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Música legal
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Atualizado em 21/09/2008

Sem dúvida, um dos grandes impactos sofridos pelo mercado de música com o avanço tecnológico foi a popularização dos formatos MP3 e WMA e dos sistemas de troca de arquivos de músicas pela Web. A força de formatos como MP3 e WMA é tamanha que muitos analistas acreditam que em dois ou três anos, ?velharias? como CDs, MDs ou qualquer outra forma física de armazenamento de músicas serão substituídas por players, como o iPod, da Apple, ou o Jukebox, da Creative.

Nos Estados Unidos, Europa e Japão isso já é uma realidade, ainda que parcial. Linhas de players dominam o ouvido de boa parte dos aficcionados por música, que, com a Internet, só têm o trabalho de acessar as lojas de músicas virtuais, escolher a faixa e fazer o download, pagando um determinado valor.

Serviços como iTunes Music Store (Apple), Napster, Rhapsody (RealNetworks) e o Music Unlimited (Yahoo!) já começaram verdadeiras batalhas de preço para atrair a atenção do consumidor. Por enquanto, o iTunes está levando a melhor, pois tem um sistema de cobrança baseado no download individual e está no segmento há mais tempo. Os outros serviços têm um sistema de assinatura, no qual paga-se um valor mensal ou anual para baixar quantas músicas quiser.

Brasil

E no Brasil? Por aqui, ainda contamos com o velho e ?bom? atraso quando o assunto é tecnologia, mas as coisas estão mudando. E uma das responsáveis por essa mudança é o iMusica. Líder na América Latina em distribuição de mídia digital (incluindo o encording, as ferramentas de download e o marketing), a empresa é a pioneira na operação de download de música na Internet, de forma legalizada. Ela mantém acordo de licenciamentos com mais de 120 gravadoras, desde gigantes como a EMI, até as chamadas independentes como a Trama, Indie, DeckDisc, ST2, etc.

Além das gravadoras, a empresa mantém convênios com as editoras (responsáveis pelo pagamento dos royalties) Warner-Chappell, Universal, Sony Music, EMI, BMG e outras 30 nacionais. E também tem parcerias com associações como ABEM (Associação Brasileira dos Editores de Música) e a ABER (Associação Brasileira de Editora Reunidas), que agilizam o processo de autorização dos fonogramas. Seu catálogo aparece em uma rede de lojas virtuais, tendo como parceiros portais como o MSN Music, AOL, Yahoo, Americanas.com, BRTurbo, IG, Oi Internet, Velox, Gradiente, Virgula, Antena1, entre outros.

Burocracia

Apesar de ter mais de 75 mil músicas licenciadas, o catálogo da iMusica pode ser considerado pequeno em relação ao de lojas como iTunes, Napster e Yahoo!, que contam com mais de um milhão de faixas no acervo.

A culpa, segundo Paulo Lima, diretor da empresa, é da burocracia que rege as entidades musicais. ?Nos Estados Unidos, as lojas virtuais negociam diretamente com as gravadoras, num ritmo muito mais ágil. Aqui, temos de batalhar em duas frentes: com as gravadoras e com as editoras, além de enfrentar uma série de leis que envolvem os direitos autorais e de reprodução. A coisa é muito mais demorada?, diz ele. ?Em resumo: conseguir músicas de artistas de ponta, tanto nacionais quanto internacionais, é uma tarefa árdua. E os artistas nacionais são responsáveis por até 80% dos nossos downloads?.

Preço dos players

Outro obstáculo que emperra o crescimento da música digital legalizada no Brasil é o preço dos players. ?O preço dos aparelhos, no mínimo quatro vezes maior do que em países desenvolvidos, faz com que apenas os mais privilegiados possam adquiri-los?, diz Lima.

O terceiro obstáculo são os programas de compartilhamento P2P (peer-to-peer), que fazem troca ilegal de arquivos. Justiça seja feita, esse não é um problema só do Brasil, mas do mundo inteiro. Paulo Lima afirma que a troca ilegal de arquivos é feita principalmente por jovens, que, muitas vezes, vêem no ato de trocar arquivos ilegalmente um elemento transgressor normal na juventude. ?No fim das contas, a falta de conteúdo, de players mais em conta e o uso dos programas P2P impedem o brasileiro de criar o hábito de adquirir e ouvir músicas da forma certa?, critica Lima.

2005: O ano do player

Mas, apesar dos pesares, o segmento no Brasil começa a evoluir. Segundo Paulo Lima, o crescimento está sendo construído em duas frentes: ?A partir do segundo semestre, os players chegarão com preços mais baixos no Brasil, a ponto de alguns modelos competirem com os discman. Isso significará um aumento considerável nas vendas do aparelho?, acredita o executivo.

Ele acrescenta que o iMusica está negociando a redução da burocracia para adquirir canções. ?Isso trará benefícios para todo mundo, desde o artista, passando pelas gravadoras e editoras, lojas virtuais e, principalmente, o usuário, que, ao encontrar as músicas que gosta, vai baixá-las cada vez mais?.

P2P

E a pirataria nos programas P2P? Para Paulo Lima, com a popularização dos players e o aumento tanto do conteúdo das lojas virtuais quanto da fiscalização das gravadoras, a tendência é que haja uma redução na utilização de softwares como Kazaa, Bearshare e Bit Torrent.

?Nos países onde este mercado é mais desenvolvido, o uso desses programas foi diminuindo naturalmente. É lógico que eles ainda são bastante utilizados, mas estão longe de ser a unanimidade que eram. A fiscalização mais rígida e os baixos preços cobrados pelas músicas contribuíram decisivamente. E no Brasil, onde as canções custam entre R$ 0,99 e R$ 3,99, não será diferente?, aposta Lima.

Além disso, o executivo conta que os arquivos WMA comercializados pelo iMusica contam com a tecnologia DRM (Digital Rights Management), sendo totalmente criptografados. "Com isso, a regra de uso é definida pelo dono do conteúdo, que decide quantas vezes o arquivo pode ser gravado em CD, tranferido para players, entre outras formas de reprodução?, completa.

Futuro

Para o futuro, Lima aposta na extinção do CD e de outras formas de mídia para ouvir música. ?Não posso arriscar um prazo para o Brasil, já que ainda estamos começando nesse mercado, mas nos Estados Unidos por exemplo, creio que, no máximo em três anos, as mídias atuais estarão totalmente extintas, com os players predominando no mercado e com as lojas oferecendo além do conteúdo, mais ferramentas de interação e pesquisa?. Quem viver, verá, ou melhor, ouvirá.

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Palavras-chave: Música | Legal | Mercado | Livre | Guia
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