Os gravadores digitais de televisão TiVo, que permitem que os telespectadores
reproduzam programas pulando os comerciais, transformaram pessoas que assistiam
à TV casualmente em prisioneiras em sofás, incapazes de manterem-se em dia
diante do dilúvio de programas que podem ser gravados.
Para uma atividade que supostamente deveria ser relaxante e descontraída ao
final do dia, a pessoa acaba sempre pensando que tem um monte de programas a
assistir, disse Scott Bedard, diretor de tecnologia de uma empresa de mídia
online em São Francisco. Será que um dia vou conseguir assistir a todos?,
preocupa-se ele.
O ponto mais positivo do TiVo, na opinião de muitos consumidores, é a idéia
de que não precisariam mais acomodar suas vidas aos horários da televisão. O que
muitos não conseguiram compreender é o excedente de entretenimento que é gerado
quando tantos programas favoritos podem ser gravados.
Eu adoro o meu TiVo, e fico ansiosa sempre que passo muito tempo longe
dele, diz Cori Martinelli, economista do Escritório de Estatísticas de Trabalho
dos Estados Unidos em São Francisco.
Ela muitas vezes percebe sua ansiedade. Puxa, será que a gravação do
programa deu certo? Será que alguma coisa vai terminar apagada antes que eu
possa assistir?
O gravador digital de vídeo TiVo, uma caixa preta de tamanho semelhante ao de
um aparelho de videocassete que se conecta a um televisor, funciona como um
disco rígido de computador, armazenando programas cuja gravação é programada
pelo usuário. Permite que os telespectadores pulem os comerciais, façam pausas e
retornem ao início de um programa mesmo que ele esteja sendo exibido naquele
momento.
O disco rígido tem versões de 40 e 80 horas de capacidade de gravação, e o
maior pode armazenar dezenas de filmes, episódios de seriados e programas de TV,
dependendo do ajuste de qualidade de imagem para ótimo, médio ou baixo.
Os usuários fanáticos do TiVo se queixam de que os discos rígidos de suas
máquinas rapidamente ficam cheios de programas que eles não querem perder.
A obsessão pelo TiVo pode levar usuários a ligar o aparelho mesmo quando não
está gravando nada, para realizar tarefas de rotina, como salvar programas que
estão para expirar e ainda não foram assistidos ou apagar cópias para livrar
mais espaço em disco.
Há inclusive usuários que afirmam não conseguir viver sem ele.
Kevin Coto, analista financeiro em Nova York, conta que um dia achou que a
memória tinha sido apagada e ficou descontrolado diante da idéia de perder
todos os programas salvos. Se o aparelho quebrar, saio e compro outro na hora.
Não me vejo sequer uma semana sem ele.
Fonte: Reuters
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