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NOÇÕES BÁSICAS SOBRE CORDAS ESTÁTICAS
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Atualizado em 04/11/2007

            NOÇÕES BÁSICAS SOBRE  CORDAS  ESTÁTICAS

 

           

          

           As cordas estáticas são ideais para trabalhos de içamento de cargas inertes ou pessoas, operações táticas, resgates, trava-quedas, trabalhos em alturas, etc. Tais cordas, por convenção, são denominadas de estáticas por apresentarem elongação passiva inferior a 2% (deformação linear com um peso corporal  padrão de 80Kg.) e sua deformação linear é muito baixa próximo à carga de ruptura. Não existe uma padronização ou regulamentação  para este tipo de comportamento, de modo a definir o que é uma corda estática e não estática.

            Existe no mercado uma infinidade de cordas que apresentam características que impede-nos  de classificarmos exatamente como sendo uma corda estática, pois muitas dessas cordas  podem ser consideradas  semi-estáticas, semi-dinâmicas ou  até mesmo dinâmicas, eis aqui o problema da definição por falta de padronização. Existe, ainda, as cordas especiais do tipo ?impact-rope? (corda de impacto), as quais, na verdade,   não deixam de ser do tipo semi-dinâmicas se avaliarmos apenas o comportamento destas quanto à deformação sob tensão.

Dentro do grupo de cordas denominadas como estáticas, há materiais  de diferentes características que as tornam as mesmas distintas, como veremos a seguir:

 

·          Matéria-prima:  na confecção da grande maioria das cordas estáticas é utilizado o nylon 6  (poliamida) e, pelo menos, mais dois materiais: o poliéster e polipropileno.

As cordas de poliéster, em geral,  tendem a ser mais neutras à ação de determinados produtos químicos, o que leva alguns fabricantes  lançar mão desse argumento para venderem as mesmas para utilização em ambientes industriais poluídos com agentes químicos, embora tal característica observada e estudada nas fibras, na prática tem-se mostrado irrelevante. De modo que não tem sentido empregarmos cordas de poliéster para uso esportivo, em trabalhos de  resgates e operações táticas.

O polipropileno já é indicado para cordas utilizadas em esportes aquáticos, como o canoísmo e outros.  Contudo, este material restringe-se  à alma da corda, sendo a capa confeccionada com o nylon 6.  Este tipo de corda flutua na água, facilitando o trabalho de resgate quando há necessidade de fazer com que a corda chegue até a vítima ou socorrista. Este tipo de corda não é indicado para a prática de rapel em cachoeiras, devido o polipropileno ser mais frágil que o nylon e mais sensível ao atrito causado por operações sucessivas de arrasto.

 

·          Maciez:  Sabemos que as cordas macias são mais fáceis de  se manusear, além de segurar melhor o nó. Entretanto, estas são menos resistentes à abrasão em relação às cordas com trama mais fechada, que são mais duras. Daí a razão das cordas estáticas, em geral, serem mais duras que as corda dinâmicas de escalada.

 

·          Capa:  A capa de uma corda estática é confeccionada em carregadores que tecem a trama com várias bobinas de fios de nylon, sendo o ajuste desta mais fechado do que os das cordas dinâmicas. Quanto maior a quantidade de feixe que compõe a trama, mais fina tende a ser a capa, o que significa menos resistência à abrasão. As cordas para aplicação  em segurança, trava-quedas e cadeira suspensa são fabricadas com três capas, sendo a capa intermediária tecida com um filamento diferenciado, geralmente amarelo, para servir de alerta de segurança. Quando a primeira capa se rompe durante atrito ou arrasto, a segunda capa aparece com o filamento amarelo, indicando que a corda deve ser substituída.

 

·          Diâmetro:  A carga de ruptura de uma corda é diretamente proporcional ao diâmetro da mesma, em proporção logarítmica. De modo que um acréscimo pequeno na bitola pode representar um ganho substancial na potência da mesma. Um corda , para uso pessoal,  tem que ter o diâmetro mínimo de 10mm e para uso geral, mínimo 12mm. Cordas destes tipo, em geral apresentam uma carga de ruptura de 2000 a 3000Kgf.

 

·          Vida útil e Substituição: A vida útil de uma corda estática não pode ser quantifica em cifras absolutas, devido a mesma estar sujeita a influência de vários fatores externos, tais como: intensidade da aplicação, freqüência de uso, condições climáticas, exposição a produtos químicos, etc.

A utilização de cargas extremas e o aplicação  diferente daquele especificado ou pretendido, podem reduzir significativamente as reservas de segurança de uma corda, comprometendo a segurança e tornando a sua substituição inevitável.

Uma corda  deverá ser imediatamente descartada ou substituída quando apresentar as seguintes ocorrências:

 

Ø       Deformações axiais e/ou radiais, como rigidez extrema, dobras e  aparência   ?esponjosa?.

Ø       Contato com produtos químicos, especialmente produtos ácidos.

Ø       Carga mecânica excessiva, exemplo:  após quedas extremas.

Ø       Trançado extremamente desgastado ou com exposição do filamento de alerta (abrasão e formação de felpas).

Ø       Manchas irreversíveis, por exemplo: gordura, óleo, betume, etc.

Ø       Carga térmica excessiva, por exemplo: contato ou fricção com calor induzido, resultando em sinais de fusão ou derretimento.

 

 

Tabela Prática  para a Duração de Uso de uma Corda:

 

 

A presente tabela serve de orientação, desde que respeitadas as observações acima.

 

Duração do Uso

Utilização

Freqüência de Uso

Max. 10 anos

Absolutamente não usada, armazenada sob ótimas condições e submetida a checagens por perito com regularidade.

 

 

-

Até 7 anos

Sem carga mecânica, curto período de utilização.

Raramente usada, por exemplo: uma ou duas vezes por ano.

Até 5 anos

Carga mecânica, curto período de utilização.

Uso de vez em quando, por exemplo: uma vez por mês.

 

Até 3 anos

Carga mecânica mínima (por ex. carga estática com peso do corpo) e uma utilização média com duração de 2 a 4 horas

Uso regular, por exemplo:  diversas vezes por mês.

Até 1 ano

Corda submetida a muito poucas horas-tarefa (carga estática com peso do corpo) e uma utilização média com duração de 2 a 4 horas.

Uso regular freqüente, por exemplo: uma vez por semana.

Menos que 1 ano

Corda sujeita a um grande número de tarefas (muitas descidas), se sob carga permanente.

Uso constante, por exemplo: todo dia.

 

 

                                                      Nilton M. Barbosa

 

Palavras-chave: Corda Estática | Corda De Poliamida | Corda De Nylon
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