
O eletrodoméstico mais popular dos lares brasileiros está com os dias contados. A televisão do futuro não será mais um simples receptor analógico, como os aparelhos que funcionam hoje na maioria das casas, mas uma High Definition TV, mais conhecida como HDTV. Baseada na tecnologia digital, esta pequena maravilha do mundo moderno levará para o ambiente doméstico imagem e som com qualidade seis vezes superior à atual, com uma nova plataforma de transmissão que permitirá o acesso à internet, convergência com outros meios de comunicação e interatividade que vai do ensino à distância e compras até ao acesso a serviços bancários.
Realidade nos EUA, Japão e alguns países da Comunidade Européia, a HDTV talvez só chegue aos lares brasileiros por volta de 2007. Isso porque ainda não foi definido que padrão de transmissão será adotado para implantar a TV digital no Brasil. A partir do momento em que houver infra-estrutura de transmissão digital no país, os televisores analógicos ainda terão uma sobrevida. Para ter acesso aos recursos de interatividade que a nova tecnologia proporciona ao telespectador, bastará instalar um set top box, uma caixinha que funcionará como conversor. Mas, gradativamente, o parque industrial irá substituir esses aparelhos e chegará o momento em que não haverá mais um televisor analógico à venda. Neste momento de transição, entrarão no mercado brasileiro os primeiros aparelhos de HDTV, preparados para transmitir som e imagem com qualidade de cinema.
Em todo o mundo, há três padrões de TV digital - o americano (ATSC), o japonês (ISDB) e o europeu (DVB) -, que vêm sendo desenvolvidos desde a década de 90 e hoje disputam a conquista de novos mercados. No Brasil, o governo acaba de conferir a algumas universidades e instituições de pesquisa a tarefa de desenvolver novos estudos para chegar ao Sistema Brasileiro de TV Digital.
Entre as opções, cogita-se até mesmo a criação de um padrão próprio, mas não está descartada a adoção de um dos três modelos já em funcionamento no mercado mundial. Porém, a partir desta definição, será necessário ainda um prazo de 18 meses para que as emissoras de TV e a indústria possam se preparar para o lançamento. Numa projeção otimista, isto significa que o funcionamento em território nacional dos primeiros aparelhos de HDTV só ocorrerá no fim da década.
Os principais objetivos do governo com o projeto são garantir o acesso de maior parte da sociedade e conseguir promover a inclusão digital através dele. Hoje, menos de 8% dos brasileiros nas cidades têm acesso à internet e, na região rural, o índice é de apenas 0,02%. Espera-se que a transmissão pelo novo sinal possa transformar cada aparelho de TV em uma porta de entrada para a rede mundial de computadores. ?O telespectador poderá interagir com sua ?caixinha?, navegando através das informações lá armazenadas?, lembra a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão e Telecomunicações (SET), Liliana Nakonechnyj. ?Para muitas pessoas que nunca trabalharam com um computador, será o primeiro contato com telas interativas, prática que poderá quebrar barreiras naturais e despertar a curiosidade?.
Para garantir o acesso a grande parte da população, será necessário o desenvolvimento dos chamados set top boxes, transcodificadores que, na prática, fazem com que uma TV comum possa funcionar como uma digital e que também pode ter funções de um computador conectado à internet. A meta é chegar à produção de um transcodificador em torno de R$ 150 para o consumidor final. No Japão, o set top box sai por US$ 85, cerca de R$ 265.
Dados do IBGE mostram que há no país cerca de 54 milhões de aparelhos de TV, que atendem à 90% da população. Mas apenas 7% dessa fatia podem pagar por uma assinatura de TV a cabo ou por satélite. Por conta disso, a preocupação do governo é garantir o acesso ao conteúdo digital de forma gratuita pela TV aberta.
Outra questão que está sendo analisada pelo governo brasileiro na escolha de um padrão de transmissão é o pagamento de royalties a empresas internacionais que produzem os softwares usados nos padrões. Os japoneses e europeus usam para áudio e vídeo o MPEG-2, programa cujo royalty custa cerca de US$ 2,50 por cada televisor. Já os americanos usam essa tecnologia apenas no vídeo e optaram pelo sistema Dolby para o áudio, que sai a US$ 5 o pacote. E os três sistemas usam tecnologias diferentes para os softwares que permitirão a interatividade. Os royalties cobrados por estes programas custam de US$ 7 a US$ 20. O governo estuda a possibilidade de usar softwares livres.
?Não vamos inventar a roda?, explica o superintendente de Serviços de Comunicação de Massa da Anatel, Ara Apkar Minassian. ?Mas precisamos definir um modelo de negócio que atenda às necessidades da população brasileira. A TV digital não pode, por exemplo, ser um produto de elite. Há um papel social nesse projeto"
Fonte: Globo Online
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