 Ele é o cineasta de maior sucesso na História, com uma série inédita de quatro filmes (Tubarão, Caçadores da Arca Perdida, E.T. e Jurassic Park) ranqueados entre as 20 maiores bilheterias de todos os tempos ? O Mundo Perdido e O Resgate do Soldado Ryan estão entre os 30 mais dessa lista. Ele é um mestre, capaz de façanhas inacreditáveis, e ao lado de seu amigo George Lucas ? que lançou seu épico Guerra nas Estrelas na mesma época de Contatos Imediatos do 3o. Grau ? é considerado responsável por algo comumente chamado de ?a infantilização de Hollywood? nos anos 70.
As produções de Steven Spielberg seriam, por esse raciocínio, um contraponto à verdadeira ?renascença? do cinema americano, que logo após a Guerra do Vietnam produziu obras-primas como Bonny & Clyde, Meu Ódio Será Tua Herança, Cabaré, Nashville, Taxi Driver e a trilogia O Poderoso Chefão. Seus filmes foram vistos por muitos como uma válvula de escape destinada a adolescentes, pré-adolescentes e adultos que gostariam de voltar a sua infância (pelo menos por duas horas). E, apesar de seu fenomenal sucesso de bilheteria, ele demorou a conseguir o respeito do establishment hollywoodiano, até que produziu e dirigiu A Lista de Schindler em 1993 ? ironicamente, o mesmo ano em que lançou Jurassic Park. Schindler, adaptação de uma história real sobre o holocausto, foi o primeiro trabalho de Spielberg a conquistar a Academia de Hollywood, iniciando uma nova fase em sua carreira, que teria continuidade com outros filmes ditos ?sérios?, como Amistad e o próprio Ryan.
Além de tudo isso, Spielberg continua sendo uma figura controvertida. Não apenas porque alguns de seus filmes foram desdenhados por muitos anos, casos de A Cor Púrpura, Hook, 1941 (que merecia melhor julgamento) e a trilogia Jurassic Park. Nenhum cineasta está livre de fracassos, nem dos perigos de uma crítica adversa. Mas a grande questão, para os detratores de Spielberg, é o seu fantástico sucesso comercial. Alguém que cria megahits como Caçadores e E.T. passa a ser suspeito como artista ? ainda que reconhecidamente competente. E quando esse alguém parte para produções de prestígio como Schindler e Ryan, corre o risco de ser apontado como arrogante e pretensioso, metido a ?empresário?do cinema.
Um gênio incontestável na arte de captar a imaginação e as emoções do público, Spielberg ousou colocar suas habilidades a serviço dos sonhos. O terror que ele conseguiu em Tubarão foi elogiado, em se tratando de um filme ?de entretenimento?, mas as mesmas técnicas, usadas no massacre de um gueto em A Lista de Schindler, foram criticadas como sendo uma ?cínica manipulação?.
O problema dessa discussão, no entanto, é como nossas sensibilidades são afetadas pelos filmes, e quando isso é justificável ou não ? sem isso, um banho de sangue como O Patriota passa a ser considerado obra-prima. Na verdade, o processo de criação de um filme não pode ser dividido entre técnicas ?boas? e ?ruins?. Com exceção de alguns poucos artistas ? como Jean Renoir, Satyajit Ray e Robert Altman, cujo estilo é logo reconhecido ? os melhores diretores, desde D.W.Griffith, foram os que ousaram mais. Eles querem atingir nossos corações, e conhecem todos os atalhos para isso.
Em Schindler, Spielberg usa as mercadorias confiscadas dos guetos para nos horrorizar e dramatizar os métodos e objetivos dos nazistas. Se isso é um truque barato, então assim também deve ser considerada a seqüência de Ladrões de Bicicleta, de Vittorio De Sica, em que o casal pobre empenha seus cobertores numa repartição do governo, algo que vários outros casais fizeram, um símbolo do que a população italiana da época era forçada a fazer para enfrentar a crise do pós-Guerra.
Sem contar seus filmes da juventude, a partir de 1968, quando dirigiu episódios de séries de TV como Marcus Welby, Night Gallery e Columbo, a carreira de Spielberg começou com um filme despretensioso. Em 71, ele filmou um especial de TV, de 90 minutos, chamado Duel (no Brasil, Encurralado), que tinha apenas dois personagens: um vendedor (interpretado à perfeição por Dennis Weaver) e um motorista de caminhão cujo rosto nunca aparece.
Depois de alguns trabalhos da TV, Spielberg estreou em Hollywood com A Louca Escapada (1974), estrelado por Goldie Hawn, contando com o maior diretor de fotografia do cinema, Vilmos Zsigmond, e trabalhando pela primeira vez com o compositor John Williams ? que faria a trilha sonora de todos os seus filmes a partir dali. O filme é uma perseguição de carros sensacional, baseada num acidente que realmente aconteceu no Texas em 1969.
No ano seguinte, Spielberg criou o que para muitos é sua obra-prima, Tubarão, um filme que continua muito popular quase 30 anos depois. Uma rápida olhada na seqüência inicial já dá uma boa amostra de um cineasta criativo e com domínio completo da câmera. Uma combinação de talento e instinto, rara para um cineasta com apenas 28 anos. Sua decisão de passar para o gênero ficção científica em seguida causou surpresa, mas como faria de novo cinco anos mais tarde em E.T., Spielberg estava ajudando a transportar toda a cultura americana de volta ao berçário.
As séries Indiana Jones e Jurassic Park, assim como 1941, trouxeram de volta um espírito pré-adolescente que se inspirou nos filmes de aventura dos anos 30 e 40. Nesse meio tempo, Spielberg teve momentos memoráveis, como a seqüência inicial de Império do Sol (1987), em que um casal inglês tenta escapar de Shangai, que acaba de ser invadida pelos japoneses, e acabam se separando de seu filho. Griffith e Eisenstein teriam feito algo semelhante, assim como Capra na sua melhor fase, mas não há muitos outros exemplos.
O Resgate do Soldado Ryan também seus grandes momentos, assim como A Cor Púrpura e Amistad, mas é fácil explicar porque A Lista de Schindler acabou sendo um marco na filmografia de Spielberg. Trata-se de um filme sobre a salvação. Todos os seus instintos voltam-se para a história real de Oskar Schindler, num melodrama para o qual Spielberg revelou-se o cineasta perfeito. Um tipo de melodrama que poderia ter sido escrito por Dickens e filmado por Griffith.
* Steven Vineberg escreve para a THE PERFECT VISION
|
É com enorme orgulho e satisfação que criamos este guia para seu conhecimento e satisfação.
Prezado leitor! Para que entendamos que foi útil este guia, pedimos com muito prazer e gentileza que antes de sair desta página, que vá até o final e responda a pergunta:

O seu voto nos motivará a descrever mais conhecimento a você e com isto menos erros em vossas compras. |
| Acredito ter lhe ajudado, com estas informações.
Por favor e gentileza, não deixe de nos agradecer com seu voto.
Um grande abraço.
|
|