dia )

- Chá de mirto ou murto ( um grama de folhas em 100 ml. de água, uma ou duas xícaras por dia ) ;

Outras plantas indicadas pela tosse são a violeta, o pinheiro e o lariço.

 

Febre :

- Chá de agrifólio ( 3 gramas de raiz ou folhas em 100 ml. de água ) ;

- Chá de folhas de faia ( 3 gramas em 100 ml. de água, duas vezes por dia ) ;

- Chá de freixo ( 2 gramas de cortiça moída em 100 ml. de água, três xícaras por dia ) ;

- Chá de salgueiro ( uma colher de cortiça moída em 100 ml. de água, deixar esfriar na cortiça por meia hora, tomar duas vezes por dia ).

 

Insônia :

- Chá de melissa ( um grama de folhas em 100 ml. de água ) ;

- Chá de lúpulo ( uma colher de flores de lúpulo em 100 ml. de água, deixar esfriar por 10, 15 minutos, tomar antes de deitar ) ;

- Chá de tília ( 3, 4 gramas de flores em 100 ml. de água, duas ou três vezes por dia ) ;

- Chá de flores da laranjeira ( 2 gramas de flores secos em 100 ml. de água, adoçar com açúcar ou mel ).

 

Dor de dentes :

- Chá de cravo ( uma colher de cravo em 100 ml. de água, quando esfriado bocejar mais possível na parte doente ) ;

- Cravo ( esmagar um cravo com o dente interessado o mais forte possível ) ;

- Folhas de salva ( como prevenção mastigar folhas de salva mínimo uma vez por dia, deixa dentes brancos e hálito perfumado ) ;

 

Esfriado :

- Chá de sambuco ( 3 flores de sambuco em 100 ml. de água, duas vezes por dia ) ;

- Chá de malva ( 3 gramas de flores ou folhas em 100 ml. de água, três vezes por dia ) ;

- Chá de eucalipto ( 2 gramas de folhas em 100 ml. de água, três vezes por dia, adoçar bastante com açúcar ou mel ) ;

 

Queimaduras leves :

- Alteia (duas colheres de folhas ou duas colheres de raiz moídas em meio litro de água, deixar por 4 ? 5 horas e aplicar na região interessada ) ;

- Marmelo ( deixar duas colheres de sementes de marmelo em meio litro de água por 10 horas, recolher a papinha em um pano e aplicar na região interessada ).

 

 

A Ciência moderna a começar do XVII século negou o efeito positivo de curas consideradas antiquadas e populares, mas com o passar do tempo descobriu que a maioria delas haviam muitas propriedades benéficas.

É um clássico da historia do homem:

antes se nega tudo, depois se descobre o que já se conhecia.

Palavras-chave: Medicina | Medieval | Idade | Media
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