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MPEG - O segredo da compressão de sinal
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Atualizado em 06/08/2008





Julio Cohen *

Você já parou para pensar como as excelentes imagens da TV por assinatura podem chegar a você por satélite? Ou como são armazenadas horas de imagens de excelente qualidade nos DVDs? Ou, ainda, como é possível transportar seis canais de áudio e centenas de canais de TV? Tudo isso é possível graças às tecnologias criadas por um grupo chamado MPEG: Motion Picture Experts Group. Este grupo foi formado pelos organismos internacionais de padronização IEC e ISSO e trabalha de forma aberta, com reuniões realizadas periodicamente para debater as conquistas alcançadas por cada um dos desenvolvedores. O MPEG desenvolveu padrões que estão cada vez mais presentes em nossas vidas. Equipamentos de home theater e computadores incorporam tecnologias criadas e padronizadas por este grupo e, sem seu trabalho, muito do que hoje é corriqueiramente utilizado talvez não existisse.

O primeiro padrão criado pelo grupo, o MPEG-1, foi terminado em 1991, e em seguida começaram os trabalhos para o desenvolvimento e padronização do formato MPEG-2. O MPEG-1 ainda é largamente utilizado em informática. Faz grande sucesso por ser o padrão de compressão de imagens utilizado pelo VideoCD, formato de vídeo doméstico amplamente adotado na China e em outros países asiáticos, onde existem milhões de players capazes de executar os milhares de títulos disponíveis. O mercado do VideoCD nessa região é tão grande que a chegada do DVD não representa uma ameaça ao formato, já que o preço dos players e discos é muito baixo. A qualidade do MPEG-1 é comparável ao VHS, porém, é interessante notar a grande quantidade de artifícios digitais que podem ser apresentados, prejudicando enormemente a qualidade da imagem, principalmente em cenas de ação.

O formato MPEG-1 também beneficiou-se do surgimento do conteúdo ?multimídia? nos computadores. Milhares de softwares, especialmente jogos, utilizam-se de vídeos MPEG-1 para trazer aos computadores imagens em movimento. Com a popularização da internet, surgiram centenas de sites com vídeos MPEG-1 dos mais variados tipos.

Com o fim dos trabalhos relacionados ao MPEG-1, o grupo passou a dedicar-se ao MPEG-2. Este padrão foi criado basicamente para oferecer imagens de qualidade superior, com a compressão de vídeo entrelaçado de 480 linhas, o padrão do NTSC (sistema de cores utilizado nos Estados Unidos e outros países). Em relação ao áudio, o MPEG-2 pode transportar múltiplos canais de áudio, ao contrário do MPEG-1, que permite a utilização de apenas dois canais.

O MPEG-2 é a base de inovações como o DVD, a televisão por satélite - disponível no Brasil através das operadoras DirecTV (com algumas modificações) e Sky - e da televisão digital. Sem ele, provavelmente, não teríamos estes meios sensacionais de entretenimento, e hoje estaríamos longe do mundo digital cada vez mais envolvente. O MPEG-2 é especialmente superior para imagens captadas eletronicamente, através de câmeras de vídeo, e é por este motivo que as grandes produções do cinema finalmente puderam ser apresentadas em todo o seu esplendor através do DVD, formato construído sobre o MPEG-2.

Provavelmente, muitos usuários dos sistemas DirecTV e Sky perguntaram-se por que existe tanta diferença de qualidade entre as imagens recebidas por suas pequenas parabólicas e aquelas armazenadas nos pequenos discos prateados de DVD. Existem várias diferenças, que vão desde a origem das imagens até a decodificação realizada no aparelho do consumidor. Estas diferenças são cruciais para determinar a qualidade final da imagem. Para entender melhor isto, vamos nos referir aos sistemas DirecTV e Sky como ?DTH?, Direct-to-Home.

O primeiro fator a ser considerado é a origem dos sinais. Os sistemas DTH costumam captar as imagens dos diversos canais através dos satélites, que distribuem estas imagens de forma analógica. Outros já transmitem o sinal comprimido e a descompressão gera falhas naturais ao processo, que degradam a imagem. Já no DVD, utilizam-se masters digitais de alta qualidade, muitas vezes gerados a partir de câmeras digitais ou de películas restauradas. Por isso, é inegável que a qualidade do material a ser transmitido pelo DTH é quase sempre inferior àquela armazenada pelo DVD.

O segundo fator determinante para a qualidade da imagem é a compressão. O MPEG-2 é um ?codec? (codificador-decodificador) de compressão, no qual é possível armazenar imagens e áudio que tenderiam a ocupar muito espaço se não estivessem comprimidos. A compressão é obtida através do descarte de material imperceptível ao olho humano e também do mapeamento de pedaços da imagem que se repetem, para que não haja redundância nas informações a serem armazenadas. As imagens sempre terão perdas, algumas mais perceptíveis que outras, mas sempre existirá algum tipo de degradação. Quando falamos em compressão, imediatamente alguns vão se lembrar do popular utilitário de compressão ?WinZip?, utilizado em computadores. Porém, ao contrário do MPEG, o formato ZIP não é ?lossy? (com perdas), e os arquivos comprimidos são restaurados perfeitamente após a descompressão.

