
As empresas de mídia devem parar de concentrar tantos recursos na proteção do conteúdo digital para procurarem maneiras de ganhar dinheiro com música e filmes digitais, se quiserem derrotar a pirataria, afirma um estudo da KPMG, divulgado na quarta-feira.
A consultoria tributária, financeira e de seguros disse que a responsabilidade por encontrar novos modelos de negócios digitais cabe aos conselhos supervisórios das empresas e não apenas aos executivos de escalão médio. Com uma perda de receita estimada entre 8 bilhões e 10 bilhões de dólares ao ano, a questão deveria ser resolvida pelos dirigentes das corporações.
O que não se vê é um questionamento real dos modelos de negócios, disse Ashley Steel, sócia da divisão de Informação, Comunicações e Entretenimento da KPMG.
Eles se queixam dos Napsters, disse ela, referindo-se ao extinto serviço de troca de música digital condenado por violar leis norte-americanas de defesa dos direitos autorais. Mas por que os Napsters existem? Porque o mercado os quer. Steel disse que se a questão não estiver sendo discutida pelos conselhos... os conselhos têm problemas.
Desde que a expansão da tecnologia nos anos 90 alimentou o esforço para colocar música, filmes, espetáculos e livros na Web, as grandes gravadoras, estúdios de cinema e TV e editoras mundiais concentraram-se em criar software e hardware que impeça as pessoas de copiar conteúdo digital ilegalmente e revendê-lo.
A indústria fonográfica foi a mais atingida, com uma queda dramática nas vendas de CDs ao longo dos últimos anos, enquanto os chamados serviços peer-to-peer na Web, como o Napster, no qual as pessoas trocam arquivos entre si, cresceram.
As gravadoras não recebem royalties dos serviços de troca de música, como acontece no caso das rádios. Elas tentaram lançar sites de download pago de música, para combater a troca de arquivos, mas não conseguiram atingir seus objetivos.
O estudo da KPMG, que entrevistou 40 executivos de primeiro escalão em empresas importantes e produtoras independentes, bem como em grupos da Web, concluiu que os executivos da mídia se concentram mais em software de cifragem e outras tecnologias que bloqueiem a pirataria, em lugar de tentar encontrar caminhos para chegar antes dos piratas à preferência dos consumidores.
O estudo afirma que cerca de 81 por cento dos executivos confiam na criptografia para impedir a pirataria, mas Steel argumentou que os piratas sempre existirão.
O avanço nas técnicas de cifragem apenas significa que um hacker vai precisar de mais alguns dias para as decifrar os códigos do programa protetor e copiar o material protegido, afirmou a analista.
Ela lembrou o caso da indústria de vídeo doméstico, que há 20 anos combatia piratas até encontrar maneiras de conseguir lucros do vídeo apesar da pirataria. O estudo descobriu que atualmente somente 43 por cento das companhias de mídia disponibilizam algum conteúdo de maneira digital e que 57 por cento dos executivos das empresas admitem falhar ao não implementarem um processo de revisão para determinar que tipos de material digital deveria ser protegido.
Fonte: Reuters
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