As antiguidades em geral se inscrevem em movimentos culturais e sociais muito amplos, e as manifestações artísticas, mesmo com toda independência, não são alheias a elas. As peças de mobiliário e arte do passado, sempre apreciadas, são também participantes dos movimentos artísticos da atualidade, das mudanças na moda e do arrojo contemporâneo na decoração e no design.
Os primeiros compradores-colecionadores de peças antigas foram os humanistas, que centravam sua atenção principalmente na escultura, no bronze, e nas moedas Romanas, ou seja, nos vestígios conhecidos da Antigüidade Clássica. Esse novo gosto teve sua origem em torno dos papas, mas logo se estendeu ao resto da Europa. Verdadeiras expedições estrangeiras eram organizadas em direção à Itália, para onde se carregava toda sorte de objetos antigos.
No século XVIII, o descobrimento das ruínas de Pompéia e Herculano lançou novamente o gosto por objetos de antiguidade (Clássica ou de povos distantes no tempo) e a decoração de interiores assim o refletia. Como exemplo, na França, que então ditava a moda, modelos "à Etrusca" se impõem. Por outro lado, na Inglaterra do XVIII, a educação das classes privilegiadas era fundamentada no colecionismo de antiguidade e nas viagens culturais. O interesse por antiguidade promoveu a aparição do Neoclassicismo, que se deu diferentemente na Inglaterra, no continente, e no Brasil. Daí então, parece não mais haver grande distinção entre objetos pertencentes à Antigüidade Clássica e objetos antigos em geral, cuja valorização promove culturas no tempo e no espaço. Antiguidade, colecionismo e Neoclassicismo estavam plenamente assentados em toda a Europa no último quartel do século XVIII.
Contudo, no Brasil do XVIII e fins do XIX, as manifestações artísticas, mobiliário incluso, tentavam conciliar a hirteza hierática dos objetos de estilo nacional português, o barroco italiano que nos chega inicialmente via Mafra, e o rococó francês com sua aura Luís XIV e XV. Apesar de tantas influências, as províncias brasileiras foram bem sucedidas ao elaborarem objetos de arte e cultura que sobrevivem até hoje. Criou-se, com o barroco "abrasileirado", uma corrente decorativa e arquitetônica que perdurou até fins do século XIX. Hoje, que as artes decorativas têm um claro gosto eclético, vemos essas peças de antiguidade com um olhar lânguido e enamorado.
Se além do convencional na compra de objetos para a casa, quisermos algo que esteja de acordo com o nosso estilo de vida e ofereça distinção na elegância de formas depuradas, nada melhor que uma peça antiga ou de antiguidade. Ao comunicar contemporaneidade e antiguidade, uma peça de época pode ainda enriquecer nossa visão do mundo e estabelecer uma personalidade todavia forte. Todo o fascínio de uma peça de antiguidade pode ser encontrado nos antiquários de nossa cidade. Como portas abertas simultaneamente ao passado e ao mundo atual, nossos antiquários nos oferecem múltiplas impressões das artes decorativas e plásticas e nos encantam com sua variedade cultural.
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