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Numismática e o historiador
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Atualizado em 08/03/2008

Numismática e o historiador

 

Leandro Pereira dos Santos

 

 

O que significa:

 

De acordo com o dicionário houaiss,o termo numismática quer dizer ao nome dado a ciência que tem por objeto de estudo as moedas; cédulas e medalhas militares e civis.

 

A numismática e o documento histórico:

 

Antes de 1929 a noção de documento histórico abrangia somente os documentos produzidos por personalidades históricas, sendo assim de cunho oficial.Em 1929 a corrente historiográfica ?Escola dos Annales? alargou mais ainda o campo sobre a documentação, não considerando somente documentos escritos como única fonte de adquirir o conhecimento histórico,mas sim tudo o que lembra uma época ou uma geração, incluindo o seu meio circulante de valores (dinheiro).

Na década de 1980 quando a corrente historiográfica Nova Histórica Cultural decidiu considerar a mentalidade de um povo como documento histórico. Essa reforma historiográfica chegou ao ápice em 1987, quando Adam Scaff publica seu livro ?Filosofia e Verdade? onde estipula que a pesquisa histórica vagueia entre o sujeito e o objeto, sendo esse objeto qualquer tipo de artefato que esclareça a verdade sobre algum fato histórico.

 

Partes de uma cédula:

 

Autógrafo:

 

 

 

 

 

Durante um período,no início do plano cruzeiro (1942-1953), todas as cédulas que entravam em circulação deveriam receber a assinatura de qualquer funcionário da caixa de amortização.Apenas em 1953, foram criadas as micros-chancelas.

 

Marca D?Água:

 

 
 

 

 


Marca d? Água é o efeito produzido na fabricação do papel, sendo visível contra a luz nas partes claras das cédulas, geralmente com o desenho da esfinge já existente na cédula.

 

Fundo de Segurança:

 

 

 


È a impressão fraca mono ou poli cromática, incluindo ou não algarismos inscritos simetricamente em desenhos tramados. Trata-se do desenho da nota, feito para dificultar falsificações.

 

Dimensões:

 

 

 

As cédulas variam de tamanho, existindo cédulas pequenas de cerca de 5 cm até as de 40 cm de comprimento. Este também é um elemento que auxilia muito o colecionador em sua ordenação e na sua classificação.

 

Fio de segurança:

 

 È um fio de metal ou plástico acrescentado entre as fibras do papel, geralmente em posição vertical. Atualmente os fios em nossas cédulas são magnetizados e contém uma inscrição: Banco central do Brasil.

 

Micro ? Chancela:

 

A partir de 1953 as assinaturas do ministro da fazenda e do diretor da caixa de Amortização passaram a ser impressas em tamanho reduzidos nas cédulas de todos os valores, substituindo assim o autógrafo.

 

Carimbo:

 

 Sobre a impressão utilizada após a cédula ser impressa e muda o seu valor nominal ou facial a exemplo dos recentes carimbos triangulares de cruzados novos para mostrar a retirada de três zeros, modificando o valor facial da cédula já existente em estoque na casa da moeda.

 

Linguagem Numismática:

 

Flor de estampa:

 

 

É uma cédula perfeitamente preservada. O papel é limpo, firme e sem descoloração. Os cantos são agudos e no esquadro. Não há vestígios de dobras ou marcas de manuseio e descuidado. Equivalente ao ?unicirculated?.

 

Soberba:

 

 

É uma cédula com pequenos sinais de manuseio. Pode ter no máximo três pequenas marcas ou um sinal de dobra. O papel é limpo e com o brilho original. Os cantos podem apresentar pequenos sinais de uso. Equivalente a ?extremaly fine?

 

Muito Bem Conservada :

 

 

 

Uma cédula com alguns sinais de uso. Podem ter diversas marcas de dobra verticais e horizontais. O papel pode ter um  mínimo de sujeira e manchas na cor, mantendo relativa rigidez. Não deve ter cortes ou rasgos na margem, embora possa mostrar sinais de circulação. Os cantos também podem mostrar sinais de uso , porem não devem ser totalmente arredondados. Equivalente a ?Very fine?.

 

Bem Conservada

 

 

 

Uma cédula consideravelmente circulada, com muitas dobras e rugas. O papel pode estar amolecido e as margens podem apresentar pequenas falhas decorrente ao excesso de uso, porém não se admite rasgos nas dobras centrais devido ao excesso de uso. As cores ainda são visíveis porém não brilhantes. Furos de grampeador são tolerados. Equivalente a ?fine?.

 

Regular:

 

 

Uma cédula muito pesadamente manipulada, cujos danos normais ocorreram por causa da circulação pesada.

