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A Música vai no lado A e o outro lado é um DVD
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Atualizado em 07/08/2008







Quando o vocalista da banda Matchbox 20, Rob Thomas, estava planejando seu primeiro trabalho solo no final do ano passado, ele pensou em maneiras de trazer mais valor para o álbum, em parte para atrair a atenção de consumidores que pudessem ficar tentados a baixar suas músicas ilegalmente.







?Obviamente, eu não quero que as pessoas façam o download do meu álbum. Mas você não pode apenas reclamar que as pessoas estão baixando suas músicas e não fazer nada a respeito?, disse ele.



Nos últimos anos, alguns artistas incluíram um segundo disco com músicas bônus ou um pequeno DVD de forma a ganhar dos copiadores de arquivos em potencial. Mas o disco ?Something to Be? do sr. Thomas, que deve ser lançado em abril, pelo selo Atlantic, parte do grupo Warner Music, está entre os primeiros de um grande artista a ser lançado apenas em DualDisc, um novo formato que está sendo introduzido pelos grandes selos e que inclui um CD tradicional em um dos lados de um disco e conteúdo em DVD do outro. O lado DVD inclui o mesmo álbum mixado em som surround de forma que possa ser ouvido em home theaters, além de trazer 20 minutos de vídeo, um documentário, no caso do disco de Thomas.



Em um período em que o negócio da música está processando os compartilhadores de arquivos a quem a indústria acusa de gerar perdas nas vendas, os grandes selos estão apostando no formato DualDic como uma forma de dar uma ?cenoura? multimídia que pode ser usada junto com conteúdo legal. Por conta de ter conteúdo adicional, álbuns em DualDisc custam apenas um dólar ou dois em comparação com CDs tradicionais na maioria das lojas. ?Eles estão buscando formas de adicionar valor ao produto físico?, disse David Card, analista da empresa Jupiter Research.



Eles também gostariam de adicionar alguma conveniência. Quando Andrew Lack começou como o líder da Sony Music, agora Sony BMG Music Entertainment, em janeiro de 2003, ele trazia pilhas de CDs e DVDs para casa toda noite para se familiarizar com os artistas da companhia. Novo no negócio musical ? ele veio da NBC, onde havia sido presidente da rede ? Lack ficou incomodado em como era inconveniente a troca de discos entre os dois formatos.



?Eu estava pensando se não seria legal se pudéssemos virar o disco e aprender alguma coisa sobre os artistas?, disse ele. A idéia já estava em curso, então Lack decidiu fazer do produto uma de suas prioridades. Ao longo do ano passado, todos os grandes selos concordaram com as especificações do DualDisc, e nenhuma empresa iria controlá-lo. O logotipo será provavelmente licenciado pela RIAA (Recording Industry Association of America).



Revendedores, que tem sido pressionados nos últimos anos pela troca de arquivos de música e cortes nas verbas promocionais, estão otimistas quanto às possibilidades do DualDisc. Desde o início do ano, dois grandes álbuns foram lançados tanto em CD como em DualDisc: ?O? de Omarion e ?Rebirth?, de Jennifer Lopez. Cerca de um terço dos consumidores comprou o DualDisc na primeira semana, de acordo com a Sony BMG Music Entertainment, que produziu ambos. No dia 26 de abril, a companhia vai lançar o novo disco de Bruce Springsteen, ?Devils & Dust?, exclusivamente em DualDisc.



?O feedback que eu estou recebendo de revendedores me faz ficar cautelosamente otimista. Acho que o CD está chegando ao final de sua carreira e eu penso que este pode ser um substituto?, disse Lack.



Quando o formato foi lançado antes do natal passado, ainda haviam dúvidas técnicas. Os discos, imperceptivelmente mais grossos que CDs porque os dois lados são fundidos, são incompatíveis com uma fração de alguns CD players. Até agora, no entanto, poucos consumidores tiveram problemas. ?Nós tivemos uma taxa de reclamações abaixo da média?, disse Bryan Everitt, diretor de operações da Hastings Entertainment, que lida com 153 lojas de música com vários nomes.



Avanços artísticos também foram alcançados. ?Os primeiros lançamentos em DualDisc devem ter atraído apenas os grandes fãs?, disse Robert J. Higgins, o diretor executivo da Trans World Entertainment, dona da F.Y.E., Coconuts e outras cadeias de lojas de música. ?Mas os novos títulos parecem ter resolvido o problema.?



?Quando você vê um grande artista saindo em DualDisc, isso realmente determina as regras?, disse Higgins.



Até aqui, a Sony BMG tem sido a gravadora mais agressiva na promoção do formato, de acordo com diversos revendedores. Uma vez que o DualDisc incorpora formatos que já existem, ele terá uma vantagem em relação a outros produtos recentes, como o Super Audio CD e DVD-Áudio, e os revendedores acreditam que o DualDisc vai capturar uma boa fatia do mercado. Dos quatro maiores elos, apenas a EMI Music ainda não anunciou lançamentos em DualDisc mas deve fazer isso neste ano.



Entre os sinais encorajadores para o DualDisc está o recente crescimento nas vendas de DVDs de música, que quase dobraram em 2004 quando comparadas ao ano anterior. ?Achamos que os consumidores mostraram um grande desejo pelo vídeo e um dos grandes vetores para o crescimento do DVD de vídeo são os recursos adicionais. Agora você já pode ver o início disso com a música?, disse Paul Bishow, vice-presidente de marketing da Universal Music Group.



Os lojistas esperam que os consumidores vejam o paralelo com o DVD. ?Nós precisamos de algo que, quando o consumidor pegar um CD, ele irá pensar que é tão bom quanto um DVD?, afirmou Higgins da Trans World Entertainment.



Como muitos revendedores, a Trans World usualmente tira uma margem de US$ 1,50 a mais por um título em DualDisc. Mas as gravadoras esperam que preços baixos aumentem o mercado, como aconteceu com os DVDs. ?Até o dia do trabalho, nós saberemos?, disse Mike Dreese, dono da Newbury Comics, uma loja de venda de música e filmes da Nova Inglaterra. ?Isso será tanto um produto interessante de nicho ou, no próximo ano, metade dos álbuns dos grandes artistas sairão em DualDisc. Por enquanto, dado às dificuldades que o negócio de música sofreu nos últimos anos, é ótimo ver algo que vende assim que você coloca na prateleira?, finaliza Dreese.







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