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Atualizado em 06/08/2008



Mais empresas entram no segmento de satélite, com foco nas camadas não atendidas pelo cabo. Enquanto notícias sobre novas TVs a cabo e MMDS escasseiam, nos últimos meses o mercado tem sido agitado pelas notícias do DTH. Nos Estados Unidos, foi divulgado estudo informando que naquele mercado, em média, a assinatura do DTH já estaria custando quase um dólar menos que a mensalidade da TV a cabo; a Sky e a DirecTV serão uma única empresa, criando um super-operador desta tecnologia em nível pan-regional e certamente alterando as condições de competição no mercado brasileiro; as operadoras de telefonia iniciaram parcerias com operadoras de DTH para prestar serviços de banda larga e, finalmente, no último mês, a Anatel concedeu duas novas autorizações para operar o serviço no país, e as duas empresas pretendem ocupar nichos semelhantes: as classes econômicas menos favorecidas.Banda CA primeira novidade vem com a DTH Interactive, com o nome comercial de AstralSat. Trata-se de uma operação em banda C, ao contrário de todas as outras empresas, que operam em banda Ku. Segundo Hélio Barroso, sócio gerente da empresa, a idéia de ter uma operadora nasceu em 95, estimulada pelo sucesso da implantação das antenas parabólicas em banda C: "É preciso dizer que a Globosat e a TVA começaram com muito sucesso operando na banda C", lembra Barroso. A intenção da empresa é ocupar com canais pagos a base de antenas parabólicas que hoje só pegam os canais abertos, estimada em 15 milhões de unidades especialmente no interior do país. No princípio serão oferecidos poucos canais, sem pacotes obrigatórios e a preços baixos (entre R$ 25,00 e R$ 30,00), principalmente para as classes B e C.



Em outubro começa a fase experimental, para entrar em operação comercial ao final de novembro. Barroso informa também que já foram acertados os contratos com a TNT, Cartoon, Boomerang e ESPN Brasil. O serviço será hospedado no Brasilsat B1, satélite da Embratel onde também estão os sinais da maioria das redes abertas brasileiras e para o qual estão direcionadas a maior parte das parabólicas em banda C no País (por esta razão, a empresa desistiu de operar com os canais abertos). Para captar os sinais, os proprietários das parabólicas terão de adquirir um decoder digital e pedir a habilitação junto à operadora.TercerizaçãoPara vender os decoders, a DTH Interactive fez um acordo com a Zinwell (por enquanto apenas ela, mas já há contatos com outros fabricantes), que os venderá através da rede de instaladores de antenas. Barroso explica que esta estratégia livra a empresa de montar uma estrutura de vendas: "Não é possível calcular o tamanho da economia que vamos conseguir com a terceirização porque não temos e nem teremos rede própria de comercialização de decoders para fazer a comparação. Mas a economia será significativa por evitar a formação de estoques de equipamentos, treinamento de vendedores etc..." avalia.



Os decoders da Zinwell são importados de Taiwan, mas a empresa tem intenção de fabricá-los no Brasil no médio prazo. Não haverá subsídios no preço dos equipamentos, que deverão custar entre R$ 350,00 e R$ 400,00.Além da comercialização dos equipamentos, a outra parceria da operadora será com a Comsat, que fará o uplink do sinal a partir de Hortolândia/SP. Barroso explica que "o nosso negócio é vender TV por assinatura e não construir rede, vender equipamentos ou ainda produzir conteúdo". Utilizando metade de um transponder do B1, a AstralSat vai oferecer inicialmente entre oito e dez canais. Com a contratação de mais meio transponder (que já está reservado), será possível dobrar a capacidade da operadora. Enquanto não começa a operação comercial, a empresa está se concentrando nos contratos com bancos para estabelecer a rede de pagamento para o serviço que será pré-pago através de sistema semelhante ao utilizado para o pagamento de créditos dos telefones celulares. Barroso lembra que cada banco tem o seu próprio sistema de gerenciamento desta facilidade.



Com esta proposta de empresa enxuta, a AstralSat começa com apenas 20 funcionários diretos dedicados à atividade-fim da empresa. Fora o valor pago pela outorga (R$ 370 mil), a empresa não revela o valor total de seu investimento, mas acredita que com 50 mil assinantes, número que espera atingir em um ano de trabalho, já será possível atingir o "break even" da operação.Evangélicos O processo de autorização para a segunda outorga de DTH efetivada este ano pela Anatel teve tramitação em tempo recorde, porque a agência já havia resolvido no processo anterior todas as questões relativas à inexibilidade de licitação (N.R.: não se exige licitação para outorga de DTH por ser um meio infinito, bastando entrar com um pedido na Anatel e pagar; também não há um plano de mercado para o DTH, diferentemente do cabo) e porque a TV Modelo Paulista, empresa controlada pelo pastor evangélico Romildo Ribeiro Soares - conhecido por RR Soares - entregou a tempo a documentação completa.A outorga a um pastor evangélico levanta imediatamente a questão: será um DTH evangélico ou com programação exclusivamente destinada ao público evangélico? Na visão de RR Soares, a operadora será destinada à família brasileira, sem conotação religiosa exclusiva: "Como, aliás, é a programação da Rede Internacional de Televisão (RIT), uma programação normal, que tem programas evangélicos, programas para crianças, para jovens, debates, entre muitos outros", explica Soares.O DTH é o mais novo empreendimento de uma rede de comunicações controlada por RR Soares. O pastor aluga grandes espaços na televisão aberta, controla a TV Cidade Modelo, geradora em Dourados/MS, à qual estão associadas cerca de 80 retransmissoras, 17 delas transmitindo a programação da RIT que também é produzida por Soares em diversos centros.



