
O mercado nacional de desenvolvimento de software ainda está à espera de um ?boom?. Há exatamente um ano, o governo do presidente Lula animou o setor com o anúncio de um pacote de incentivos às exportações e ao desenvolvimento industrial. A meta fixada pelo governo previa que, até 2007, as exportações passariam de US$ 100 milhões para US$ 2 bilhões por ano. No entanto, o setor não arrancou devido a dois entraves: à alta carga tributária e à falta de financiamento do próprio governo.
De lá para cá, a questão tributária até passou por uma reformulação, com a alteração da incidência do Cofins. Mas, beneficiou apenas as empresas com longas cadeias produtivas porque acabou com a cobrança acumulativa do imposto. O problema é que a área de software não tem cadeia longa. Na prática, o efeito foi ao reverso. ?A carga tributária mais do que dobrou?, ressalta Mauro Carvalho, diretor da Pitang, empresa de desenvolvimento de software.
O governo reconheceu o problema e anunciou que a indústria de software voltaria a ser tributada pelo padrão anterior. Só que até agora a promessa não saiu do papel. Para os empresários, o governo também deveria fazer o papel de comprador para estimular as vendas e a aceitação dos produtos no mercado interno. Os preços dos pacotes de softwares americanos não deixam brecha para concorrência nacional. Um produto brasileiro chega a custar 20% a mais do que a média no exterior. ?Isso acontece porque os componentes nacionais são desenvolvidos para uma necessidade específica?, explica o Bruno Trevisan, diretor da Associação Cluster São Carlos de Alta Tecnologia.
Por outro lado, o software nacional é vantajoso em relação aos de fora por conta do bom desempenho do serviço associado. As empresas brasileiras se especializaram em desenvolver soluções de negócios para bancos, transporte e tecnologia de games. Daqui para frente, se não houver um verdadeiro aquecimento das exportações, a tendência é que o mercado expanda no segmento de serviços como help desk, gestão de infra-estrutura.
?Estou otimista. Acho que o mercado tem potencial para crescer, independente das iniciativas do governo?, afirma Mauro Carvalho, da Pitang. A explicação é simples. Estima-se que o mercado mundial de softwares deverá triplicar nos próximos cinco anos, chegando a US$ 900 bilhões. Dos três principais segmentos do setor - serviços, softwares de pacotes e software embarcado -, o que mais tem crescido é o de serviços, de acordo com a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico).