
Pode-se dizer que 2005 foi um ano positivo para os setores de informática e telecomunicações, mas sempre vale lembrar algumas promessas que não foram cumpridas. Para chegar aos "micos" do ano, entrevistamos especialistas do mercado. Confira.
PC Desconectado
Demorou, mas o Natal chegou e trouxe, finalmente, o "Computador Para Todos". A campanha publicitária está na TV, o produto nas lojas e as pesquisas mostram que a população tem a intenção de comprar o computador popular. Mas uma questão continua em aberto: o acesso à Internet. O Governo Federal ainda não definiu como será o pacote de acesso à Web, aspecto fundamental para garantir a inclusão social e digital. ?Baratear a máquina é apenas parte do processo de inclusão digital. De que adianta um computador sem Internet??, ressalta Cássio Vecchiatti, conselheiro do CGI.br (Comitê Gestor de Internet no Brasil).
Vecchiatti explica que para viabilizar o acesso é necessário eliminar barreiras como os altos impostos cobrados das empresas de telecom. ?Mais de 40% dos custos de tráfego de dados são tributos?. Além disso, acrescenta o conselheiro do CGI.br, é preciso um esforço da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicação) e das teles em conciliar seus interesses na hora de viabilizar acesso. ?Não pode haver monopólios e é preciso avaliar o custo e a possibilidade de acesso, como, por exemplo, levar banda larga a regiões que não têm nem telefonia?, pondera.
E o Aice?
O tão esperado telefone fixo popular pré-pago, anunciado na reta final de 2005 e com lançamento previsto para junho de 2006, não convenceu alguns analistas. Segundo Felipe Cunha, do Banco Brascan, a idéia de oferecer telefonia fixa mais barata deixou a desejar. ?O telefone social, apesar de oferecer uma assinatura mensal menor do que o plano básico, tem um sistema de tarifação pouco atraente para o usuário de baixa renda?, critica Cunha.
Antônio Tavares, presidente do conselho diretor da Abranet (Associação Brasileira dos Provedores de Internet), concorda com Cunha e diz que dificilmente as pessoas trocarão, por exemplo, um celular pré-pago pelo Aice. ?Se você tem a opção de ter um aparelho com portalibilidade, mobilidade e outras vantagens tecnológicas não compensa ter um telefone fixo?, analisa.
Anatel X Ministério das Comunicações
Para Tavares, uma das maiores decepções de 2005 foi a falta de entendimento entre a Anatel e o Ministério das Comunicações. ?As duas instituições não entraram em acordo o ano todo e quem perde com isso é o consumidor?, critica. O conselheiro aponta, por exemplo, a questão da nova tarifação para a telefonia fixa, que entrará em vigor em janeiro de 2006. ?Não vejo vantagens para o assinante com a nova forma de cobrança?. Tavares se refere à mudança na tarifação das chamadas, que a partir do ano que vem deixará de ser feita por pulso e passará para minutos. ?Antes você tinha direito a 100 pulsos pagando a assinatura, o equivalente a uma média de 400 minutos, agora terá apenas 200 minutos?, explica.
Pós X Pré
As operadoras de celular começaram 2005 com expectativas altas em relação à rentabilidade dos seus serviços e apesar do discurso positivista de final de ano, o analista de mercado Felipe Cunha afirma que o resultado não foi o esperado. Para Cunha, um dos erros que levaram à arrecadação abaixo do esperado foi o investimento focado no aumento da base de pré-pagos. ?Além de gastar pouco, o cliente pré não cria vínculo com a operadora?. O analista complementa que assinantes pós-pagos além de serem mais estáveis, gastam mais com telefonia móvel.