NOÇÕES BÁSICAS SOBRE CORDAS ESTÁTICAS
As cordas estáticas são ideais para trabalhos de içamento de cargas inertes ou pessoas, operações táticas, resgates, trava-quedas, trabalhos em alturas, etc. Tais cordas, por convenção, são denominadas de estáticas por apresentarem elongação passiva inferior a 2% (deformação linear com um peso corporal padrão de 80Kg.) e sua deformação linear é muito baixa próximo à carga de ruptura. Não existe uma padronização ou regulamentação para este tipo de comportamento, de modo a definir o que é uma corda estática e não estática.
Existe no mercado uma infinidade de cordas que apresentam características que impede-nos de classificarmos exatamente como sendo uma corda estática, pois muitas dessas cordas podem ser consideradas semi-estáticas, semi-dinâmicas ou até mesmo dinâmicas, eis aqui o problema da definição por falta de padronização. Existe, ainda, as cordas especiais do tipo ?impact-rope? (corda de impacto), as quais, na verdade, não deixam de ser do tipo semi-dinâmicas se avaliarmos apenas o comportamento destas quanto à deformação sob tensão.
Dentro do grupo de cordas denominadas como estáticas, há materiais de diferentes características que as tornam as mesmas distintas, como veremos a seguir:
· Matéria-prima: na confecção da grande maioria das cordas estáticas é utilizado o nylon 6 (poliamida) e, pelo menos, mais dois materiais: o poliéster e polipropileno.
As cordas de poliéster, em geral, tendem a ser mais neutras à ação de determinados produtos químicos, o que leva alguns fabricantes lançar mão desse argumento para venderem as mesmas para utilização em ambientes industriais poluídos com agentes químicos, embora tal característica observada e estudada nas fibras, na prática tem-se mostrado irrelevante. De modo que não tem sentido empregarmos cordas de poliéster para uso esportivo, em trabalhos de resgates e operações táticas.
O polipropileno já é indicado para cordas utilizadas em esportes aquáticos, como o canoísmo e outros. Contudo, este material restringe-se à alma da corda, sendo a capa confeccionada com o nylon 6. Este tipo de corda flutua na água, facilitando o trabalho de resgate quando há necessidade de fazer com que a corda chegue até a vítima ou socorrista. Este tipo de corda não é indicado para a prática de rapel em cachoeiras, devido o polipropileno ser mais frágil que o nylon e mais sensível ao atrito causado por operações sucessivas de arrasto.
· Maciez: Sabemos que as cordas macias são mais fáceis de se manusear, além de segurar melhor o nó. Entretanto, estas são menos resistentes à abrasão em relação às cordas com trama mais fechada, que são mais duras. Daí a razão das cordas estáticas, em geral, serem mais duras que as corda dinâmicas de escalada.
· Capa: A capa de uma corda estática é confeccionada em carregadores que tecem a trama com várias bobinas de fios de nylon, sendo o ajuste desta mais fechado do que os das cordas dinâmicas. Quanto maior a quantidade de feixe que compõe a trama, mais fina tende a ser a capa, o que significa menos resistência à abrasão. As cordas para aplicação em segurança, trava-quedas e cadeira suspensa são fabricadas com três capas, sendo a capa intermediária tecida com um filamento diferenciado, geralmente amarelo, para servir de alerta de segurança. Quando a primeira capa se rompe durante atrito ou arrasto, a segunda capa aparece com o filamento amarelo, indicando que a corda deve ser substituída.
· Diâmetro: A carga de ruptura de uma corda é diretamente proporcional ao diâmetro da mesma, em proporção logarítmica. De modo que um acréscimo pequeno na bitola pode representar um ganho substancial na potência da mesma. Um corda , para uso pessoal, tem que ter o diâmetro mínimo de 10mm e para uso geral, mínimo 12mm. Cordas destes tipo, em geral apresentam uma carga de ruptura de 2000 a 3000Kgf.
· Vida útil e Substituição: A vida útil de uma corda estática não pode ser quantifica em cifras absolutas, devido a mesma estar sujeita a influência de vários fatores externos, tais como: intensidade da aplicação, freqüência de uso, condições climáticas, exposição a produtos químicos, etc.
A utilização de cargas extremas e o aplicação diferente daquele especificado ou pretendido, podem reduzir significativamente as reservas de segurança de uma corda, comprometendo a segurança e tornando a sua substituição inevitável.
Uma corda deverá ser imediatamente descartada ou substituída quando apresentar as seguintes ocorrências:
Ø Deformações axiais e/ou radiais, como rigidez extrema, dobras e aparência ?esponjosa?.
Ø Contato com produtos químicos, especialmente produtos ácidos.
Ø Carga mecânica excessiva, exemplo: após quedas extremas.
Ø Trançado extremamente desgastado ou com exposição do filamento de alerta (abrasão e formação de felpas).
Ø Manchas irreversíveis, por exemplo: gordura, óleo, betume, etc.
Ø Carga térmica excessiva, por exemplo: contato ou fricção com calor induzido, resultando em sinais de fusão ou derretimento.
Tabela Prática para a Duração de Uso de uma Corda:
A presente tabela serve de orientação, desde que respeitadas as observações acima.
Duração do Uso |
Utilização |
Freqüência de Uso |
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Max. 10 anos |
Absolutamente não usada, armazenada sob ótimas condições e submetida a checagens por perito com regularidade. |
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Até 7 anos |
Sem carga mecânica, curto período de utilização. |
Raramente usada, por exemplo: uma ou duas vezes por ano. |
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Até 5 anos |
Carga mecânica, curto período de utilização. |
Uso de vez em quando, por exemplo: uma vez por mês.
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Até 3 anos |
Carga mecânica mínima (por ex. carga estática com peso do corpo) e uma utilização média com duração de 2 a 4 horas |
Uso regular, por exemplo: diversas vezes por mês. |
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Até 1 ano |
Corda submetida a muito poucas horas-tarefa (carga estática com peso do corpo) e uma utilização média com duração de 2 a 4 horas. |
Uso regular freqüente, por exemplo: uma vez por semana. |
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Menos que 1 ano |
Corda sujeita a um grande número de tarefas (muitas descidas), se sob carga permanente. |
Uso constante, por exemplo: todo dia. |
Nilton M. Barbosa
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