Mesmo o grande naturalista Von Martius desprezava a medicina indígena. Para ele os "selvagens" conheciam apenas algumas quantas plantas comestíveis e outras que serviam de tinturas. Das ervas medicinais teriam unicamente uma "obscura noção", quase sempre supersticiosa. Os primeiros a terem utilizado a medicina das ervas, para ele, teriam sido os bandeirantes, usando os conhecimentos adquiridos nas índias Orientais e, mais tarde, os escravos.que se adentravam na floresta à procura de substitutivos para a sua culinária e medicina tradicional.
Muitos escritos sobre as ervas indígenas existem perdidas em arquivos e bibliotecas, mas são mais consultadas como meras curiosidades, do que como fontes de consultas para trabalhos científicos.
Oxalá esteja o brasileiro e seus governos acordando para a riqueza que os rodeia. Quem sabe se está chegando a um novo ciclo, onde a atenção dada às pequenas ervas, raízes, cascas e sementes passe a ter maior importância na alimentação e farmacopéia brasileira. Pois esta importância e atenção num país como o Brasil, onde ainda se morre de fome e desnutrição, torna-se um motivo estratégico, de libertação dos medicamentos importados a alto custo, muitas vezes com princípios ativos originários de plantas de nossas matas.
Parece que os governos não têm a visão para um fato que a indústria farmacêutica internacional possui: a de que por trás de cada medicamento quimicamente sintetizado há um antepassado vegetal. |