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PLC traz Internet à rede elétrica
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Atualizado em 26/09/2008

Reportagem feita por sugestão de leitores; saiba mais Em breve, as tomadas elétricas não só alimentarão os computadores com energia, mas também com os bits e bytes que circulam pela Internet. Esta tecnologia, impensável há alguns anos, chama-se Power Line Communications (Comunicações pela Linha de Força). Mais conhecida pela sigla PLC, ela tem como pilar o modem PLC, equipamento que lembra os antigos modens externos que equipavam os PCs há mais de 15 anos, época em que não eram nada baratos os então chamados modelos internos (que hoje são conhecidos como placas de rede Ethernet).

Para que a rede elétrica de uma casa ou escritório de transforme em rede de dados, basta ligar um par desses modens a duas tomadas comuns, plugá-los às placas de rede dos PCs com cabos de rede comuns e pronto: uma rede de dados simples é estabelecida entre os computadores por meio da fiação elétrica. Atualmente já estão sendo produzidos equipamentos de segunda geração do PLC. Enquanto os da fase anterior trabalhavam com uma taxa de transferência de 75 Mbps (megabits por segundo) - menor do que o oferecido pelas placas de rede comuns - os aparelhos de hoje oferecem uma taxa de transferência de até 200 Mbps, o que possibilita o tráfego não só de dados mas também de áudio e vídeo.

Ao contrário do que costuma acontecer quando se fala em tecnologia, hoje o Brasil está à frente de muitos países na área de PLC. Para se ter uma idéia, a FITEC (Fundação para Inovação Tecnológica), entidade ligada à APTEL (Associação de Empresas Proprietárias de Infra-Estrutura e Sistemas Privados de Telecomunicações), é a única instituição fora da Europa a participar do projeto OPERA (sigla de Open PLC Research European Aliance - Aliança Européia de Pesquisas de PLC Aberta - e que não tem nada a ver com o navegador Opera). A APTEL criou as especificações que são adotadas pela indústria e que planeja ?iluminar? (termo empregado quando a rede elétrica torna-se PLC, ou seja, é ativada para tráfego de dados) toda a Europa com o PLC até o final deste ano.

Desde o início de 2005, o município maranhense de Barreirinhas, cidade que fica a 246 quilômetros de São Luiz em meio aos famosos Lençóis Maranhenses, abriga o primeiro projeto de PLC do País. No início, poucas instalações, como escolas, hospitais e órgãos públicos, contavam com o PLC. Hoje, seus 30 mil habitantes se encontram ?iluminados?.

O que falta?

Celso de Carvalho, consultor especializado em redes de dados e dono da De Carvalho, uma das primeiras empresas a trazer modens PLC para o mercado brasileiro, disse que a aplicação da tecnologia no Brasil ainda depende da homologação pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para começar a comercializar os equipamentos por aqui, o que deve ocorrer dentro de alguns meses. "Os modens que vou trazer são fabricados pela DS2, um fabricante de Valência, região conhecida como a versão espanhola do Vale do Silício", explicou.

O processo de homologação da Anatel para um produto é feito em três etapas: a certificação InMetro, que testará os produtos e determinar se o uso deles não oferece riscos ao consumidor (como pegar fogo, por exemplo); certificação da Anatel, que determinará se a empresa está legalizada no País para comercializar o produto; e a certificação do fabricante, com a qual a Anatel verifica se a fábrica está dentro dos padrões de qualidade ISO. Se isso não ocorrer, um fiscal do órgão vai até a fábrica para verificar as condições industriais. ?Quando esse processo estiver terminado, começaremos a comercializar no Brasil somente modelos do tipo ?door-to-door?, ou seja, equipamentos para serem utilizados em redes internas de até 16 computadores?, explica Carvalho.

Mas consultando o site da Anatel, foi possível constatar que já existe pelo menos um equipamento do tipo homologado pelo órgão, o que ocorreu em 2004. Esse modem PLC é fabricado pela japonesa Mitsubish e importado pela Hypertrade Telecom, de São Paulo. Segundo Fernando Castro, diretor comercial da empresa, esses equipamentos foram lançados comercialmente nesse mês para o mercado corporativo. "Nossos equipamentos têm taxa de transferência de 45Mbps, suportam até 64 usuários por repetidora (modem) e serão comercializados em regime de comodato (aluguel) junto a construtoras, incorporadoras e redes de hotéis", explicou o executivo, que ainda completou que já está em contato com operadoras de energia elétrica e de telecom para futuras parcerias em projetos em ambientes abertos (chamados de ?outdoor?).

