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Polêmicas envolvem Oscar de filme estrangeiro
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Atualizado em 07/08/2008



Numa espécie de tradição que se consolida ano a ano, algumas das mais elogiadas produções internacionais de 2005 - particularmente Cache, do austríaco Michael Hanecke, e A Marcha dos Pingüins, do francês Luc Jacquet - não estão concorrendo ao Oscar, cujas indicações serão anunciadas no próximo dia 31.



Filmes como esses dois foram eliminados da corrida por questões políticas relacionadas aos comitês de seleção de seus países (que só podem indicar um filme), ou devido à malfadadas regras que a Academia criou para a inscrição de filmes não falados em inglês. Essas regras são extremamente restritivas em relação ao idioma em que o filme é falado e também à equipe de produção.



Quando as indicações forem anunciadas, há uma boa chance de que as cinco produções escolhidas incluam pelo menos um filme desconhecido fora dos limites de seu país. Foi assim nos últimos três anos, com o sueco As It Is in Heaven (2005) e os holandeses Twin Sisters (2004) e Zus and Zo (2003). E, embora alguns críticos da premiação freqüentemente acusem a Academia de estar desatualizada com o cinema contemporâneo, outros argumentam que essas regras são apenas um modo de fazer justiça.



Ao contrário da votação para as categorias principais, na qual os membros da Academia têm a oportunidade de assistir aos filmes em sessões organizadas pelos estúdios, as regras para produção em língua estrangeira exigem que que o membro só pode votar num filme depois de ter assistido a todos os indicados em sessões promovidas pela própria Academia.



Quando Zus and Zo foi indicado, em 2003, fizemos um acordo de distribuição para os EUA, mas nosso distribuidor simplesmente não fez nada, conta Claudia Landsberger, presidente da Comissão Européia para promoção de Filmes. Nosso filme não era conhecido, não tinha ganho nenhum festival, e mesmo assim conseguimos uma indicação ao Oscar. Isso quer dizer que o processo tem alguma coisa de sério.



Este ano, a Holanda não terá a chance de conseguir sua terceirea indicação em quatro anos. Em dezembro último, a Academia decidiu que o filme apresentado pelo país, Bluebird, de Mijke De Jong, porque uma versão modificada foi exibida na TV européia.



Nancy Gerstman, da distribuidora independente Zeitgeist, que está promovendo o filme alemão Sophie Scholl este ano, admite que as regras da Academia acabam igualando a competição e tornando menos importantes as campanhas promocionais. Acho ótimo o fato de que os membros da Academia sejam obrigados a ver todos os filmes e tenham que provar isso, diz ela.



Gerstman, que em 2003 distribuiu Nowhere in Africa, que acabou vencendo, sabe muito bem os benefícios de um Oscar. Lançamos o filme depois das indicações e tínhamos esperança de faturar cerca de US$ 2 milhões. Quando ganhamos o Oscar, atingimos US$ 6 milhões.



O fim das sessões promocionais patrocinadas por grandes estúdios - como Sony Classics, Warner Independent e Miramax - acaba ajudando as produções independentes, mas ainda assim acredita-se que saber promover o filme antes das indicações (ou seja, exatamente agora) é uma necessidade. E até a promoção mais simples acaba sendo custosa. Falando em off, vários veteranos dessa disputa dizem que o custo dessas campanhas chega a US$ 60 mil - US$ 10 mil para pagar um divulgador profissional e US$ 50 mil pelas veiculações na mídia especializada. E se o filme é indicado, será preciso financiar uma segunda campanha.



Certos filmes sequer têm distribuição no mercado americano, e nesse caso a campanha normalmente é financiada pelo comitê de cinema de seu país. Uma das empresas mais ativas nessa área chama-se MediaPlanPR, que este ano representa quatro produções estrangeiras: The Collector Polônia), Kissed by Winter (Noruega), Something Like Happiness (República Checa) e Zozo (Suécia). O único deles que já tem distribuição assegurada nos EUA é o primeiro. E a Zeitgeist diz que o governo alemão está ajudando financeiramente na promoção de Sophie Scholl.



Mas nem todos têm essa sorte. Países como República Checa e Turquia seuqre possuem um comitê de cinema, portanto os próprios produtores é que têm de financiar suas campanhas. Estamos aprendendo, da próxima vez teremos mais experiência, diz Mine Vargi, produtora do representante turco este ano, o filme Lovelorn, que tem até um website. Algum dia estaremos entre os cinco finalistas, mas por enquanto já estamos satisfeitos de participar desse jogo.

* (c) Variety



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Palavras-chave: Polêmicas | Envolvem | Oscar | De | Filme
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