Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos, que fica no interior de São Paulo, criaram um dispositivo de localização de idosos par evitar que se percam ao sair as ruas.
O objetivo é obter um aparelho rastreador que garanta maior autonomia àqueles com alguma perda de memória ou nos estágios iniciais do mal de Alzheimer. O projeto é financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que já destinou R$ 4 milhões a projetos com o objetivo de simplificar a vida dos idosos, permitindo melhor acesso ao mercado de trabalho, aos meios de transporte e à comunicação.
A tecnologia utilizada para localizar idosos com problemas de memória e a mesma usada para rastrear presos em liberdade condicional e carros roubados. Em Portugal, já existe uma pesquisa sobre o uso em pacientes com Alzheimer. ?No Brasil, nosso estudo é pioneiro", garante a pesquisadora da UFSCar, Sofia Pavarini. "O ideal é que os idosos comecem a usar o sistema desde cedo, para que tanto a família como eles próprios se preparem para as fases mais avançadas e debilitantes da doença".
No mal de Alzheimer, a progressão das lesões cerebrais causa perda de memória, incapacidade de reconhecer filhos e amigos, mudanças de humor e comportamento e, finalmente, a morte. "Mas se estimulamos as áreas que restam preservadas, diminuímos a velocidade de avanço da doença", completa Sofia.
Além de pesquisadores da área de saúde - médicos, fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais - participam do projeto engenheiros elétricos, de produção e assistentes sociais. A multidisciplinaridade dos profissionais engajados na pesquisa visa tornar mais palatável ao idoso iletrado o uso do aparelho localizador.
" Nós temíamos que os cem idosos que participam da pesquisa tivessem dificuldade para manipular o aparelho ou esquecessem de carregar sua bateria, que dura 24 horas. Mesmo nos bairros mais pobres, isso não aconteceu. Muito por causa da popularização dos celulares. Como o dispositivo lembra um telefone móvel, sempre havia alguém na casa, quando não o próprio idoso, que conseguia programá-lo e lembrava de pôr carga", ressalta Sofia.
Agora, os pesquisadores planejam testar o dispositivo m forma de relógios e cintos. "O que mais desejamos é aumentar a consciência quanto a demência ser uma questão de saúde pública. É uma doença com grande impacto nos serviços de saúde e da qual temos muito pouco conhecimento", observa Sofia.
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