No século XIII, a Europa conheceu a porcelana, trazida por Marco Pólo, ao retornar da China, porém somente no século XVI, em Rouen (França) foi iniciada a sua fabricação que imitava o maravilhoso azul-branco da porcelana chinesa. Em 1710, em Meissen (Alemanha), em 1718, em Viena, em 1756, em Sèvres (França) surgiram as grandes manufaturas de porcelana (louça fina, de pasta forte, translúcida, composta principalmente de caolim, feldspato e quartzo, queimada sob alta temperatura) seguidas pelas de Paris Limoges, Berlim, Nápoles, Buen Retiro (Espanha), Vista Alegre (Portugal), Delft (Holanda), além das inglesas (Derby, Bow, Weddgwood, Worcester, Chelsea, Davenport, etc.). As melhores porcelanas foram as de Meissen e Sèvres, com as suas famosas marcas de espadas cruzadas e "L" entrelaçados, na alemã pelo escuda da saxônia e na francesa homenageando o Rei Luís XV.
Todos os estilos artísticos estiveram presentes na arte da porcelana, como o Barroco e o Neo-Rococó (sobretudo em Meissen, no século XVIII, e em Paris, 1830-1870, sob a influencia do estilo de Jocob Petit), o Império ou Neo-Clássico(especialmente nas fábricas e ateliers de Paris e de Viena, no período 1790-1830), o denominado "Vieux Paris" (1770-1870, de rica decoração a ouro e floral nos vasos e jarros), o "Art Nouveau" (1890-1914), o "Art Deco" (1920-1940), sempre refletindo a cultura, a vida e os costumes de certo país.
Nos serviços de chá e café, nos objetos de decoração (vasos e jarros), a decoração era a ouro em relevo (especialmente, na porcelana Imperial de Viena, nas bordas dos pratos no século XIX) ou brunido (como na porcelana de Paris de estilo Império, 1800-1830, nos vasos sob a forma de ânforas greco-romanas) ou em pintura à mão, de excepcional beleza, em todo corpo de paca ou em seus medalhões (ou reservas), sempre tendo como tema ou motivo de inspiração a reprodução de quadros de pintores célebres (as cenas românticas ou galantes de Watteau, Boucher e Fragonard, pintores franceses do século XVIII), de paisagens campestres (tendo como modelo os pintores holandeses do século XVII, os "old masters"), de cenas históricas ou mitológicas ou da vida quotidiana bem como de pássaros exóticos, de aves do paraíso (porcelana inglesa e francesa do século XIX).
Particularmente, destaquemos o "biscuit" (porcelana fosca, sem brilho, sem esmalte, sem decoração) surgido em Sèvres, na segunda metade do século XVIII, sempre branco pois procurava imitar mármore das antigas esculturas ou estátuas gregas e romanas, reproduzindo personagens de fantasia ou da nobreza ou grupos, de alto requinte ou perfeição em sua fabricação, de anatomia bem detalhada. Os policromados, os com decoração surgiram na França, a partir de 1840 - principalmente em Paris com Gille, Baury e Vion - ao passo que as pequenas estatuetas com esmalte, brilho (impropriamente chamados de "biscuit" em nosso país), em Meissen, nos fins do século XVIII.
A nobreza brasileira, ao tempo do Império, desde o Imperador D.Pedro I, encomendava a sua louça brasonada e monogramada na Europa, de preferência na França (Paris e Limoges), exibindo a nossa aristocracia do açúcar, café e cacau, em suas mansões de engenhos e de fazendas, imensos serviços de mesa e peças decorativas (vasos e jarros) da melhor porcelana européia do século XIX (a francesa, principalmente).
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