Carvalho acredita que somente no ano que vem deverão ser instalados por aqui os primeiros modens para ambientes externos. Além de a Anatel ainda não ter homologado esse tipo de equipamento, o País carece de instrumentos regulatórios para a adoção da tecnologia PLC na infra-estrutura de tráfego de dados, que hoje é dominada pelas redes de telefonia e de TV a cabo. ?A criação dessas regras é um processo muito complexo pois exige que haja um acordo entre o governo, distribuidores de energia, provedores de acesso à Internet e operadoras de telecom. Por conta disso, acredito que deve demorar um pouco para que as redes de distribuição de eletricidade sejam também utilizadas para dados?, disse Carvalho, cuja opinião é apoiada por Castro, da Hypertrade. "É preciso muito diálogo entre os envolvidos nesse processo, principalmente as distribuidoras de energia e as empresas de telecom. Mas acredito que até o final do ano elas vão chegar a um acordo". Castro adiantou que sua empresa deverá implantar seu primeiro projeto de PLC em grande escala na nova sede de sua empresa, na região da Bela Vista. Lá, todos os andares contarão com acesso à Web por meio da rede elétrica do prédio. "Um de nossos parceiros nessa obra é o Universo Online (UOL), que deverá ser o provedor de acesso à Internet".

Voltando à questão da aplicação do PLC na infra-estrutura em ambientes abertos, depois que as regras estiverem estabelecidas no Brasil, Carvalho acredita que o PLC poderá ajudar e muito o processo de inclusão digital de boa parte dos brasileiros, principalmente os que moram em regiões de difícil acesso. ?Boa parte das cidades não conta com acesso à Web por diversos motivos. Mas como quase todas possuem rede elétrica, será possível levar a Internet a elas com o PLC. E o que é melhor: mesmo as comunidades mais remotas poderão ser incluídas e sem a necessidade de grandes investimentos, pois basta instalar os modens ?outdoor? ao longo das linhas de distribuição e nada mais?, garante. Ambos os executivos não crêem que a negociação entre elétricas e operadoras de telecom seja difícil, já que a tecnologia PLC não concorre com os padrões de acesso à banda larga já existentes no mercado, como o ADSL. Tanto Castro como Carvalho explicaram que o PLC é uma tecnologia de "última milha" (last mile), ou seja, como atende diretamente o usuário, ela deverá ser complementar à todas as estruturas já existentes e não mais um concorrente.

Uso ?indoor?

Mas voltando para os ambientes internos, para que uma rede PLC funcione adequadamente em uma casa, o usuário deverá vencer algumas barreiras. Uma delas diz respeito ao projeto da rede elétrica. É bastante comum, por exemplo, que em determinado ponto da residência a fiação dê muitas voltas ao invés de fazer o caminho logicamente mais curto. Ou ainda: se estiverem instalados nessa linha disjuntores fora de padrão, certamente haverá perdas importantes na potência de sinal, além da interferência de ruídos elétricos, o que gera quedas na taxa de transferência de dados.

Segundo Carvalho, é inevitável que ocorram perdas em uma rede, seja de dados ou elétrica. O problema é que não pode haver perdas muito acentuadas por conta de erros no projeto elétrico de uma edificação. Mas se esse não for o caso, aí entra uma outra vantagem que é oferecida pelo modem PLC, pois ele também funciona como um amplificador de sinal. "Vamos tomar como exemplo uma rede doméstica com dois modens PLC, sendo que o usuário quer adicionar mais um em um escritório que fica num cômodo relativamente distante dos outros dois. No momento da instalação, quando o CD de instalação do modem for rodado, ele será numerado como o modem "3" e se conectará no "2", sendo que este repetirá o sinal que recebe do modem "1" e ampliará sua potência", explicou Carvalho.

Instalação e teste

A instalação de um modem PLC é muito simples. Quando um novo aparelho é adicionado à rede, é preciso apenas rodar o CD de instalação que o acompanha. Nesse momento, o software perguntará qual é o ID (identificação) da rede na qual o modem está sendo conectado, o que é facilmente feito, já que basta o usuário copiar o número que está escrito na tampa do produto. Feito isso, o novo modem se comunicará com o aparelho que foi instalado antes.

A facilidade de uso do modem PLC foi posta à prova na redação de WNews. No nosso caso, sequer foi preciso rodar o tal CD de instalação. Simplesmente plugamos dois modens em tomadas escolhidas aleatoriamente dentro de nossa sala e conectamos a eles dois PCs. Não sentimos qualquer diferença: conseguimos navegar não só na rede interna como também na Internet sem perceber qualquer alteração. Nem para pior, nem para melhor.

Há ainda mais um motivo para aguardarmos a chegada dos modens PLC com mais ansiedade ainda. ?Pretendemos trazer para o Brasil um modelo que também conta com conexão do tipo coaxial, o que vai permitir ao usuário distribuir não só dados mas também a imagem de sua TV a cabo ou antena pela casa toda?, finalizou Carvalho. É esperar para ver. A tempo: o preço previsto para os modens PLC door-to-door é por volta de R$ 500.

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Palavras-chave: Plc | Traz | Internet | A | Rede
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