 

 

 

Padrões Monetários:

 

Mil-Réis:

 

O Brasil teve 8 padrões monetários, isso sem contar os mil Réis, que eram divididos assim:

 

1 cruzeiro= 1 mil réis

1.000.000 cruzeiro= 1 conto de réis

 

Suas cédulas eram subdivididas assim:

1 mil réis         20 mil réis       500 mil réis

2 mil réis         50 mil réis       1.000.000 de réis= 1 conto de réis

5 mil réis         100 mil réis

10 mil réis       200 mil réis

 

 

Cruzeiro:

 

            Em 1942, durante o governo Vargas, foi colocado em ação um plano de reforma monetária, que extinguia o Mil-Réis e criava assim uma nova moeda, conhecida pelo nome de Cruzeiro:

 

A combinação de troca ficou acertada em:

 

1 mil réis=1 cruzeiro

1 conto de réis= 1.000.000 cruzeiro

 

No padrão cruzeiro, foram cortados 3 zeros da moeda, foi nessa época que foi criada a unidade monetária conhecida como centavos. Os centavos ficaram subdivididos assim:

 

100 réis=10 centavos             2000 réis=2 cruzeiros

200 réis=20 centavos

300 réis=30 centavos

400 réis=40 centavos

500 réis=50 centavos

1000 réis=1 cruzeiro

 

 

 

Cruzeiro Novo:

 

Em 1967, durante o governo de Castelo Branco, cuja inflação atingia índices alarmantes, foi posto em ação um outro plano econômico, que extinguia o cruzeiro e criava o cruzeiro novo, ou cruzeiro forte.As cédulas de 10,50,100 e 500 cruzeiro foram reimpressas com um zero a menos, e nas cédulas de 1000,5000 e 10000 se cortou 3 zeros

 

 

 

Cruzeiro:

 

Em 1970, durante o governo Médice, cujo o governo ficou marcado pelo milagre  econômico, outro plano encabeçado por Delfim Neto fazia o país retornar ao cruzeiro, que ficou sem cortes de zeros, ocasionando inflação descontrolada em 1975, obrigando o governo  imitir cédulas de 100.000 cruzeiros. Esse plano monetário durou até 1990.No governo de José Sarney, a infração chegava a 80% ao mês, obrigando o Banco Central a lançar uma nova moeda para circular com o cruzeiro

 

 

Cruzado:

 

O nome dessa nova moeda era cruzado. As cédulas de 10.000,50.000 e 100.000 cruzeiros foram carimbadas como 10,50 e 100 cruzados, e novas cédulas foram impressas para circular junto com o cruzeiro.

 

 

Cruzado Novo:

 

Em 1989 a inflação chegava a 50% mensais, obrigando o governo criar outra moeda para circular com as outras duas já em circulação. Essa moeda era o cruzado novo. As cédulas de 1000,5000 e 10000 cruzados sofreram cortes de 3 zeros cada.

 

1.000 cz$=  1 Ncz$

5.000 cz$= 5 Ncz$

10.000 cz$= 10 Ncz$

 

 

 

Cruzeiro:

 

No Governo Collor, foi abolido o cruzado e o cruzado novo, permanecendo o cruzeiro como moeda oficial do Brasil, se acrescentando 3 zeros na moeda:

 

1 cruzado novo= 1.000 cruzeiro

5 cruzados novos= 5.000 cruzeiros

 

 

 

Cruzeiro Real e Real:

 

Em 1993, durante o governo de Itamar Franco, quando a inflação chegou a marca histórica dos 2.500% mensais, a situação ficou alarmante. Então o ministro da fazenda (Fernando Henrique Cardoso) criou o plano Real, onde seria criadas duas moedas: o cruzeiro-real e o real, sendo que a primeira foi abolida em 1994. Atualmente a moeda oficial do Brasil é o Real. O cruzeiro Real  sofreu corte de três zeros.

 

1.000 cruzeiros= 1 cruzeiro real

 

As notas reaproveitadas foram as de 50.000,100.000 e 500.000 e formam impressas novas cédulas de 1.000,5.000 e 50.000, mas que sofreram cortes no governo de Fernando Henrique e no plano real :

 

 

 

A relação entre a numismática e o historiador:

 

A numismática é uma ciência auxiliar, isso é, serve como mais um instrumento para auxiliar o historiador na pesquisa histórica, pois o dinheiro é um documento histórico que pode revelar a verdade por detrás da relação entre sujeito e objeto.

De acordo com Scaff (1987) a verdade só é encontrada na relação cognitiva entre sujeito e objeto. As cédulas, ou melhor, as imagens que estão gravadas nas cédulas ou moedas podem ser consideradas parte da história econômica do Brasil, revelando assim como nossa economia pode influenciar na nossa história. Um exemplo: As cédulas do padrão cruzado mostram uma época de transição da ditadura para a democracia. Então as cédulas do Brasil e do mundo são instrumentos que podem revelar mais e mais sobre nossa cultura,nossa gente e nossa história.

 

 

Palavras-chave: Padrões | Cruzeiro | Cruzado | Historiador | Numismática
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