Com o avanço da tecnologia e da internet, naturalmente surgiram pessoas interessadas em gerenciar e disponibilizar serviços de trocas e vendas online. Existem, há mais de 10 anos, várias opções para negociar produtos na internet e o MercadoLivre (ML) é somente mais uma. Cada uma tem vantagens e desvantagens, mas todas visam possibilitar a troca, compra, e venda de mercadorias e bens entre consumidores, chamadas de Pessoas Físicas (PF).
O MercadoLivre, assim como o eBay, em particular, fazem isso cobrando taxas dos vendedores, para manutenção do serviço. Particularmente eu prefiro a abordagem do Google, que utiliza outras formas para permitir pagar os custos do serviço, outras formas de renda, mais novas e menos consolidadas. Contudo, ainda está muito longe de alcançar o profissionalismo, ou no mínimo os recursos disponíveis para os negociantes em lugares mais especializados como o ML.
Pois bem, no meio da onda online, tem também as pessoas interessadas em ampliar negócios comerciais, as Pessoas Jurídicas (PJ). O que acontece é que muito frequentemente quem está começando agora a fazer negócios online não sabe distinguir isso, e muita gente mesmo mais experiente ainda não percebe as consequencias disso.
O próprio ML, que antigamente requisitava CPF para cadastramento ao site, não diferencia, no ato do cadastro de usuário, vendedores PF de PJ, mas possui ferramentas que fazem essa diferenciação na interface. O consumidor desinformado dificilmente percebe que não são mais, na maioria das vezes, consumidores vendendo produtos, mas sim lojas e estabelecimentos comerciais, com muito mais capacidade, atenção e recursos para realizar vendas do que uma PF. Isso cria um mercado e uma concorrencia muitas vezes injusta, e quase impossibilita o propósito inicial de serviços de negócios online: compra, vendas e trocas entre consumidores. Afinal de contas, PJ possui recursos suficientes para fazer negócios de outras formas.
No caso do ML, o correto seria que a diferenciação fosse clara e possibilitasse filtros para isso. Assim o usuário escolhe e toma uma decisão informado. Isso não é necessariamente culpa do ML, é apenas a forma como o mercado, de forma realmente livre, funciona.
Contudo, entendendo essa diferença, e percebendo a particularidade de cada serviço de negócios online, o usuário pode evitar dezenas de problemas, gerados por pura desinformação. Basta fazer um paralelo com negociações "offline".
Quando vendemos, compramos ou trocamos qualquer produto com uma PF, fazemos ao vivo, troca em mãos, troca de valores quase instantanea, com a garantia de que, caso dê algo errado, você pode chamar a polícia, ir brigar com a outra pessoa, ou em casos mais extremos, partir pra ignorância, tacar fogo na casa, etc.
Contudo, quando fazemos uma negociação numa loja, pagamos impostos para nos protegermos com auxílio da lei. Temos a segurança de um estabelecimento conhecendo dados dele, se informando pelo tamanho e nome da PJ.
Online a principal diferença é a forma como todas essas informações que usamos "offline" são organizadas e apresentadas. A melhor forma de se defender é, fazendo novamente um paralelo, é ter um meio de intermédio confiável. Correios, MercadoPago são intermediadores, podem ser ou não de sua confiança. Combinar um lugar (como retirar no local, etc) para se encontrar elimina o intermediador, ou pode ser considerado um meio de intermédio. É, na realidade, a forma mais aconselhável, para negociações entre PF. Contudo, ao fazer negócios com PJ, entra todos outros fatores que entrariam quando se faz negócios com qualquer PJ, online ou offline.
No fim, vale a mesma regra do que para ser um cidadão responsável: ter bom senso e se informar sempre! |