
O Japão não pode servir de base para nenhuma novidade tecnológica, afinal tem muita coisa que só funciona no arquipélago. É o caso da DoCoMo, uma gigante na área de telefonia celular e que já está entre a terceira e quarta geração tecnológica de aparelhos de mobilidade, enquanto no Brasil nós nem bem absorvemos os aparelhos 2,5 G (intermediários entre os digitais e os de terceira geração, que trarão recursos multimídia como padrão), já que usamos os telefones móveis para falar mesmo. Não é o isolamento que torna isso possível e também não é a renda per capita, típica de país de primeiro mundo. Se bem que os países nórdicos também tem algumas dessas características... bem o que importa é que nossos colegas nipônicos tem a vantagem de serem celeiro e laboratório de testes de muita inovação que, dependendo do mercado, vai aportar em nossas praias dali a alguns meses ou, dependendo, anos.
Estou fazendo esse prêambulo para comentar o anúncio, lá, de um gravador de DVD que usa a tecnologia Blu-ray. O produto, no caso, é da Matsushita Electric, mas pode chamar de Panasonic e o produto é o DMR-E700BD. Ele já aceita trabalhar com discos Blu-ray de dupla camada, o que significa uma capacidade de armazenamento de até 50 Gigabytes.
Por sua capacidade, o aparelho pode ser usado para gravar tanto sinais de vídeo em formato standard como transmissões em alta definição (cerca de 4 horas e meia de de programação HDTV ou 63 horas de transmissões standard).
O aparelho segue a onda recente de lançamentos no mercado internacional que incorporam sintonizadores de sinais de satélite. Em seu anúncio de divulgação à imprensa, a empresa ressaltou que os próximos jogos olímpicos, que terão parte de sua cobertura em HDTV vão impulsionar as vendas desse tipo de aparelho, que, claro mantém compatibilidade com discos de DVD já existentes.
O anúncio acontece pouco tempo depois do DVD Forum, entidade que congrega os fabricantes de aparelhos e mídias ter anunciado a aprovação das normas para o HD-DVD ROM, outro candidato a sucessor do DVD visando o mercado de alta definição.
O movimento sugere que a Panasonic desafia o DVD Forum (do qual faz parte) ou que ela ignora completamente a discussão é vem a campo para defender o formato Bly-ray com um primeiro produto comercial, que deve estar disponível ainda no mês de julho?
Claro que não. Para que um formato vença a batalha, não basta dispor de produtos no mercado. Antes é preciso convencer os estúdios a abraçarem um desses novos padrões, o que motivará o lançamento de títulos como filmes e shows, o que por sua vez constituirá a base para outros fabricantes fabriquem aparelhos compatíveis e daí por diante.
Muitos acham que a briga pelos formatos é uma versão digital da briga entre o VHS e o Betamax. Quem tem mais de trinta anos lembra de uma época em que não se sabia qual deles ganharia a guerra e eu me lembro de histórias de pessoas que, arrependidas, compraram aparelhos Beta que tinham poucas fitas de filmes para alugar (foi daí que nasceram as videolocadoras). Mas embora essa história seja relembrada com freqüência, eu discordo que estejamos assistindo o mesmo roteiro mas com outros protagonistas.
Vejam: o Blu-ray tem o endosso de uma série de fabricantes, enquanto o HD-DVD tem a vantagem de oferecer uma transição mais tranqüila para os estúdios e gravadoras que fabricam os discos. Mas será que isso e Toshiba e NEC (as que empurram o HD-DVD para a frente) será o suficiente para ganhar a batalha?
Difícil dizer. Até porque os primeiros aparelhos de HD-DVD devem chegar ao mercado no final de 2005 ou em 2006.
Se o Bly-ray já tem um aparelho à venda, que vantagem ele não terá até o final do próximo ano quando uma nova leva de aparelhos competirá pela atenção do consumidor, formando uma base instalada que carregará atrás de si os compradores ávidos por novidades e os estúdios atrás de novos terrenos para conquistar.
Não, caro leitor, definitivamente não é uma versão revista de VHS versus Betamax. Está mais para uma versão eletroeletrônica da corrida espacial, onde quem chega primeiro tem a vantagem competitiva.
E o Sputnik já foi lançado.
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