No dia 7 de novembro, a TiVo e o Yahoo anunciaram uma parceria que dá aos usuários do TiVo a habilidade de programar remotamente suas gravações usando os guias de programação online do Yahoo. Em um certo nível o anúncio não é exatamente impactante, já que os usuários do TiVo já podem acionar as gravações por meio do site da empresa. Mas ao menos em uma série de lançamentos e parcerias que tornam difusa as fronteiras entre as tecnologias usadas para criar, manipular e visualizar conteúdo de vídeo é mais significante. O ímpeto por trás destas novas entidades é simples: companhias estão reconhecendo que os consumidores querem a flexibilidade de assistir a conteúdo digital a qualquer hora e em qualquer dispositivo.
?Este movimento está em sua infância, mas o Yahoo acredita em estender o conteúdo para além do desktop. Estamos fazendo experimentos com esse conceito?, diz Lynne Hentemann, porta-voz do Yahoo.
Eles não estão sozinhos: empresas de mídia estão agora experimentando como suprir enormes quantidades de vídeo pela Internet for um preço baixo ou nulo. Por exemplo a Apple e a ABC recentemente anunciaram um acordo que permite aos donos de iPods possam assistir a amostras selecionadas das séries da ABC nas pequenas telas do iPod por poucos dólares por atração. Além disso, as redes de telefonia celular querem mostrar vídeo para os seus clientes.
Apesar de sua novidade, esses cruzamentos entre a TV, a Internet e dispositivos móveis está ganhando força. Na verdade, as linhas entre o conteúdo da TV e o conteúdo online estão se tornando difusas e os consumidores estão animados. Na verdade, eles parecem prontos e ansiosos para manipular novas mídias. Uma pesquisa recente da Jupiter Research descobriu que 25,5% dos entrevistados estão interessados em assistir a conteúdo da TV online e pelo menos 3,4% deles já fizeram isso.
Grandes empresas de mídia também não estão sozinhas em satisfazer o interesse por assistir a vídeo na Internet. Duas novas startups estão criando grandes repositórios de conteúdo de vídeo gratuito e criado por outros usuários.
YouTube, um site aberto, permite aos usuários fazer o upload de vídeos pessoais gratuitamente, viabilizando ainda que estes usuários adicionem cabeçalhos que ajudem a encontrar e identificar estes arquivos. Por exemplo, um usuário pode enviar um vídeo de seu gato atacando um travesseiro, associando as palavras ?gato?, ?animal de estimação? e ?humor?. O YouTube espera fazer pelos arquivos de vídeo o que o site Flickr fez com a fotografia: criar uma central gratuita onde as pessoas possam facilmente enviar, buscar, compartilhar e comentar suas criações. ?Estamos recebendo mais de 5 mil arquivos de vídeo por dia?, diz Chad Hurley, co-fundador e CEO da empresa. ?Nós entregamos mais de 2 milhões de vídeo a cada dia. Estamos crescendo exponencialmente?, afirma. O YouTube só anunciou que já angariou fundos da ordem de US$ 3,5 milhões da empresa de investimentos Sequoia Capital.
Enquanto isso, em outubro, outro site de servidores de vídeo, Revver, foi lançado. Seu co-fundador é Ian Clarke, executivo que está por trás da Freenet, um serviço de comunicação peer-to-peer lançado em 2001.
Naveen Chopra, diretor de desenvolvimento de negócios da TiVo sabe que o cenário do conteúdo em vídeo está mudando em todo o lugar. Perguntado sobre qual é o papel do TiVo se as pessoas se moverem além de suas TVs e salas de estar, ele inicialmente pausa e então diz: ?Essa é uma boa pergunta?, afirma.
No entanto, Chopra ainda está confiante de que mesmo se o domínio da TV como a tecnologia primária para assistir vídeo se enfraquecer, o TiVo ainda terá um papel nos lares do futuro. TiVo tem uma ?fórmula mágica situada entre a experiência do usuário, marca e funcionalidade que os usuários já conhecem e gostam?, comenta Chopra. ?Nós temos que replicar essa experiência em qualquer lugar que as pessoas queiram assistir a vídeo. Existem um milhão de maneiras diferentes pelas quais as linhas que dividem as tecnologias estão se diluindo. E nós vamos aprender o que funciona tentando e experimentando.?
Apesar de todas as suas experiências, TiVo, Yahoo e o resto ? diretores de programação nas grandes redes de TV, anunciantes, empresas de tecnologia ? não terão total controle sobre o seu destino. Esses rumos caberão, em última instância, aos milhões de espectadores que decidirão quais os modelos de visualização de vídeo serão bem-sucedidas.
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