A compressão feita pelos sistemas DTH é realizada ?on-the-fly?, isto é, imediatamente após a captação das imagens de outros satélites. A imagem destes satélites é captada num grande centro, como o da DirecTV em Colorado Springs, nos EUA, comprimida e retransmitida para o satélite. Portanto, não existe intervenção manual no processo de compressão. Como estes sistemas utilizam satélites que devem transmitir centenas de canais, entre eles canais para outros países, pacotes, etc., deve-se utilizar taxas de compressão mais altas que no DVD. Além disso, a taxa de compressão varia de canal para canal. Os satélites são equipados com ?transponders?, que são capazes de transmitir uma quantidade variável de canais de vídeo.

Portanto, quanto maior a compressão, maior a quantidade de canais transmitida. Para cada canal é definida a taxa de transmissão, e normalmente ela fica em torno de 3 Mpbs??? (megabits por segundo). Esta desigualdade na taxa de transmissão faz com que alguns canais tenham imagens muito ruins, enquanto outros, como os canais de filmes, especialmente os ?pay-per-view?, tenham uma qualidade muito boa, semelhante à do DVD. Os sistemas mais modernos permitem que seja utilizada compressão variável. O sistema monitora cada canal e vai variando, entre limites pré-determinados, a compressão de cada um.

A compressão nos DVDs é bastante diferente. Os discos passam por um processo de autoria, geralmente efetuado pelo estúdio ou por uma empresa especializada. A compressão utilizada nos DVDs também é variável. Nas cenas de ação, por exemplo, pode-se utilizar menos compressão e os artifícios digitais simplesmente não aparecem. Nas cenas mais lentas, com menos movimento, mais compressão é utilizada, economizando o espaço limitado do DVD. Como cada vez mais se está adotando DVDs de dupla camada, nos quais podem ser armazenados 9Gb de dados, o trabalho de compressão pode ser direcionado para que seja obtida uma qualidade ainda melhor de imagem. A compressão é feita por uma equipe especializada e normalmente leva tempo, por isso a qualidade final é muito superior às melhores transmissões do DTH.

A transmissão das imagens é outro fator determinante para a qualidade final das imagens. Os sistemas DTH estão sujeitos a problemas de instalação, como antenas mal direcionadas ou simplesmente rajadas de vento. Além destes fatores, explosões solares causam indesejáveis interferências eletromagnéticas nos satélites. Chuva e neve são fatores de imensa importância para a qualidade do sinal. Às vezes, com chuvas muito fortes, temos a interrupção total do sinal ou então a degradação das imagens, com desagradáveis efeitos, como paralizações ou enquadrinhamento da imagem. Já o DVD sofre bem menos com a transmissão. Os dados estão armazenados no próprio disco e a descompressão é feita dentro do mesmo aparelho. Arranhões e sujeira no disco afetam a reprodução, porém não se pode considerar que estes sejam problemas sérios, já que o formato prevê a correção dos erros causados pelos arranhões, e o DVD não sofre a interferência de fatores climáticos e de instalação que afetam o DTH.

Ao final de todo o processo, a descompressão dos sinais MPEG-2 é feita nos DVD players e decoders DTH, que são conectados de forma semelhante a TVs e/ou projetores. Utilizam também o MPEG-2 os personal video servers (PVS), aparelhos que armazenam inteligentemente horas de programação de TV.

Não podemos deixar de citar um detalhe que envolve o áudio do DVD. O MPEG-2 é um formato de compressão de vídeo e áudio. Ficou definido que o formato de áudio padrão dos DVDs região 1 seria o Dolby Digital, porém também se previu a utilização do PCM (Pulse Code Modulation, o formato descomprimido dos CDs de áudio). Nos DVDs região 2, europeus, seria utilizado o MPEG-2. Porém, na prática, isso não aconteceu, já que foram lançados títulos em Dolby Digital e, posteriormente, DTS. Pouquíssimos títulos foram lançados com áudio multicanal MPEG-2.

O futuro trará novos serviços baseados em MPEG-2. Alguns deles, como o sistema de transmissão de alta resolução ATSC, o padrão norte-americano, utilizam o MPEG-2. Portanto, vamos conviver ainda por vários anos com o MPEG-2. Por ser um formato aberto, criado por um comitê democrático, sugestões e adaptações podem ser feitas. Portanto, o mundo digital, que cada vez oferece mais inovações, trará dispositivos que provavelmente terão incorporado o excelente padrão MPEG-2.



* Julio Cohen é colaborador da revista HOME THEATER.







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