
O cadastro necessário pedido pelo MSN para acessar serviços como o Hotmail e o Messenger chama-se Passport. Com o lançamento do Live, o nome toma um sentido ainda mais literal. Se depender da Microsoft, esse será o único documento necessário para o usuário caminhar pela Web.
A empresa anunciou seus novos serviços na semana passada sem atentar demais para uma grande mudança de nome. Antes precedidos com o MSN, serviços como o Hotmail e o Messenger (quem nunca chamou o comunicador instantâneo com o nome da empresa?) agora contam apenas com a marca Microsoft. A Microsoft engoliu o MSN? "Não, longe disso. Dentro do que a Microsoft procura agora - uma integração entre software e serviço - foi o MSN quem mais avançou", garante Osvaldo de Oliveira, diretor-geral do MSN Brasil.
Tanto avanço fez do MSN responsável pelo gerenciamento online da publicidade de todos os serviços online da Microsoft. E, a partir do lançamento do Live, isso não deve ser pouco. "Continuamos desenvolvendo nossos produtos como um braço autônomo, mas sob o nome Windows Live", constata Oliveira.
Windows ao vivo
O Live é o primeiro site oficial da Microsoft a explorar a interação entre software e Web. O novo serviço "engole" o suposto substituto do Hotmail, antes denominado Kahuna, e o software Beta de segurança Windows OneCare (agora com o sufixo Live), coloca o comunicador instantâneo sob sua responsabilidade e apresenta novidades, como o Windows Live Favorites e o Windows Live Saftey Center.
No caso do atual Hotmail, a aposta da empresa está na similaridade do seu novo e-mail, chamado Windows Live Mail, com o Outlook, tanto pela interface como em funções como a capacidade de arrastar um arquivo para ser anexado. Já o antigo MSN Messenger, agora chamado de Windows Live Messenger, contará também, além da distribuição por software, com uma versão online pelo Live.
A similaridade da Web com o software continua também no Live Favorites que, a exemplo do Feedfetcher, permite a assinatura de feeds RSS e no Safety Center que, assim como sites de empresas de segurança, rastreia o PC atrás de pragas. Ambos podem ser acessados por qualquer usuário.
Tanto o e-mail como o Messenger estão fechados para usuário selecionados. Enquanto o período de testes do primeiro começará no próximo mês, com lançamento planejado para o primeiro semestre de 2006, o comunicador, segundo Oliveira, será mais limitado e não tem data pra começar ainda.
Antes e depois
A Microsoft insiste que o Live é a personificação de uma crença da empresa desde os anos 90: de que software e serviços deverão se integrar cada vez mais. Exageros à parte, o MSN já havia testado, numa página chamada Start.com, a fórmula de costumização de sites pela tecnologia AJAX. Se o MSN já havia assumido antes que não pretendia transformar seu portal numa espécie de página customizável, Oliveira diz que, com o lançamento do Live, é o usuário que pode escolher. "Não temos planos de tornar o MSN a cara do Live. O usuário terá duas homes: a com conteúdo que nós programamos ou a com o conteúdo que ele programou. A escolha é dele".
Ainda que tenha incluído um e-mail online que se apóia no Outlook e tenha começado a oferecer chek-ups de segurança na Web, é de se perguntar se o Microsoft Live, um dia, poderá ter entre seus serviços uma versão online da suíte Office, nos moldes do que, acredita-se, o Google pode estar trabalhando junto à Sun. Oliveira é enfático sobre o assunto."Não temos planos para isso. Continuamos sem mudança nenhuma no nosso desenvolvimento de softwares para PC".
O que o Live pretende - e que pode confundir usuário mais afoitos - é oferecer um suporte, chamado Office Live, a usuários que comprem a suíte. Ao invés de acessar o Word em AJAX, o dono do programa contará com instruções e moldes para atividades corporativas de pequenas empresas.