
Michael Fidler, vice-presidente da divisão de produtos de consumo da Sony, ganhou força na empresa depois da nomeação de Howard Stringer, o primeiro estrangeiro a ocupar o cargo de CEO no grupo japonês, a partir de 1o. de junho. Stringer é originário da área de entretenimento e famoso pela rigidez com que conduz o setor que mais interessa em qualquer empresa: as finanças. Quanto à tecnologia em si, analistas de mercado apostam que Fidler será o no. 2 do grupo a partir de agora, ele que tem vasta experiência em marketing de equipamentos eletrônicos. Falando com exclusividade ao jornal especializado norte-americano Twice, no final de março último, Fidler alinhou algumas das perspectivas da Sony para os próximos anos. Segundo ele, esse período será marcado pelo final da transição do domínio analógico para o digital, o surgimento dos formatos de gravação digital de alta resolução e a expansão do segmento de LCD. São desafios que a Sony prepara-se para enfrentar com todas as suas armas.
O primeiro desses desafios surge já em julho, logo após a posse de Stringer, quando vence o prazo dado pela FCC (Federal Communications Commission, equivalente à Anatel nos EUA) para que os fabricantes de televisores equipem seus aparelhos com tuners digitais. A partir de 1o. de julho, pelo menos 50% da produção comercializada nos EUA ? na faixa de TVs entre 24? e 35? ? terá que ser desse tipo. Isso está implicando um enorme esforço dos fabricantes para se adequarem à nova regra (até 2007, todos os aparelhos de TV terão que estar adaptados). Veja a seguir os principais trechos da entrevista:
P ? A Sony prepara algum ajuste em seu esquema de distribuição a partir do ano fiscal 2005? R ? Bem, a nova linha Qualia começa agora a ser distribuída aos canais especializados, e deve continuar a crescer principalmente no segmento de instaladores high-end. Enxergamos também um bom potencial nos chamados clubes de varejo, mas ainda estamos analisando qual o melhor modo de entrarmos. As grandes lojas varejistas exigem um cuidado especial, porque o mix de produtos é muito grande. O público é excelente, mas precisamos ter a estratégia correta.
P ? Nota-se que cada vez mais os dólares estão indo na direção da rede Wal-Mart. Como uma marca de prestígio, qual a estratégia da Sony para se adaptar a essa mudança de mercado? R ? Temos sido parceiros da Wal-Mart, e para ser sincero não sem algumas dificuldades. Tentamos posicionar a Sony como uma marca premium dentro do amplo leque de produtos da rede, inclusive com destaque nas fachadas. Muito de nossa estratégia está focado nas lojas principais, cujo nível se baseia na composição demográfica da clientela. Preferimos nos concentrar nisso, tentando fazer o melhor, em vez que tentar atingir toda a rede de 2.800 lojas. Por exemplo, sei que eles estão se esforçando para melhorar a distribuição de HDTVs, e isso não deixa de ser uma ótima oportunidade para nós. Acredito que podemos usar essa estratégia no caso dos TVs LCD, que agora são mais acessíveis, com preços a partir de US$ 500 na faixa de 15?. Temos que ir na direção ditada pelas necessidades da distribuição.
P ? Como a Sony espera crescer no ramo de TVs CRT, quando se sabe que toda a indústria prevê um declínio desse segmento em 2005? R ? Exatamente neste momento, estamos com 30% do segmento CRT, e com planos de expansão. Os revendedores agora começam a reduzir seu leque de opções, não vão mais manter estoques tão abertos quanto faziam anos atrás. Vão ter que se especializar mais. Tradicionalmente, eles tentam preservar as marcas certas que atraem seus clientes, e nós normalmente nos damos bem nesse contexto. O desafio será termos rapidez para entrar e sair dessa categoria de produtos. A indústria vai vender 18 milhões de CRTs este ano, portanto trata-se ainda de um bom negócio. O varejo terá que dar muitos passos antes de abandonar uma tecnologia como essa.
P ? A partir da nova fase da TV Digital, com as regras da FCC que começam a valer em julho, que tipo de valor agregado a Sony poderá colocar em seus TVs digitais CRT este ano? R ? Estamos tentando manter ao máximo os prazos, mas é difícil. Provavelmente, haverá um prazo-extra para acrescentar um tuner ATSC. Por isso, em muitos modelos colocamos a função ?digital cable-ready?, que já é um belo valor agregado aos consumidores. O tuner é um custo a mais, por isso tentamos encontrar outros meios de reduzir o custo material do equipamento.
P ? A Sony vai incluir tuners ATSC em displays do tipo standard-definition (SD) este ano? R ? Depende do que a FCC decidir sobre a proposta de adiar o prazo até março de 2006 obrigando que seja a aplicado a 100% dos modelos entre 24? e 35?. Obviamente, o timing da decisão é crítico, porque a regra atual abrange 50% dos modelos até julho. Temos algumas opções para produtos SD com ATSC. Só que tudo ainda parece um pouco confuso. Não estamos falando de mudar o tamanho ou a cosmética dos TVs. Estamos num ciclo (no caso dos CRT) em que já não se investe muito. A maior parte dos novos investimentos está centrada em LCD, SXRD e Grand Wega.
P ? Quais são os planos atuais para lançamento dos primeiros equipamentos Blu-Ray nos EUA? R ? Ainda estamos trabalhando para o final de 2005, mas para ser sincero acredito mais em início de 2006. Ainda há muito trabalho a ser feito na área de proteção de conteúdo e temos que finalizar alguns elementos de aplicação. Todo o resto ? inclusive os codecs ? está pronto. Mas estamos ainda em negociações com o pessoal das gravadoras e estúdios quanto aos direitos de uso do material, e isso deve levar mais tempo.
© TWICE
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