
Quem gosta de tecnologia e acompanha os lançamentos mais recentes percebe que a linha que divide o segmento de entretenimento doméstico da informática é cada vez mais tênue. De fato, em alguns casos essa divisão já foi abolida faz tempo, como é o caso dos servidores de conteúdo. São computadores projetados especialmente para armazenar quantidades imensas de informação em formato digital, seja música ou vídeo, e distribuí-las em redes domésticas para vários cantos da casa. Estes produtos estão se tornando muito populares nos Estados Unidos, onde é comum o aficcionado digitalizar sua coleção de CDs ou usar a máquina para guardar arquivos que ele ?pesca? na Internet. Confesso que ainda não sei de nenhum revendedor nacional que esteja trabalhando com esse tipo de máquina e seria curioso saber se essa modalidade de equipamento terá boa aceitação no Brasil.
Por que estou falando desse assunto? Porque tive acesso a algumas novidades interessantes de empresas que estiveram presentes no Comdex Brasil, evento realizado em São Paulo na semana passada e que seguem nessa linha.
Só para contextualizar, o Comdex é um e evento que reúne fornecedores da área de tecnologia e que, tradicionalmente, eram voltadas a grandes empresas. Nos últimos anos, no entanto, seus expositores foram mudando gradualmente seu perfil e, hoje, o Comdex é um evento importante para o estabelecimento de contatos entre fabricantes e distribuidores de produtos em inúmeras categorias. A Vimarc, aliás, esteve presente com um estande divulgando as revistas Business Tech e Home Theater.
Foi esse reposicionamento que possibilitou a empresas como a Pioneer mostrar produtos interessantes como um monitor de plasma de 50 polegadas touch-screen ou a Pinnacle, com produtos de captura de vídeo domésticos e profissionais.
Também foi ocasião para que algumas empresas como Shuttle, Tecnoworld e PCChips demonstrassem seus mini bare-bones. Se o termo é novidade, eu explico: tratam-se de PCs do tipo desktop, só que super-compactos. Estas caixinhas, que podem ter pouco mais de 15 centímetros de altura, tem seus componentes preparados para gerar menos calor e ruído, características que permitiram a construção de PCs que imitam o formato de mini-systems.
Um dos expositores estava demonstrando a possibilidade de usar estes micrinhos como centrais de entretenimento doméstico, rodando um DVD em uma grande tela de plasma. O truque? Um display digital com mostradores coloridos e um conjunto de botões típicos de um mini-system com volume, sintonizador de FM, etc., mais um drive de DVD e programas específicos para a leitura de CDs de música ou DVDs, que automatizam todas as tarefas fazendo com que o usuário praticamente se esqueça de está usando um computador para acessar estes conteúdos.
A proposta tem seus atrativos, pois ainda é uma estação de trabalho completa permitindo fazer tarefas típicas como navegar na Internet ou usar programas de computador. Mas as restrições são enormes. A primeira é que estes sistemas, por mais estáveis que sejam, ainda estão sujeitas a demoradas inicializações. Você, caro leitor, teria a paciência de esperar dois, três minutos até que o seu home theater ligasse?
Outra falha está na dispersão de calor. Por mais arejados que sejam estes equipamentos, eles ainda podem ter variações de desempenho se são muito exigidos, por conta da dispersão de calor, o que é sempre um problema em equipamentos mais compactos.E, por fim, há a questão do preço. Por conta de taxas de importação, estes aparelhos chegam ao Brasil com preços elevados, o que favorece a opção por produtos fabricados no país que tem eficiência comprovada, garantia e preços mais atraentes.Na Ásia, Europa e mesmo nos EUA, os bare-bones viraram uma mania entre os aficcionados por tecnologia por seus preços baixos e pela facilidade de transporte, e por que dão conta das tarefas mais corriqueiras de um usuário de PC.
Mas mesmo com essas restrições, são um sinal de uma nova possibilidade tecnológica que está progredindo e que pode influenciar a fabricação de outros produtos no futuro. Vamos acompanhar de perto para ver o que acontece.
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