Há ainda duas emissoras de rádio (Rio de Janeiro e região metropolitana de Belo Horizonte) e uma gráfica. A orientação ideológica da rede de comunicação é feita pela Igreja Internacional da Graça de Deus mas, segundo RR Soares, não há nenhuma ligação econômica entre a igreja e as empresas. O projeto para o DTH é certamente ambicioso, mas não há razões para duvidar de sua viabilidade. Utilizando um satélite da NewSkies em banda Ku, serão transmitidos 36 canais (incluindo os de áudio) com investimentos previstos de US$ 18 milhões - na soma estão incluídos os valores a serem despendidos pelos assinantes para a compra dos decoders (sem subsídios da operadora), com a meta de chegar a 150 mil assinantes no primeiro ano e 900 mil assinantes ao final do quinto ano de operação.Abrindo espaço Soares foi estimulado a ter seu próprio DTH quando não conseguiu espaço em uma das atuais operadoras para transmitir a programação de sua rede de televisão: "Eu liguei para uma destas operadoras querendo colocar lá a minha rede. Disseram-me que não podiam porque era negócio de crente. Como eu, deve haver muitos que não estão conseguindo colocar os seus canais nas atuais operadoras. A porta fechada me abriu o pensamento para ter o meu sistema, que vai estar aberto para todos os que quiserem transmitir programação de qualidade", anuncia Soares, explicando que não vai transmitir programação com sexo e violência, "evidentemente". Cunhado do bispo Edir Macedo e co-fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, RR Soares segue caminho próprio em relação à agremiação original, não havendo, aparentemente, alinhamento comercial, ideológico ou político entre a Igreja Internacional da Graça de Deus, de Soares, e a Igreja Universal, de Macedo, ou entre a Rede Record e a Rede Internacional de Televisão.



A empresa não deve esperar os 24 meses possíveis para oferecer seus serviços preferencialmente às classes C, D e E competindo com os atuais operadores não apenas em preço (não mais que R$ 30,00 pela programação completa) "mas também em qualidade", de acordo com seu controlador. O DTH ainda não tem um nome fantasia definitivo. Pode vir a ser "Modelo de Televisão Brasileira", nas palavras de Soares. A empresa anunciou que operaria com todos os canais abertos do País, mas Soares reconhece que será difícil convencer algumas delas a permitir a transmissão do sinal.RR Soares recusa terminantemente a insinuação de que utilizaria a pregação religiosa em seus templos para vender assinaturas do DTH: "De forma alguma. Isso Jesus não permite.



A gente não usa o culto das igrejas para isso. Isso seria fazer da casa de Deus uma casa de negócios, o que é absolutamente contra o evangelho". Referindo-se ao episódio bíblico em que Jesus de Nazaré expulsou do templo os mercadores, Soares disse: "Não pretendemos levar chicotadas. A gente espera que o nosso pessoal nos apóie, mas a venda será feita por empresas que já existem para isso". Soares afirma ainda que sua estratégia de marketing será oferecer ao povo, "que hoje é desprezado pelos atuais operadores", uma opção de TV por assinatura com qualidade e preço.Capital Soares, que circula com desenvoltura pelo mundo e já oferece seus programas de televisão através da rede DayStar nos Estados Unidos, afirma categoricamente não ter sócios estrangeiros em seus empreendimentos: "Até te aconselho a não ter um sócio estrangeiro. Se ele tiver apenas 10%, ele manda até na sua casa. Eu já morei lá e sei como é que os gringos tratam a gente". Soares não revela os valores necessários para colocar a operadora no ar, afirmando que usa apenas recursos seus e de sua esposa, não tendo nenhuma relação comercial com a igreja: "Não recebo um centavo da igreja e também não cobro para realizar minhas pregações. Graças a Deus, por ser conhecido, meus livros vendem muito, um deles já superou os dois milhões de exemplares, e minhas empresas vão bem". Apesar disso, Soares afirma que a igreja deverá se beneficiar do empreendimento na medida em que ela tem programas na RIT, e esta será uma das emissoras transmitidas pelo DTH.

Fonte: Revista Pay-TV







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